quarta-feira, julho 27, 2016

changes



O mundo mudou. Sim, dissram-me. O mundo mudou e eu não acompanhei essas mudanças mundanas, mundiais. Se o mundo mudou, onde eu estava? Nos arredores, nas dores das dores, dos becos nos barracos, no meu apartamento. Eu que não sabia que o mundo era tão apertado. Eu que vivia encuralado. Eu que me contradizia. Eu que não vivia, não convivia. Eu que não sabia que o mundo era tão vasto. A volta do velho do campo. É igual sertanejo de raiz, como qualquer música boa, tem que emocionar. Ou emociona, ou não é música boa. Estou levemente desgastado, por isso, desesperado para ir à natureza. Sozinho no meu deserto contemplativo. Um pequeno grande deserto. Mas o quê aconteceu? O jazz morreu? 

terça-feira, julho 26, 2016

saudade


Hoje é terça-feira. Um dia que mais ou menos funciona. Vou para o quintal pegar os últimos raios de sol. E fumar um cigarro. O sol cai em cobre os meus olhos. Um abelho me ronda. Desceu. Está descendo. À essa hora ele se coloca em poucos minutos.  Vejo bem a silhueta das palmeiras. Hoje estou arrumando minhas coisas, arrumando o quarto, a começar pelas gavetas, tudo. Já joguei muita coisa jora. Elas não... Quero apenas algumas coisas guardadas. Outras à mostra, que são pra serem mostradas. Algumas que sõo pra serem guardadas com carinho. As que guardei merecem uma pequena seleção. Pequena porque parece que diminuem cada vez mais. Minhas memórias... Vejo, à miúde, é ridículo o nível de importância que dou ao que me resta. A letra vem depois da letra e a palavra e... avante.

sexta-feira, julho 22, 2016

domingo...



Será que eu terei outra chance?, de ver nascer o dia outra vez. Em outro lugar, com outro viés. Minha cabeça está cheia. A lua, minguante. Num instante eu só quero que chegue o amanhã. Amanhã algum movimento, talvez. Depois de amanhã, colocando minhas pernas, meus olhos e todos os meus sentidos para funcionar. Há muitos dias espero o dia de ver a mim mesmo. Muitas noites se passaram e é tão difícil estar diante do fogo que espero que eu mesmo tenha feito. Não esperar nada de ninguém "de graça". Esquecer a minha "senha", cara... Assistir as estrelas. Por quê é tão difícil alcançar esse momento?
Personagens vão de carro até o limite possível de seu aconchego. Vislumbrando a paisagem de dentro do automóvel. Sorrindo. Eu sempre quero ir mais longe. Sempre quero testemunhar Deus além de mim, a Natureza. Nunca mais aparecer diante de tanta beleza?, e como? se eu só quero um pedaço de fogo... Mas nada vem "assim", de repente. Somente as ideias. Daí a gente as persegue.

quinta-feira, julho 21, 2016

quero um pedaço de serra



Quero mesmo é sair do mundo. Esvaziar o direito, depois o lado esquerdo do cérebro. Bem romântico esse contato com o Todo. A tentativa, pelo menos. Tá complicado receber tanta informação. Difícil digerir o andamento das conjunções, que seguem no cosmo, sem Tempo. Todos juntos numa só data interplanetária, cosmológica, intergaláctica. Desde o Grande Bang! Mas agora eu quero solidão que não é, de fato. É minha energia, meu contato com o Shambhala Sun. Esquecer os versos. Em cada curva, aquele mistério.

fumando maconha o dia inteiro no quintal


Não adiantasse se esconder. Não adiantasse ir longe sem saber aonde se vai. O mundo inteiro cabe dentro de nós. Todos os problemas latejam dentro de nós. Não importasse onde se esteja. A falta de comunicação é sempre um problema. Principalmente quando qxiste uma pequena leadership, liderança, hierarquia fuleira, falsa, forjada. Motivo pelo qual se faz de uma pessoa vazia que fique ainda invisível, quando o freguês anda lá com alta baixa-estima... Há que estar sempre pronto para responder o que for, ou o homem tolo te evitará. "Não sei não...", meio-termos, dúvidas, silêncios que não dizem sim nem não respondem. Uma merda! Chupa ô desgraça! É difícil viver incompleto e não saber desse autoengano, dessa falácia. Puxar sem soltar o ar. Olhar sem ver direito ao redor. Estar-se preso a si mesmo como a maior das compulosões. O jardim é interno e agora estou de volta ao silêncio. Silêncio ainda mais silencioso do que onde se passava o dia inteiro. Um tabuleiro onde não assei o pão, pois não havia forno, mas havia um propósito em mim, e quem tem um propósito se faz companhia a si. Apesar dos perigos, apesar das armadilhas... Sim. O convívio é uma merda. Uma grande merda onde já se sabe, a princípio, que não se bem vindo, bem olhado, bem quisto. E assim se vai, de lá pra cá, tentando um lugar na sombra... Porra nenhuma.

quarta-feira, julho 20, 2016

quando desde que



Como é que eu vou fazer?, juntar as moedas, onde elas estão, eu não tenho um tostão e ainda essa disritimia. Cândido continua sendo...
O Otimista.
__ Faça o nó certo, marujo! E tome cuidado com esses cristais!
A vida volta a ser a mesma, mas de uma outra forma. Mais ou menos, menos mais do que menos. Sigo seguindo. Uma vida sem histórias e muita memória à ser apagada. Continua sendo. O sol encosta na pele como a cor da terra. Caminhando devagar. A pele é a cor da terra. Meus pés descalços.

segunda-feira, julho 04, 2016

John



para ouvir ao som de Soultrane de John Coltrane



Enquanto escrevo, esqueço de fechar a gaveta - buceta. Ouvindo Coltrane na cama, acendo um cigarro... Não consigo mais pensar. Não consigo mais escrever. Espreito. Espero a próxima nota e escrevo. Mais um dia sufocante, sufocado. Calado. Mais um dia distante me arrasta cada dia mais, a cada dia, para mais perto dde longe daqui. talvez outro deserto. Menos árido, um oásis... quem saberá? Enquanto isso espero.


Eu dou o tom
John, ao meu lado



domingo, julho 03, 2016

meu fogo interior



Escrevo aqui no blog, pois as chances de alguém do Facebook ler esse texto são bem menores, quase zero. Vou dar-me minha própria medida, antes que seja uma medida histórica. Ainda não sei, e ainda bem, contar essa história. Conto por sinai que comunicam. Mas, além de mim, quem mais vai chorar?