quarta-feira, setembro 30, 2015

buraco de formiga


Wormhole



"Como podem ver será algo que unirá diferentes sítios da estrutura do espaço-tempo. (Daqui surgem teorias sobre viajar no tempo e/ou espaço, que tenho a certeza que não perderão a oportunidade para comentar, mas que estando envolvidas nesta teoria que é apenas uma hipótese, não podem receber muito crédito, não descuidando do fato de ser uma possibilidade, caso a teoria se confirme. Segundo outras teorias, estes "túneis" poderiam ligar universos paralelos, embora seja menos provável por razões de inconsistência com outras premissas que a teoria usa como fundamento...) Como veem na imagem, no meio do "túnel" fala lá de "energia negativa" - este é um dos problemas: nunca se "viu" energia negativa, ainda assim se existir fará parte de outra matéria também teórica que se chama "matéria exótica". Por que metem uma "matéria" que não se sabe que exista na teoria? Simplesmente para que se possa pensar nesta teoria da existência de buracos de verme: sem energia negativa, a chamada garganta do buraco fecharia sempre que se recebe qualquer matéria, o que tornaria o buraco totalmente inútil em termos teóricos, pois só existiria caso não fosse usado..."

coisa sem sentido



Uma frase veio à tona. Pulou, escapuliu, me fez pensar. Fez-me entender outras frases que já haviam sido ditas. Somente hoje eu compreendi o contexto. Agora tenho a quem matar com a minha indiferença. Hoje deixo de ser indiferente a mim. Vou comer um prato feito no mercado e à noite tomar uma cerveja no Aquarius e pedir um tira-gosto, sentado no enorme balcão que abriga todos, sedentos e famintos. Ver o Jornal Nacional. Depois de pagar a conta e dar um adeus vespertino, vou andar até a esquina e comer um churrasquinho de gato, trocar umas ideias com o baiano velho, aprender um pouco.
Aprendo muito sobre a natureza humana. Os próprios da mulher e do homem. Parece que se refestelam em si. Eu me pergunto de onde vem essa força. Então, com uma pergunta enigmática qualquer, eu vou pra cama, pensar um pouco, enquanto algum filme idiota passa na TV, sem som, no mudo.




Nota se fim...

sábado, setembro 26, 2015

Flutue no céu

E que também adormece, também dança, dança o choro-valsa e a valsinha e adormece. Dança. Dança e encaixa suas notas, compassos e contratempos e ritmos. Areja, esvoaça, vai longe. Voa... e retorna à perfeita percepção, própria em si mesmo. Madruguei com você. Abdiquei de tanto faz o que. Não há como perceber o mundo fora de si. Não há como não tomar atitudes desesperadas. Há como Ser ou forte e firme ou fraco. Sem morte sem norte sem leme quem te ame e sem tabaco. Sem café? Já li muito. Meus ouvidos agora querem aprender a ouvir mais do que ler. Tenho lido pouco ou quase-nada. Ler é deixar alguém falar no seu ouvido. Nada de realismo fantástico, nada dos contistas russos. Sinto-me um intruso na obra desses mestres, confusos, russos, obtusos. Minha garganta seca. Minha ausência de diálogo e minha fala ficam obstinadas, corrosivas. Ultrapasso a hermenêutica do apuro, pichado nos muros da memória. O que passou, passou... Flutue no céu, ou siga-me.





terça-feira, setembro 22, 2015

Live


Tanto tango trago em ti





Dos gardenias para ti
Con ellas quiero decir:
Te quiero, te adoro
mi vida
Ponles toda tu atención
Que seran tu corazón y el mio
Dos gardenias para ti
Que tendrán todo el calor de un beso
De esos besos que te dí
Y que jamás te encontrarán
En el calor de otro querer
A tu lado vivirán y se hablarán
Como cuando estás conmigo
Y hasta creerán que se diran:
Te quiero.
Pero si un atardecer
Las gardenias de mi amor se mueren
Es porque han adivinado
Que tu amor me ha traicionado
Porque existe otro querer


A cabeça cheia, a cabeça vazia... devo dormir ao teu lado, mas não posso mais. Tomo uma chuveirada e estou guardado pelo sol. Novo quintal, novo bairro perimetral, mesmo sol. Tudo é novo, tudo de novo. Oriento-me de dentro para fora e localizo-me de fora para dentro. A doce, lenta e calma percepção do mundo ao redor. Vejo as estrelas. Às vezes choro. Quão distante está você agora? Acho que apenas dentro de mim, ao menos dentro de mim. Achar essas minúcias da vida, do caminho, das águas, ventos e sentimentos e a noção que tenho de mundo agora. Dor, amor, solidão. Então tudo se acalma. Meu corpo, minha mente, alma.. Começo um novo que se expande aos poucos e tento acampar nesse novo e me deixo guiar. E o horizonte cresce a cada passo, a cada palmo, a cada pedaço de esquecimento...


como tragar o indecifrável



como tragar o indecifrável?

nunca estive disposto feito pato d circo em tiro ao alvo
feito sapo de vala na beira do alambrado,
feito palhaço fumador descalço que odeia  sapato largo,
mesmo r assim a vida segue seu rumo, fatalmente, ao mesmo tempo em vários rumos. Não importa que a vida seja mesmo essa aventura errante, que importa sentir-me vivo? preparado para surgir e emanar de encontro, porque hoje o amanhã consiste em novamente trespassado,
de onde surgem as cobras e as cobranças, a dança, a malandanza
um sapo veemente-mente descaralhado e descalço
sem vos, sem vês, sem vis-à-vis feito o palhaço
eu pico a mula me aprumo e vou contente.

Ossip

Caminheiro
Sinto é um medo, um medo insuperável
Defronte das alturas misteriosas.
E dizer que me agradam andorinhas
No céu e do campanário o alto voo!
Caminheiro de outrora, cá me iludo
Pensando ouvir à borda do abismo
A pedra a ceder, a bola de neve,
O relógio batendo eternidade.
Se assim fosse! Mas não sou o peregrino
Que vem dos fólios antigos desbotados,
E o que em mim real canta é esta angústia:
Certo – desce uma avalancha das montanhas!
E toda a minha alma está nos sinos,
Só que a música não salva dos abismos!

segunda-feira, setembro 21, 2015

sim, sei...

Abrigar alberga seis das nove três frequências

Ela incumbiu a dizer que as rodas redondas de cucos
de duas pernas da calça de passar roupas do armário
onde o pássaro da cereja e aranhas de arame desmoronam
cascos díodos deslizantes
denominações dos silos para dissolver a comida
do frio leite em envelopes selados
agulhas de tricô jogam cromado fingidamente
do carvão da morsa a sombra negras
veludo de endereço verticalmente chinês
balanças em estado de alerta na Mongólia
vestígios de hanseníase incubadas mudo

sexta-feira, setembro 18, 2015



Surge mais forte de fatos que de afeto
Morna é a fragrância da
madrugada

Fragmentos harpejados,
herméticos de Fátima e
agulhas náuticas
no mar de Malta

Amalgamada
farfalha
nalma
e a fleuma
aflora.

murmurejando
ciciando
não
sei
se
canto

rumorejando
negro
pardo
e santo
meu lamento
meu breque
meu salamaleque

Dimitri





combinações desengordurantes

Na cova de duas folha claras
a casca da pena claramente
a obstrução do indispensável
saber como saber autenticamente
uterina, inibida, singular
para empurrar todos os pregos
de um hiato em forma de infortúnio
deslizou o colar escorregou ao longo do turno
na atividade do cérebro
o ruído, a presença de um escândalo de sândalo
a senha centípede
dos chakras de um moedor

quinta-feira, setembro 17, 2015

.


El Macho Cabrio


Quem é a Besta Fera sobre a qual a Prostituta Babilônica está sentada, fornicando e dominando? Palavras da Gênese. 16. Os dez chifres que viste, assim como a Fera, odiarão a Prostituta. Hão de despojá-la e desnudá-la. Hão de comer-lhe as carnes e a queimarão ao fogo. 17. Porque Deus lhes incutiu o desejo de executarem os seus desígnios, de concordarem em ceder sua soberania à Fera, até que se cumpram as palavras de Deus. 18. A mulher que viste é a grande cidade, aquela que reina sobre os reis da terra. Revelação 17:1-18 E um dos sete anjos, que tinham as sete tigelas, veio e falou comigo, dizendo: “Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que está sentada sobre muitas águas, com a qual os reis da terra cometeram fornicação, enquanto que os que habitam na terra se embriagaram com o vinho da fornicação dela. E os dez chifres que viste significam dez reis, os quais ainda não receberam um reino, mas eles recebem autoridade como reis por uma hora, junto com a fera.”

Deus morto fêmea


A hora em que Dimitri engasgou-se, pôs tudo pra fora, naquela hora. Eram três e vinte sete da tarde de uma quinta-feira. O ano eu não me lembro, mas foi no inicio do século. Acho que no final da primeira década. Vivíamos numa sociedade que ainda não tinha noção de si, não tinha noção de estar passando por uma época de transição. Normais que não tivessem essa capacidade de distinguir as mudanças (assim como os renascentistas não disseram: Eis, pois a Renascença! Coube aos historiadores nomear) em uma linha do tempo. Sim, até então era uma linha reta. A época, nunca dantes vista e sem dispor de pais e mães filósofos, que fossem capazes de dizer em sua totalidade, o que estávamos vivendo. A partir da morte de Dimitri Marcowich foi que me dei conta de que tudo parecia ser, mas não era. Tornou a vir o pensamento dos morros, fase-da-macumba, do império Austro-Húngaro, das manhãs de domingo. Tornaram a vir as umas lembranças, ou más recordações. As palavras do pastor sobre a nave, a comunhão, a dor de estômago e as inumeráveis cervejas da noite anterior. Os amigos que eu não conhecia. Nunca sabia o que estava se passando. Veio de novo essa memória. A sensação de que estava sendo passado pra trás novamente, mas por mim mesmo, novamente. Quis me afastar, correr, deitar dentro de mim. Língua gelada língua gelada. Como eu... A passividade em que vivíamos... Pessoas recusavam-se a serem artistas, mesmo sendo. Administradora de empresas que concatenava se era boa ou ruim minha influência de poeta. Melhor seria o meu refluxo. E os acrobatas da dor continuavam morrendo assim como Dimitri, assim como os camponeses de Madelstam. Os mais desavisados morriam no meio da rua, puramente para o deleite dos transeuntes. Logo escorriam pelo esgoto, feito uma gota de porra a ser limpa. Então, eram todos acrobatas da dor forçados a desfalecer nalgum momento sob o comando da urgência. Dimitri e eu éramos amantes. Dimitri tinha a mente vazia e talvez fosse isso que me fascinava. Era a mais inédita expressão do momento que estávamos vivendo. Carregava o Caos em seu bolso esquerdo e a Teoria da Relatividade no outro. Sempre foi gauche desde que o conheci. Tinha olhos de peixe morto e isso dava-lhe a virtude de nunca ser visto. Remontei a época em que Dimitri era vivo e o meu coração pulsava com alguma esperança ainda. Ainda que pairasse no ar sobre o nos a praga do milênio.

segunda-feira, setembro 14, 2015

segunda-feira, setembro 07, 2015

Bordellen



جيز
لي وروحي البرازيلي. معاذ الله أن أي وقت مضى فهم تصبح هذه الشعري. يبارك هذا الشعب هذه الأرض التي الارتباك. وهذا ما يجعلني أفكر تحت حبلا شعري. وهذا ما يجعلني أكثر البرازيلي الذي يتوقف لسماع السلام عليك يا مريم أمام الكنيسة. والصلاة. في يوم آخر، آمين.