quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Estrada sem fim




A fase agora é de decidir entre a bailarina e o anjo. Cada momento em particular, em que eu mesmo não entendo, um ou outro prevalece, anjo ou demônio. Agora, digo, em dezembro desse ano fazem dez anos que comecei a registrar meus textos. Esses fragmentos - testemunha do meu olhar em guardanapos de buteco. Esse movimento de organizar o passado e seguir escrevendo é um exercício árduo. Chego a ficar paralisado e não fazer nenhum dos dois. Estava acostumado a escrever à mão, no sexto caderno que tenho (de  manuscritos, claro) e que não transcrevi sequer uma página. Fora esses cadernos, que também pretendo publicar, tenho mais ou menos dez anos de produção quase diária de impressões de mundo gravadas sobre todos os assuntos. Mas essencialmente sobre a busca de toda alma humana que geme e que fala - o amor, o Grande Outro, o objeto faltante... Tantas quantas são as emoções e as impressões que, no fim desse que concluí seria meu terceiro ciclo, minha epifania, minha revelação sobrenatural e ao mesmo tempo tão óbvia foi - quão? quão distante? quão perto? eu estive? estivemos? ou foi só ilusão? para mim, não para ela. Quão? Quantos segundos eu levei pra tomar uma decisão? Aquela fatídica mórbida decisão. Eu não tinha nada. A não ser a vontade de arriscar a própria vida. Uma eterna subida de Sísifo. Tranquilo e favorável é situação em que a polícia não está vigiando o tráfico e eles podem livremente espalhar a doença. Então o país inteiro vota pela alienação. Anestesia, dói menos. É tranquilo, mas nada favorável a médio e longo prazo. Capturo e deposito cenas da minha imaginação em um baú voador e flutuante.com nome de pássaro... Vou fazer uma grande colcha de retalhos contando toda a história. O limiar do herói, o pícaro, a travessia... e entre atos, entre altos e baixos, o caminho em si é uma estrada sem fim.  

Um comentário:

Liberté disse...

😇keep writting.