sexta-feira, maio 06, 2016

uns dias atrás


O dia do desapego

O sentimento preso no peito. Eu sem saber como transformá-lo em palavras. Um momento breve de sair da catarse e ver, apenas ver, o que anda acontecendo. É impressionante a velocidade com que o tempo passa. Agora tenho trinta e oito. Trinta e oito não é idade é calibre. Longe de mim economizar balas. Eu dizia coisas enquanto as concatenava. Eu pensava em "voz alta" e ela não estava entendendo nada.
__ Eu não te vejo - ela diz.
__ Melhor assim...
__ Tá escuro, não te vejo - ela prossegue, do outro lado da tela.
Continuo invisível, nesse caso. Invisível e mudo. Não disse nada, mas acho que ela entendeu tudo. Ela conhece minhas fraquezas, minha febre de poeta, minhas nazelas. Ela sabe que eu amo demais e tanto faz. Assustado como um peixinho. Desesperado como no romantismo russo. Estive mergulhado em mim mesmo durante longos meses, anos. Passei por vários abismos. Cruzei vários desertos. A vontade de sair do buraco, no dia do desapego, prevaleceu pela dor. A pessoa à quem eu me apeguei não existe mais em minha vida. Eu também não existo para... é dificil escrever isso. Cada passo em direção ao recomeço é como esquecer o passado e sinto-me culpado por isso. Cada passo rumo ao meu próximo destino é como andar na direção contrária de um sonho. Um sonho desbotado, sem rosto. Agora é mais do que tarde para apagar lembrança. Ainda cedo pra recomeçar?

Nenhum comentário: