quinta-feira, abril 30, 2015

monólogo da madrugada silenciosa



Vida cacarejando velhinha soprando bolo
morte ri no ombro da menina
tornando-se mais escura
você nunca vai ser perdoado

Old man a mover cabeça acomodado
através de brotos da alma
na garagem fala "ah love you"
é o problema da transcrição

mas vai ajudar-nos parvos love
imortal narcótico da esperança
bilhete perfurado de amor

afônico dizia


Eu orgulhosamente arrogante
me tornei um bom namorado...
saco de batatas trazidas
diretamente do mercado
você à noite pro jantar
e não há qualquer ensopado
saco de merda na tigela,
e uma mala cheia de recados
cenouras e rabanetes,
não na bolsa, Deus me livre,
eu num recipiente de vidro:
iogurte, cereais e salada
em um caso requintado.
Eu não formigo frascos urbanos,
mas só sei de você
jugular vestindo opções a prova
confortável e chato!

Aquele dia que eu a via cozinhado

Sarro artesanal




em argila e viscoso verde
desleixado xereta atrofiada
China cópia da pata Sêmen novo
silêncio e saliva de rodas

enviar meio à neblina
a quente ausência do trancado
pressa dos armantes dores férias
bajuladores culatra lacaio

gozo de nuvem frouxa
conforto na garagem espaçosa
fodem -te as delícias
prece de sinos soando

seu mundo é quase perfeito
de farinha ombro e pescoço
flexões ao abrigo das nádegas e escombros
como gafanhotos partidos

nas latitudes da pureza




nas latitudes da pureza
os lábios adornados
nas frequências

de espaços vazios
dentes perdidos

Detalhe



detalhe insignificante
combinação desengordurante

maior clareza
caneta, casca, miolo
obstrução necessária

saber como saber
significativamente
uterina, inibida, singular

levaria todos os pregos
massa, cimento, tijolo
dentes em forma de adversidade

colocou o colar, deslizou pro coração
atividade cerebral, ruído
um escândalo de sandália

senha centopeia
moedor de chakra
carne na navalha

quarta-feira, abril 29, 2015

da flor amigos,




da flor amigos,
pulverização corajosa
manobra tremulante
escreverei sobre isso

aprecio o lápis meta-químico
reflexões flácidas da infância
arcos íris no céu e bochechas infladas

ouvidos cheios de metas
trovejando desafio
descobrir Borges

voando vida
eternamente
luto devorador

e noventa mil
remadores consanguíneos
ciente de todo o sangue

pausa próspera em trajes de morte





ainda vivo
queda
tremor de pânico

doze cobras e
insetos com roupa de praia

se derretem sobre o entalhe
se fundem, senão empecilho

a trilha morreu cem palavras

trágicos infantis fracassos

"... Não é tabaco, é um milho selvagem." 


 






__ Por que você não anda de bicicleta? Há dez anos no acampamento não ensinaram? O que estava fazendo lá?
__ Pintando... e andei sobre palafitas.
__ Mas você tem medo de altura
__ Sim

terça-feira, abril 28, 2015

Uuuu




Falei que precisava reunir forças, saca? Elevar meu espiritual. Estranhei muito quando cheguei aqui. O Jardim Canadá foi minha casa somente dois dias, portanto estou passando outro processo de adaptação. Bairro industrial, longe de BH... No friends.. make amends... fazer as pazes com a vida, meio para compensar, como por uma lesão, uma perda, uma volta. Outro recomeço. Já estou me ambientando...

domingo, abril 26, 2015

Notas

Queria coisas que não me fizessem chorar mais. Fim de tarde, fim de tardinha, luzes do clarão horizontal das horas, Chet Baker na vereda, nós na varanda, calma muda sonora, horizonte sem memória, alma que repousa, consciência exultante de potência e vitória, o que antes diante agora tão distante, que chora, notas que repicam de repente e cantam e voltam e voam... soltas, poucas, longas à dizer adeus até o último minuto íntimo. Noite que se mostra. Gosto de saudade. Arrepios na pele. E somem.

Notas


para Марина Marina

Em grande parte do conhecimento
uma tristeza considerável
Então, disse o criador
“Eu não sou um homem sábio” mas por que tantas vezes?

Gostaria que o mundo tivesse piedade?
Natureza quer viver, e por ela
milhões de grãos devorados pelas aves de rapina
Mas milhões de aves para os astros e o Deus-Mau vê um apenas

Ruído e pedidos ao Universo de tanta beleza
Espuma de mar e grito salpicado de tristeza
Mas nas montanhas da terra, nos cemitérios da vida
Só cores claras

Eu não sei ser eu? apenas um breve momento
Seres alienígenas. Meu Deus,
Por que você fez o mundo? ela doce e sangrenta,
E me deu uma mente, enquanto percebo isso!

Notas


No dia da despedida

viagem só de ida
exatamente quarenta noites
não é suficiente?
em seguida, cigarros
trinta e oito noites
não é suficiente?
pão branco em seguida,
cerca de vinte e quatro
não é suficiente?
em seguida, caneta e tinta
no valor de doze anos
falta algo?
também devo comprar
e escrever na testa
"Oh querida,
agora, eu só
não sei o que faço "

Notas


Menino-rei-menino
Como prisioneiro preso na jaula
minha pobreza é pássaro de argila
sou mãos desajeitadas de atitudes
assobios esculpidos de menina

assim parto em mil pedaços de madeira
sem provar a natureza da figura
e destarte você parte pro outro mundo
e que quebrou, cabras, bodes e ovelhas

e verbos transformei na lua
e galos e crianças atiram coisas velhas
minha arte miserável sem bravura
no poço quão intensamente

animal gaiola lira rude
olhou pra mim do alto baixo em...
problemas cardiais crispavam seu desdém
e me esqueci que cantava pra mamãe

gradualmente desprendeu-se
arremetendo asa-de-telha-ataúde
batendo em retirada quando pode
entendo esse balbuciar alienígena

e vagamente fui um sonho androide
boletim se meio adormecido
uma visão fugaz de mim
meus diabos apareceu de novo

e olhei para baixo as escadas
e deitei sobre a luz branca
e o coração-preguiça te perdoo
caminho até agora seus anos de declínio

Notas

Sim, é tempo de um tango rasgado, mas aos poucos a vida vai, retoma suas cores. Aprendi a distinguir entre mais de mil tons de cores. Agora começo a ver, como no fim de uma subida, o horizonte despontando do outro lado do vale. Aos poucos vamos descer e conhecer as águas do campo. Vamos até lá para matar nossa sede. À noite, bem instalados ao redor de uma fogueira, tomaremos vinho. Brindaremos e contaremos histórias incríveis de outras épocas e outras culturas. Descansaremos o corpo. A alma estará plena de boas sensações. E vazia, “lavada”. Como as águas limpas das nascentes. Então a vida não será mais como "jogar amarelinha no morro".

22 de julho de 2014

Ars longa, vita brevis


Estive perdido no espaço e todas as palavras foram paliativos da palavra dor que não entendíamos, ou não estranhamos o sentimento, ou simplesmente nos amávamos. Não era preciso exaltar o fascínio ou deflagrar nossos defeitos fatais. O âmbito incorrigível da natureza humana causava certo pânico. Os dois então causaram certo incômodo. Compaixão por aqueles que buscamos a falsa alegria do signo, conhecida por vários nomes. Sexo, desejo, alivio, orgasmo. Dormir ao sentir o calor do seu corpo. Códigos, ritos e ritmos do compasso de um domínio inalcançável. Fogem de um mecanismo cognoscível presos em um mecanismo fechado. Permita que despeje meu desejo em seus olhos gráficos.
As letras sempre foram refúgio de um desfecho trágico. Bandido, banido, endomorfismo causal matemático de um sistema lógico que não compreendo. Sexismo marcado pela naturalização da mulher versus uma racionalização do homem. Condicionado a noção de sensação de um desejo em agenciamento. Inebriado pelos sentidos em que percebo suave, delicada e melodiosa canção da madrugada.
Dessa relação com os signos, quantos cigarros fumei. Saio limpo, triste. Vazio. Desfaço-me do energético impacto com o conceito da palavra. "Amor, onde você estava que eu não te vi?". Transfigurando mil imagens, foste a substância espectral Inteligível à sombra de um palco? Volúvel, aéreo e subjetiva sombra sobre as asas de um pássaro?
Um pássaro livre...

quarta-feira, abril 22, 2015

Tributo



David Helfgott "com a ajuda de Deus..."


 













Aos seis anos de idade, começou a aprender piano com seu pai. Com dez anos de idade passou a estudar com Frank Arndt, época na qual ganhou várias competições locais.
Quando tinha quatorze anos, a comunidade australiana de música levantou recursos para que David estudasse piano nos Estados Unidos. Contudo, seu pai não permitiu que ele partisse, alegando que David não estava pronto para a independência (e presumivelmente por suspeita da sua doença mental). Aos dezenove anos, entretanto, David Helfgott ganhou uma bolsa de estudo na Royal College of Music, em Londres. Por três anos, lá estudou, sob a tutela de Cyryl Smith.
Durante sua estada em Londres, David teve manifestações mais graves de sua doença, o transtorno esquizoafetivo. Em 1970, voltou para a Austrália, onde se casou com sua primeira mulher, Clara, em 1971. Após o fim de seu casamento, foi internado em Graylands, um hospital psiquiátrico na cidade de Perth. Durante os dez anos seguintes, David passou por um tratamento psiquiátrico que incluía eletroconvulsoterapia.
Em 1984, após se apresentar alguns anos em um bar australiano, ele conhece a astróloga Gillian Murray, com quem se casa alguns meses depois. Nas décadas de 80 e 90, construiu uma carreira de sucesso na Austrália e na Europa.
Hoje, David Helfgott mora em Happy Valley, Austrália. Ele ainda faz apresentações de piano em sua casa, "Paraíso".


Minha versão
Um pianista? Um pobre menino judeu chamado David living in bad times vivendo em tempos ruins... Ele foi arduamente castigado por seu pai quando estudava piano, aliás, com o próprio pai. Para incluir, suas irmãs também estudavam, mas não com tanto empenho, por que de fato seu pai não as cobrava tanto quanto ao pequeno David. Aquele velho ditando "a gente quer que os filhos tenham que a gente não teve". (Uma boa discussão sobre Bem & Mal...)
O fato é que David Helfgott já tinha tudo em sua mente. Alguns poucos que tiveram olhos e sensibilidade para ver aquele talento, também chamado de dom, facilidade, obstinação, sutileza, egolatria, "punhos para se vingar" - "bata mais rápido, David, com força" dizia seu pai. Ele estudou e ganhou um concurso de piano em Londres, onde foi morar contra a vontade do pai. E contra a vontade do pai fê-lo tornar-se o desejo da criança e sua psicose o transformou em seu pai
em si; "a busca pelo objeto", inalcançável e do alcance da compreensão. Ele fez o que fez. Se não o fizesse não teria sido ele.





terça-feira, abril 21, 2015

12 de dezembro de 2014



Difícil caminhar lado a lado. Quem saberá o que é sonhar? Difícil saber como se encontrar. Difícil reter o amor, reter seu calor, conter o fluxo de suas correntezas. A alma de outrem é um universo além. Um dia uma paixão estranha me atingiu como um relâmpago. Eu não imaginava que seria uma paixão inconsequente. A primeira noite, nos amamos com serenidade e lentidão. Aprendendo caminhos como se tivéssemos todo o tempo do mundo para realizar tal trajeto. O que foi novo para ela e para mim? Não sei, mas gosto de pensar que estávamos destinados a nos encontrarmos, a nos descobrirmos e nos amarmos. Mesmo que agíssemos como dois bichinhos estabanados. Ou talvez terá sido o fato de navegarmos entre duas correntes igualmente poderosas, a paixão e a ternura. Eu me surpreendi com os olhos rasos de lágrimas, suavizados por esse afeto súbito, acariciando-a cheio de calma e gratidão. Senti que esse amor seria capaz de nos renovar, de devolver alguma inocência, lavar o passado e iluminar aspectos obscuros de nossas vidas. O coração ensinou que essa timidez inexplicável me agradava muito. Do amor perdi todas as batalhas, mas, por alguns mundos por onde naveguei, milagrosamente, ganhei a guerra. Descobri que a utilidade é um território perigoso. Eu quero a tranquilidade de ser inútil...







28 de dezembro de 2014 - Clínica



Hoje, domingo. Por quê você não me deixa te amar? Hoje lágrimas escorem dos meus olhos, queimam. Quando vamos nos ver novamente? Não fale comigo se você sente que ainda estou mal. Fazem quase dois anos que eu te liguei e esse ano já vai acabar. Hoje não dá.Hoje acordei com o sol brilhando. Uma enigmática vitória crispada de lágrimas. Só queria que você soubesse que estou aqui. Hoje, onde está você?

segunda-feira, abril 20, 2015

A contrario sensu, a fortiori



Desnecessário dizer que sigo escrevendo. Aqui sou Espaço sem Tempo. O dia, vinte e oito de novembro. Aqui os dias se arrastaram até que tive coragem de registrar as primeiras palavras nesse caderno. Ordinário no senso comum, ordinário no sentido das coisas que desejo consertar. Os meus defeitos, defeitos de caráter. Mas preciso antes definir o significado de caráter, que às vezes basta ter. Outras vem seguido das palavras "bom" ou "mal". Entregar nas mãos de um Poder Superior é apenas como seguir o fluxo da natureza. Não cultural e cotidiano. O ano está quase acabando. Ano do Cavalo, ano do zodíaco chinês que define meu signo. Sigo o ano que segue. É quase dezembro. Há coisas que quero escrever, mas me falta o fôlego necessário. Conciso, determinante ou, eu diria, devidamente inspirado. Por isso os peixes voam. A chuva escoa pelos meus olhos enevoados, do meu coração cansado. A tristeza é um deserto estéril. A memória vivifica lembranças de outrora, com a força da solidão tento compensar as horas da ausência. Sentimentos de vida em voos poéticos. Nada terá sido em vão.

"... Era uma vez um menino que no dia do seu batizado recebeu todas as dádivas dos anjos do céu. Aos sete anos de idade, Deus beijou sua língua. Porém, um feiticeiro colocou em seu corpo uma bomba relógio antes que sua mãe pudesse impedi-lo.
Na época em que o rapaz completou dezoito anos todos haviam esquecido o feitiço, mas inexoravelmente e num dia aziago a bomba explodiu e, por dentro uma inexplicável fissura se abriu e mil crateras se abriram em inconclusivas indagações. Os hormônios se perderam em um labirinto, mas aos vinte e quatro anos, ano do cavalo, quando uma vela acende a outra, iluminou-se uma alameda de onde surgiu uma fada.

__ Pegue, escreva e desabafe. Se não fizer isso vai morrer de angústia, meu pobre menino
__ Não posso. Alguma coisa se despedaçou dentro de mim. Talvez eu nunca venha a me conhecer.
__ Escreva uma carta para Deus... Vai ajudá-lo a saber o que aconteceu durante o tempo em que ficou adormecido"

Mas para eles eu conto outras histórias...
Desnecessário dizer que sigo escrevendo. Aqui sou Espaço sem Tempo. O dia, vinte e oito de novembro. Aqui os dias se arrastaram até que tive coragem de registrar as primeiras palavras nesse caderno. Ordinário no senso comum, ordinário no sentido das coisas que desejo consertar. Os meus defeitos, defeitos de caráter. Mas preciso antes definir o significado de caráter, que às vezes basta ter. Outras vem seguido das palavras "bom" ou "mal". Entregar nas mãos de um Poder Superior é apenas como seguir o fluxo da natureza. Não cultural e cotidiano. O ano está quase acabando. Ano do Cavalo, ano do zodíaco chinês que define meu signo. Sigo o ano que segue. É quase dezembro. Há coisas que quero escrever, mas me falta o fôlego necessário. Conciso, determinante ou, eu diria, devidamente inspirado. Por isso os peixes voam. A chuva escoa pelos meus olhos enevoados, do meu coração cansado. A tristeza é um deserto estéril. A memória vivifica lembranças de outrora, com a força da solidão tento compensar as horas da ausência. Sentimentos de vida em voos poéticos. Nada terá sido em vão.
"... Era uma vez um menino que no dia do seu batizado recebeu todas as dádivas dos anjos do céu. Aos sete anos de idade, Deus beijou sua língua. Porém, um feiticeiro colocou em seu corpo uma bomba relógio antes que sua mãe pudesse impedi-lo.
Na época em que o rapaz completou dezoito anos todos haviam esquecido o feitiço, mas inexoravelmente e num dia aziago a bomba explodiu e, por dentro uma inexplicável fissura se abriu e mil crateras se abriram em inconclusivas indagações. Os hormônios se perderam em um labirinto, mas aos vinte e quatro anos, ano do cavalo, quando uma vela acende a outra, iluminou-se uma alameda de onde surgiu uma fada.

__ Pegue, escreva e desabafe. Se não fizer isso vai morrer de angústia, meu pobre menino
__ Não posso. Alguma coisa se despedaçou dentro de mim. Talvez eu nunca venha a me conhecer.
__ Escreva uma carta para Deus... Vai ajudá-lo a saber o que aconteceu durante o tempo em que ficou adormecido"

Mas para eles eu conto outras histórias...

Assim começam as Notas...



"Os tempos modernos caracteriza-se por mutações e tensões
A cultura contemporânea relega a moderação e impõe a todos uma conduta veloz e imprudente
Tudo pode acontecer e à qualquer hora dispensados a análise e o bom senso
Somos uma civilização destinada, quase somente, a corrigir erros."



O Capital, Karl Marx