sexta-feira, novembro 06, 2015

desfaçatez






Dá-me um segundo. Diga-me, quando chegará o momento oportuno? Aquele momento exato, em que nos meus olhos vão redescobrir o mundo e talvez mude minha apatia diante de tudo. Os tambores, o contrabaixo do jazz, o banzo, um gueto de blues norte-americano, grito de guerra em África - meus dedos, minha boca, barba. Meus pensamentos, enfim... Quando me olho no espelho, nos olhos, não sou mais o mesmo. O homem diante da vida. Menino, criança. Homem velho. Coisa sem sinônimo.  carente que espera sem dormir um vampiro que venha no meio da noite dar-lhe um abraço. Abraçar e ser abraçado sãos dois atos muito diferentes. Quase como atacar e ser atacado. Nem Eu vejo-me mais, senão de viés vez em quando, quando Rosa Passo meus passos diante das paredes e o reflexo pouco do mastigar dos olhos surpreende-me  com a urbana despretensiosa cena. Assim recomeço através desse outro “eu” que não viu passar, nascer, surgir e desaparecer na cena assim do nada. Apenas surgiu “do nada”, como o passar do tempo de tudo do Todo, tal como esqueço uma pessoa e me reparo flagrantemente nada existe mais via real e dói, mas não vejo. E novamente atravesso através do espelho. Eu garrulante, chilreiro, esparolado, louco, loquaz, incongelável irreprimível, irrespirável, incorruptível, imperdoável 

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