domingo, setembro 18, 2016

sem perspectivas



Acordo assombrado com mais um dia neutro. Eles tem sido vários e eu tenho apenas resistido. Ontem eu dormi durante a tarde. Ontem depois do almoço meu padrinho veio, sem avisar, levar meu tio. Ele foi embora, não me pergunte pra quê ou por quê. Sei que agora somos nós três outra vez. Eu, minha mãe e meu pai. Ontem foi o casamento do meu sobrinho. Minha mãe arrumou carona, meu pai voltou sozinho. Ficamos os dois juntos. Eu fiquei puto. Queria ter ido, mas quando acordei eles já estavam prontos. Sabotagem? Talvez tenha sido. Como eremita digo que foi até bom, pois é bom evitar o contato com muitas pessoas em um mesmo local. Da mesma forma, raras são as chances que aparecem. Ficar em silêncio diante do silêncio, como hoje, não é difícil. Eu e meu pai lidamos bem com isso. Minha mãe descansou o dia todo. O pior de tudo é que ninguém vai ouvir esse grito. O pior é que ainda de longe me sufoca o que ficou por ser dito. E talvez por isso eu me sinta incompreendido, garoto.

sexta-feira, setembro 16, 2016

devagar



Não sei como condensar sentimentos. Transformar palavras. Cunhar palavras com o passar dos dias. Seria melhor que eu não escrevesse. Há de ser a finalidade de uma alquimia inviável, intransponível. Quantas coisas eu guardo e guardo munuscrito. Quero vomitar esse pedaço de mim que "fala". Que falar do que me faz beber o próprio desgosto. Falar sem dizer para que outros leiam. Não do isolamento que agora passo, mas do que passei. Essa vontade pungente e que significa repugnar essa obra que escrevi em quatro anos. Não importa como começou. Começou com a minha profunda decepção com tudo que se possa imaginar. Tudo e todos. O significado dos sentimentos. Valores afundaram tão depressa quanto chumbo na água. Eu também sou palhaço. Eu também sou um "cloun" de Shakespeare, eu também sou um gravoche que salta em piruetas d'aço. Também sou triste...

quarta-feira, setembro 14, 2016

amigos



Desaprendi a viver, eu não sei mais. Alguém está digitando meus manuscritos. Além desse caderno há outros que vão precsar de um calígrafo. Vão precisar da minha ajudar, senão eu mesmo para decifrar o êxtase, o desespero, o choro - a caligrafia de estados emocinais alterados. Além do que eles, os cadernos, são um pouco a essência daquele momento. Há imagens que eu quero usar. Esse momento da produção está tão distante. Por isso fico parado esperando para revisar manuscritos. O projeto vai muito além disso. Desculpem amigos. Desculpem a distância. Desculpem o isolamento, o ostracismo. Desculpem cair no esquecimento...

memória distante


O que mais me dói de tudo isso é não ter a menor notícia sua, já fazem muitos anos. E saber que você existe, e lembrar que você está viva. Viva na minha memória e eu não posso fazer nada ontra isso, nada além disso. Eu não tenho amigos, não tenho ninguém. Vivo sem compromisso. Há quatro anos não consigo sorrir. Desde que você se foi... Tento sincronizar as coisas, enquanto tudo anda desorientado. Ao meu redor, muita confusão e pouca esperança. Outro cenário. Eu nem faço parte das suas memórias mais. Não faço parte da sua vida mais. Sou... uma memória distante.

terça-feira, setembro 13, 2016

lugar nenhum


Vivo na beira da estrada, um andarilho. Sinto-me vivo. Ouço o ruído dos carros e caminhões indo e vindo. Onde será que eles vão? São tantas as alternativas passando por onde estamos. Imagino. Quero ir também. Não me sinto bem. Sinto-me só. E na baixada, sinto-me cada vez mais só. Enquanto o calor aumenta e o tempo passa, ainda mais só. Muito sol, muita solidão... Incrível é que eu nunca chego a lugar nenhum.

segunda-feira, setembro 12, 2016

essas linhas


Eu não aguento mais ficar no meesmo ponto, uma pausa, um hiato. Eu não consigo mais ser um velho dentro de um ovo. Da mesma forma que não sei se vou conseguir começar tudo de novo. Eu quero ver o sol. Quero ver o sol. Ainda que não interesse a ninguém ler essas linhas...

domingo, setembro 11, 2016

chego e




O que dói mesmo continua sendo as coisas do coração. Lembranças, nostalgia, o pó nas prateleiras, a vida que não volta, o tempo mal vivido, as coisas mais lindas, a trilha sonora para cada hora, longos beijos psicodélicos e corpos se entrelaçando na oitava dimensão. Que vergonha isso faz, que frio isso inda me causa. Tudo isso é bom num beijo prolongado do passado. Foi quase um período de... sonho. Que estendeu sua mão e beijou meu rostou e me deu própolis com limão e eu nunca mais esqueci. Espremi tantos limões a partir daí... antes de voltar a ser um escravo. Deixei ser um objeto seu, enquanto um homem veste sua doença, sua cura, sua loucura.

domingo, setembro 04, 2016

Deus é do tamanho da nossa dor



Muito me leva a crer que a paciência é a arte de se contrariar. Esses dias em que ando triste... sem saber e ao mesmo tempo sabendo os muitos porques. A paciência é como uma entidade, a Esperança, tipo - nunca se esgota. Elevada a um núvel monástico, você pode até suportar a vida. Depende do nível de pressão. A vida passa e de repente, e repente ficou tudo sem graça. Sem sentido. Daí eu perdi a identidade em alguma esquina se perdeu. A vida é beve e passa depressa. Quem tem paciência sabe.

sábado, setembro 03, 2016

desertos


Meu pequeno deserto me espera, ou desespera, quem saberá. No deserto sou servo e sou deus. Sou um verme, uma pequena larva, um protozoário, uma bactéria, um pequeno Nada. Assim, dessa combustão, uma parte do Todo se ilumina. Aqui eu não entendo as falas. Lá, as falas são sinais. Aqui, estou morrendo na ponta dos dedos.

save image as

http://66.media.tumblr.com/618755f3b5d03d7511b02f47f735b775/tumblr_ocwfklSHU61qz6f9yo2_r1_1280.jpg

Coloquei fogo no mato e o mato pegou fogo, metaforicamente, e eu me desesperei, de fato. Voltei para casa deixando aquele deserto para trás. Minha casa era outro deserto onde eu não descanso em paz. Fui para o meu deserto particular, que fica tão longe, tão perto. E até agora espero para ir para esse deserto, galgar mais um pedaço de chão. Se a espera não faz sentido, a ida também não faz sentido. Mesmo assim eu devo ir. O deserto te purifica te envenenando antes de si mesmo.

sexta-feira, setembro 02, 2016

por alguns



Por alguns dias descobrir a minha casa provisória, mas ainda não. Hoje faz mais de uma semana que espero com humildade e gratidão. O que você fez em dois mil e dezesseis? O grande Buda sabe a hora certa de todas as coisas do universo, e saberá a hora certa de partir. No balanço até agora, vence o tempo. As tentativas frustradas de sair de casa bateram recordes olímpicos. Não faziam sentido. Só quero evadir essa realidade. Deixar o sol brilhar. Energia limpa...

quinta-feira, setembro 01, 2016

também eu


O tempo parece não passar e o tempo passa tão depressa. Mais um dia nublado. Os dias falam, dias antigos, dias de chuva pra serem lembrados. Falta algo, claro. Em mim falta o divisor de águas, o discernimento. O que não faz sentido. Vou para longe, olhar para mim mesmo. Espero voltar sem me reconhecer, como sempre foi. Pena eu não ter uma câmera que tenha telefone, ou um celular com câmera. Alguns momentos adoraria registrar, outros adoraria fazer uma self... Fico olculto. Niguém faz ideia de onde eu fui, aonde estou. mas eu Vejo o templo das montanhas desde o tempo do império. Eu vejo nosso mar de montanhas. Eu não compartilho. Falo isso com tristeza.