sábado, junho 18, 2016

Se o céu não fosse azul...





Acordei pensando em você. Tomei café e fui fumar um cigarro no sol. Pensando muito em você. O calor, o sol acolhedor, lembranças ... Sinto tanto a sua falta.

sexta-feira, junho 17, 2016



Então, junto os pedaços de ideias soltas, ou melhor, aprisionadas. As que fui capaz de captar, embora em pedaços.
__ Você devia ter um filho - eu digo.
__ Como? Como assim? - ela responde exaltada como se fosse uma só pergunta.
Eu mudo de assunto antes que seja tarde. Já é tarde. Antes, que depois de algumas palavras soltas, a gente se embrenhe nesse assunto e fique agarrado nessa discussão infinita, como se fosse numa moita cheia de cipó espinhento, que nos agarra e nos machuca cada vez que tentamos sair dela. Talvez faça sangrar. O melhor é apenas encontrar uma trilha que nos leve embora desse lugar. Daí estaremos salvos. Salvos de todo medo que possa confundir nossa mente.
__ Meu sonho é ter um filho - volto ao assunto sem saber porque, após algum silêncio, um gole de café, um trago no cigarro. Solto a fumaça...
__ É um sonho fácil de se realizar - ela diz.
Não sei o que pensar. Fico mudo. Ela rola na cama. Não sei se está sendo sarcástica ou verdadeira. Ela está me seduzindo? Talvez eu nunca tenha filhos.

 

Mais uma nota que fica pelo caminho. Confissões de Santo Agostinho... A vida é boa, mas tem essas coisas estranhas. Que pegam a gente de surpresa e derrama nova paisagem. Eu não sou daqui. Sou de nenhum lugar. Eu não pertenço e não quero me encontrar. Eu não pertenço a esse lugar. Eu me perdi dentro de mim. Eu nem onde eu estou. Eu vivo diante de uma tela. E as páginas e o tempo que nos dedos escorrega. Por quê? Por quê você foi sumindo e eu fiquei aqui sozinho? Por que o silêncio angustiante do desgosto? Por que mais uma lágrima lavando meu rosto? Colorindo mandalas e outras ondas. Comecei a colorir freneticamente. Depois pensei "isso não é nada zen". Isso, esse frisson compulsivo e desesperado. Não era bem o tom que eu havia pensado.

Ainda sem norte, mas com um propósito. Seguir, seguir. Quero encontrar-me com a Natureza. Esse desejo que não cessa. Já faz tanto tempo que eu não me preparo para uma caminhada. Alguma "nostalgia boa" como motivação. Por quê que a gente faz tanta coisa que não sabe? Por quê que a gente faz tanta coisa sem saber? Uma fogueira em frente à toca. O céu de estrelas cobrindo minha noite. O silêncio. O vento crepitante lambendo as brasas. O reflexo do fogo nos olhos. A luz da noite incide sobre a paisagem. Estar frente à frente com Deus. Ser o Deus de mim mesmo, e mais uma vez Uno. A interdependência cria uma relação simbiótica de significado. Reinterpretando novos signos e conceitos e significados. Resignificando novas interpretações, deixando os signos sem palavras. Preciso reinventar o mundo dentro de mim. Dar forma nova a um novo contexto. Aceitar. Aceitar esquecer a lembrança de um dia feliz, e viver. São as úlitmas lágrimas do adeus. É dar um passo e deixar tudo pra trás. Um passo apenas. Esse ano creio que não será possível fazer uma caminhada longa. A serra é meu abrigo. Quero investir nesse propósito. Sempre saio sozinho. Sem amigo ou namorada. Sem nenhuma companhia humana. Aqui na civilização eu me sinto sozinho. Muito mais do que o mais próximo que eu jpa estive da Natureza. A vida urbana é paradoxal, pois me envenena e me alimenta. Quero jantar à luz de um bilhão de estrelas. Queria estar na Natureza. Queria estar pleno.
Cabia mais...



Venceu, mas não convenceu. A vida é como o futebol, uma caixinha de surpresas. Tudo pode acontecer em noventa e poucos minutos. Deixou a desejar como grupo. Ganhou no talento individual. A tartaruga pode viver até duzentos anos. A bactéria tem um ciclo de vida de apenas quinze segundos. Indiferente do tempo que as duas vivam, para ambas espécies o mesmo espaço de tempo, a mesma media, foi vida.


Sei que muitas pessoas passaram por traumas horríveis. O meu não seria pior nem menos do que qualquer outro. Um desafio grande essa vida breve. Como eu me sinto agora? Não sei... Distante, invisível, triste, cego.






quarta-feira, junho 01, 2016

Documento8


Documento8

Não sei mais escrever. Não consigo mais encarar a página em branco. A cada frase uma ação, não quero te enganar, te iludir. O Tempo é assim mesmo. Ninguém sai ileso dessa vida. Faria qualquer coisa, eu faria, para não terminar meus dias sem saber que é o último dia. Meus dias sem saber eu vou seguindo. A cada dia uma promessa insubstituível. Lembranças também. Encontro uma porção de forças no pensamento. Esse, voa sem depender do atrito. A mente, às vezes cansada, me assusta com seu próprio silêncio. A inércia, essa... transformou-me num eterno monolito.