segunda-feira, abril 17, 2017

o resto






que ainda resta


Chegou a hora morta e estou mais vivo agora do antes, do que nunca, enquanto as pessoas dormem. Enquanto as pessoas morrem afundadas no leito, atropeladas pelo sono, deitadas sobre as marcas da consciência, em suas camas confortáveis, ou não. Alguns se ajeitam como podem, reclamando um pedaço de chão, à noite, debaixo da marquize de um prédio no centro da cidade. F#dam-se aqueles me condenam. Esquecem de si e falam apenas, apenas pra me censurar pelo passado, talvez por ter nascido. Por perverter meu fracasso ao vê-lo transformado em virtude, em valor de alta intensidade. Grandes atributos como honra, retidão, respeitabilidade. Justiça, generosidade. São atos de nobreza irrefutáveis, mas contudo, ainda sim, sujeitos ao julgamento e à opressão. O homem só é livre quando é soberano sobre as forças que o oprime. A Natureza exerce essa força sobre nós. Só a Natureza é livre. Portanto, Deus é livre.


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domingo, abril 16, 2017

e agora você cria



E depois das palaras, o que me resta a dizer? O sol lá fora engolindo menos uns dias que passam sem contar, sem contar pra ninguém que eu ainda existo. Mesmo no autoexílio que acham conveniente chamar "zona de conforto" sinto-me mesmo morto. Será sempre assim? é o que já foi e nada será. O futuro não existe e nada será o vir-a-ser. O passado é matéria inexistente, que deveria viver apenas em nossa memória mais bela, selecionando momentos bons e afastando o pensamento de lembranças ruins. O que descobri é que, sem razão, pelo fato de sobreviver, querer viver como um cavalo da instrução, da instituição, essa vontade de "querer o nada" faz crescer em mim a vontade diametralmente contrária de "nada querer". Nada é além do dia de hoje. Nada será, pois tudo já foi. Nada esperar além de agradecer. O pão nosso de cada dia. Um Pai Nosso, uma Ave Maria. Vou dormir pensando em justiça. Leva um tempo ainda para que eu possa atingir uma região que me causa muito prazer também. Em termos de amizade e lazer. Até lá, só o tempo, que por sua vez, em sua lentidão e outras mazelas na vida de um homem ordinário, tem apenas a qualidade de "zona de conflito" quando pouco. Na maior parte disso tento não prestar muita atenção. Senão minha produtividade mental desanda numa dose espantosa. E uma dose de café por volta de três me levanta, e você? o que está fazendo agora? Esse disco do Pink Floyd nos acompanha desde os anos 1980 sem um arranhão. Já é a segunda vez que eu escuto consecutivamente. Não tenho nada a dizer, senão deixar um abraço apertado para aqueles amigos que sumiram e que ainda lembro e que ainda gostaria que, de algum modo,  estivessem presentes na agora minha vida.

"Você grita, mas niguém parece ouvir"

quarta-feira, abril 12, 2017

carta pro amigo Teo, que se foi

meu pequeno caos em manchas de café

This isn't happyness
Isso não é felicidade. Um dia eu soube o que era, ou talvez pensei que fosse. Mas isso não é felicidade. Não, não. Na-na-nina-não. Não sei se sei mais escrever, e isso não é o início de uma pro e contra argungentação. Não tenho mais tempo pra isso. Nas verdades, nunca soube escrever. Digo isso não para me rebaixar, mas para exclarecer. Minhas palavras sempre foram repetição. É que faz um ms que tenho dormido ao inverso, trocando meu sono. No começo causa um tremendo incômodo. Acho que tenho quase certeza que foi a chegada tão esperada do pequeno felino. Ela é um animal de hábitos noturnos, despido de vergonha sobre qualquer ética ou moral quanto encolher-se num canto e dormir durante o dia todo todo. Umas oito, nove horas seguidas. Com breves intervalos apenas para comer e usar a caixa de areia sabe-pra-que. Mas vida de gato não é mole, não. Não é não. Lá pelas duas e dezoito eles acordam e se embrenham na escuridão procurando o que fazer. O meu medo é que depois de meia hora de silêncio, eles sempre encontram. Alguma coisa cria a ilusão de movimento. Ilusão de movimento como eu mesmo existo nesse momento. Um reflexo da sombra da escuridão. Algo ainda se move. Algo silencioso que faz silencioso ruído. Algo que disperso, diluído. Algo que interfere, fere. A medida que se perde. E a medida que se perde é o único sinal de que existiu, simbólicamente. Na minha fé, na vida, daqui pra frente. Tanto quanto como novamente, quanto? Nunca. Volto a viver comum gato no telhado.
Saio no escuro
Sem ser notado
Faço um telecópio improvisado
Miles Davis ao meu lado
L ua cheia passos de felino
c éu estrelado
Nada mais
Nada mais óbvio que o sarcasmo

Emmauel,
seu gato endiabrado

sábado, abril 08, 2017

nas principais




Sabe que eu nem sei se posso mais transformar minha própria vida. Tenho evitado escrever, pois tenho encontrado fraturas e traumas gravados na lembrança de um passado distante. Prefiro evitar lembrá-los. Contudo, em dias como os que passei essa semana, é inevitável não rememorar. Parece que a jornada tem sido um jogo de sorte e azar. O peso da palavra uma noite flutuou pelo céu iluminado. Eu senti, mas apenas. Um ar gelado da madrugada e repente, ficou mais pesado quando esquentou outra vez o dia nasceu. Queria alguém pra conversar, talvez além eu também gostasse de deitar na grama do jardim, olhar pro céu a lua as estrelas. Sem poesia, sentimento nem drama. Sem tantas coisas. Delinear curvas, explicar linhas retas, rivalizar, fugir ou ser ninguém ser. Dormir com sono e sonhos de um futuro qualquer. Triste viver ao lado de quem não sonha. Para quem tudo já foi. O instante presente é imutável. E o futuro, o vir-a-ser, nada será. Sonhar com uma mulher que seja a mulher de um sonho… Há tanto tempo tento ser feliz. Carrego no rosto um sorriso tolo.

segunda-feira, abril 03, 2017

aurora



Acordo pela manhã com essa leve e inabalável  sensação de ternura. De pensar que os sentimentos moram além do contorno das palavras...

sexta-feira, março 31, 2017

Silenciar tudo

Pássaro




Tentar arrancar palavras. Ver a forma onde palavras não há para descrevê-las. Sentir o vento no rosto. A lembrança, A brisa do passado. Meu falo dentro do seu corpo. Como um corvo devorando um corpo morto. Cada dia, em busca do entendimento de enteder a busca da minha loucura - um recorte da pequena história da minha vida - não é a chave de uma questão semântica. Vivo pensando no que não pode ser medido. Tentando imaginar o indizível. A essência da dúvida, duvidoso. Aquilo que não aperece nas imagens. Nas entrelinhas. Atrás delas, dentro delas, nos contornos, nas sombras, nas pausas, nos fundos. Além das palavras, o silêncio. Além do silêncio.

quarta-feira, março 29, 2017

conexão perdida

Perfect Day


Mesmo dia...
Lágrimas escoregam do nariz. Eu... Minha maior indignação é a falta de infomação. Esse desdém por mim, esse desdém desvelado por si mesmos e pela raça humana, esse culto não declarado à pobreza, como se, sob proteção da pobreza estivem imunes... à micro, macro violência social. O erro é pensar que alguém pode se refugiar do mundo, da resignificação iminente dos signos e conceitos. Pensar uma fórmula internalizada de mundo-vida e ser, talvez, apenas pensamento - um corpo sem orgãos. Assimila, interpreta e reproduz, mas neutraliza inconcientemente o mundo-paródia que ajudou a criar. O caso da impossibilidade de qualquer metafísica levou-me a demanchar o mundo, parte a parte, pedaço a pedaço. Começar desde o começo, depois recomeçar a desmanchá-lo. Cheguei às fibras mais profundas dessa trama, que com o tempo foram e mostrando. Meu processo de construção de um sistema de linguaguem é chegar ao modelo mais próximo do sensível, desde o primeiro beijo. Aproximar a palavra do inteligível numa tentativa de escapar ao modelo identitório da imagem não legitimado pela imagem da ideia. Basta dizer que destrincho um frango. Pô  pô pô pô ...

Capim limão

nós


Minha TV também parou. Será que isso é um sinal? (ou falta de)... Digo, um sinal que aponta o caminho pra gente voltar aos seios da terra? Que poético! no sentido spinozian, e não paro de tremer, como se viver fosse uma transgressão constante, ao som frenético de um baião irritante como todo baião anda parecendo. A TV foi a segunda revolução tecnológica, sengundo a estudiosa Lúcia Santaella. Segundo ela, o controle remoto, mais adiante os canais a cabo multiplicaram o número de aparelhos e afastaram membros da família pelo gosto através dessa segmentação. O ato de telever altera antropogeneticamente a natureza humana, segundo o pensador italiano Giovani Sartori. Somos teletubis em transição para a terceira revoluçaõ tecnológica, a dos dispositivos móveis. Eu sou da América do Sul. Sou do mundo, sou Minas Gerais. Mas agora eu sou cowboy...

é o Veneno



terça-feira, março 28, 2017

O espaço da diferença

e seus sistemas de construção
Chove forte. Outro diria constantemente. Depende do sistema de avaliação. O café está meio amargo, pletórico. Risos apáticos internamente. Continuo deserto no deserto. O café solução de areia invade minhas veias. Presente de minha mãe uma cafeira italiana. Pena que eu não domino o idioma. Mas capisco tutto! E o café... é uma bomba. 

sexta-feira, março 24, 2017

Vampire blues

Tudo vai mudar



Como eu sou besta de acordar numa sexta, encostar numa aresta, esperar sua presença na minha cabeça e embalar pra viagem a tristeza, esperando que um dia ela desapareça, prepapado pra dor nas pernas e a ensolação, ouvindo Neil Young. Amanhã é o pseudo casamento do meu sobrinho. Ouço coisas à boca pequena, não quero dançar Macarena, sinto saudades da minha morena, estou chorando agora, quero saber quem eu sou...

Por isso, acho que não vou.





quarta-feira, março 22, 2017

63 mistérios



63 mistérios


Que saudade repleta de sentido. Criando atividades para reduzir a lista de saudades. A janela que emoldura a paisagem. Ladrão de entardeceres, de tons bucólicos que dão cor à tristeza. E a noite revela seus segredos. Escrevo apenas o que me aquece o peito e nunca pede licença pra ir sair. Deixa-me e vai embora.
Sei que, ainda sem saber, eu inventei você.

terça-feira, março 21, 2017

diálogos




Noite sem Luar


Parece seresta. Abre o link, sua besta. Abrir o link parece coisa de besta. Melhor mesmo seria não dizer nada... e fico por aqui. Bons sonhos, cachorro de quartzo. A primeira vez que fui ao Cipó, uma menina discutiu comigo quanto a isso. Bateu pezinho no chão, fechou o bico, disse que não. Que você tem menina? Nesse tempo eu já caminhava, observava o tempo com frequência, perdi a paciência. Qual seu problema, menina? Problemas de auto estima? Vai lamber sabão. Toda virada de lua, lua cheia, chove.
__ Recebi esse diagnóstico domingo.
__ Qual?
__ Vai lamber sabão.
__ Não entendi essa menina não.

Falando daquele papo nosso, das histórias aí na sua casa, a moral da história está clara, limpa.

__ Pareceu que ela só precisava de um motivo qualquer para ser agressiva.
__ Me identifico com ela.
__ Pessoas se afastam... você já fez alguma coisa pelo mundo?
__Orgias. Quanta água você já bebeu?
__ Pensou demais... Muita.
__ Sim. É porque sexo com  as estrelas é bem banal.
__ Putz, mas numa piscina vazia tudo eh performance, não é? Cantar, etc.
__ Se tudo é tudo nada é nada?
__ Tudo é nada.
__ Então não tem entrada ou saída? é bem fluido... mas tem uma onda superviver.
__ Não existe começo nem fim. Por isso,  pra que entrada?
__ Uma suspensão alta de consciência, e você pilota e bate nas cordilheiras.
__ Ou passa por cima...
__ Algo sempre se quebra.
__ Sempre.
__ Subiu tem que descer.
__ Sempre é igual a nunca. Aquele que se eleva, certa vez conheceu as profundesas. O fundo não conhece a superfície.
__ A liberdade não habita superfície. O trágico só me faz ver que as plantas simplesmente crescem.
__ O trágico não existe. O universo só reconhece o positivo.
__ Experimente viajar no tempo.
__ O universo só reconhece o positivo. As plantas crescem, morrem, renascem. É o ciclo.
__ Não adianta chorar...
__ Nada permanece, porém, somos eternos. O universo é uma trama atemporal, sem antes nem depois
 (quando meu pai morrer vou transforma-lo numa samambaia)
__ Principalmente se você dançar.
Viemos do Uno e nos apegamos ao Uno - eu, eu, eu. Esquecemos o tamanho do mundo. Então,o budismo diz que viemos do Uno, mas devemos tentar nos ligar ao Todo. Solidão é o mal da pos-modernidade. Forma da harmonia, estou centrada e bebo a água do mundo lençol de solteiro
afogando igual a Virgínia
Wolf
estepe no peito dxs pox pós

sábado, março 18, 2017

metà di un passato



Metade de um passado

Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou
          Caio Fernando Abreu
 
Cara, desde que a gata chegou, no domingo, eu não paro de tremer. Díficil não imaginar alguma relação de stress ligado à ela, mas acho que não. Não ao ponto de tremer tanto assim. Meu corpo inteiro treme por dentro, como se eu estivesse sofrendo de uma leve abstinência de rivotril. Mas tudo bem... Apesar da citação, hoje é sexta-feira e agora eu estou na cama, despreocupado e desocupado. (Passa um tempo. Claro, estou escrevendo esse texto desde ontem, em pensamento). Porra! Já é sábado e o tempo corre enquanto minhas pernas doem e não consigo fazer contato humano. Estou doente. Envenenado das pessoas e do mundo. Converso com a gata. Fala com ela "Pipa, tô desesperado". Que bobagem os gatos não falam. Eles miam. Ela me olha, eu olho pro teto... com impressão de quem já esqueceu. A dor passa, a cicatriz fica. Em dias de chuva ou de sol minhas pernas, horizonte à frente.

quinta-feira, março 16, 2017


poesia de mulher poesia



Estou em guarda! Ergue o peito e ataca!
Thaís Weick

Ejaculaçoes de 13 de Fevereiro

Cada linha escrita toca o coração
as palavras marejam os olhos da esperança
o sangue flui por entre as coronárias com a
visão do espanto acontecido
o corpo bambo pelo toque de ontem
flutua na mente
a ilusão difusa por más interpretações
arco-íris no céu
colorem pálio cintilante do entardecer
Para quê e Por que?
Nunca se explicam.
Também não se explicam as coisas que nunca vamos saber.
Mas depois de diversas tentativas,
talvez por uma incrível emoção,
deleites femininos descem envolvendo o corpo
de forma natural e bruta
à sensação do ápice da paixão.
alívio e delírio.
Doce solidão.

terça-feira, março 14, 2017

ရုပ်ဆိုးသောနေ့ရက်



Nesse dia feio

Abro essa página em branco todos os dias, mas parece que sempre não é a hora de escrever. Sempre, depois de cada noite, quando a madrugada se avizinha, faço um resumo do meu dia. Quero fazer minhas mandingas, mas sinto que há muito tempo para perpetuar meu tesouro. Penso em desenhar, mas minha cabeça é fugaz. Nesses dias, eu durmo em suspensão. E aquilo que passou através dos meus olhos, se esvai no esquecimento. Estou ao longo do meio de um caminho que desejo viver por inteiro. Até o fim.
Ontem meus queridos amigos estiveram aqui. Dormi durante a tarde antes de recebê-los, e quando eu vi eles já estavam aqui. Dormi um sono profundo e quando eles chegaram eu já estava bem desperto. São amigos que atuaram no último ato da minha vida social. Antes de auto decretar minha morte. Não, não. De forma alguma. Não que eu não goste das pessoas. Sou apaixonado pela humanidade, nossas maldades, nossas vilezas e traições. Tange a mim sofré-las. Não quero ser universal.

sábado, março 11, 2017

O amor é um monólogo que se vive na sombra





Então eu me senti sozinho.

Sozinho na festa.

Se ninguém ama,

odeia ou detesta.

Dava pra fazer um cursinho.

Te como é star só,

sozinho, sozinho.


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quinta-feira, março 09, 2017

fogo amigo



O fato é que meus sentimentos desencontrados não encontram coragem para viver. Essa é a palavra - coragem. Mas pode ser "fé" ou "necessidade". A palavra tenta representar mas não consegue. Como conter o choro, quando ele vem? Como quando as margens do rio se estreitam e águas passam pela

garganta

m falta

tanta



transcendental

quarta-feira, março 08, 2017

inacabado




E chorei profundamente porque ninguém me perguntou a dor que eu senti. A dor que eu senti quando percebi em seu tom de voz que ia ser deixado a esmo. Desde que tentei morrer, essa foi uma segunda morte, pois tive que viver com aquilo - a frustração, a rejeição, um quillo de adjetivos pejorativos. Viver em silêncio. Viver envergonhado de mim mesmo. Andando entre trevas.
Acordo sufocado pela escuridão, procurando um cigarro...

terça-feira, março 07, 2017

Fragmento de um caderno de notas

Por delicadeza perdi minha vida
Arthur Rimbaud





Dia 12 de Dezembro de 2014. Clínica de recuperação.
 

Amei apaixonadamente. Alma de alguém outro universo. Uma paixão estranha me atingiu como um relâmpago eu não imaginava que seria uma paixão inconsequente. A primeira noite, nos amamos com serenidade e lentidão. Aprendendo... aprendendo caminhos como se tivéssemos todo o tempo do mundo para realizar tal trajeto. O que aconteceu de novo para ela e para mim? Não sei, mas gosto de pensar que estávamos destinados a nos encontrar, a nos descobrir e a nos amar. Mesmo que agíssemos como dois bichinhos estabanados. Talvez será sido o fato de navegarmos entre duas correntes igualmente poderosas, a paixão e a ternura. Eu me surpreendi com os olhos raso de lágrimas, suavizadas por esse afeto súbito, acariciando-a cheio de calma e gratidão. Senti que esse amor seria capaz de nos renovar, de devolver alguma inocência, lavar o passado e iluminar aspectos obscuros de nossas vidas. O coração insinuou que essa timidez inexplicável me agradava muito. Acho que do amor, perdi quase todas as batalhas, mas, por alguns mundos onde naveguei, milagrosamente continuo vivo.

domingo, março 05, 2017

Keep calm, cup cake







A noite insone de sábado de um homem. É muito mais difpicil matar um fantasma do que matar a realidade. Eu não sabia que passaria 2013 sozinho, e 2012 passei o natal sozinho, e você foi conhecer o mar e eu fiquei por lá, e por lá eu fiquei catando conchinha, no últmo andar, vista pra favela. Conchinhas do mar, só que dentro de um vaso. E cada conchinha tinha uma cor diferente e lembrava que cada conchinha que apanhei no mar não tinha o menor significado, mas eu estava lá, levando as conchinhas pro meu quarto, uma por uma. Agora elas passavam por meu crivo estético, furo por furo, simetria, tamanho, azul turqueza, verde, lilás. 

inacabado...

quinta-feira, março 02, 2017

caguei



Quando eu era criança aprendi a brincar sozinho


Estou distante... Essa vida idílica não é exatamente o que parece. Mas é inédita, e abriu minha mente. Como se antes eu caminhasse na escuridão, sentindo-me frágil e ameaçado. Não sei dizer antes de quê ou por quê. Se mergulhei muito fundo durante a militância na adicção ativa. Antes de perder tudo e transformar-me em uma moeda de cinco centavos. Perder o sentido da vida. Esperança, sonhos, ilusões. Abri minha pequena caixa de Pandora.
Trepei com todas as dualidades. Dias e noites clamanddo a sua-presença-morena. O tempo e a natureza cobraram seus direitos. Tomei o volante e pisei fundo ao precipício. Neófito da não-ideologia, portanto. Foda-se.  

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

ontens



Que merda de frio está fazendo. Que merda de solidão senti ontem à noite. Se houvessem palavras nessas horas. Mas elas vagam por aí. Escondendo-se, pois sabem que antes turvam-se as lágrimas. Então fogem, indesejadas como as lágrimas. Ontem eu pensava na condição da Incompletude, na impossibilidade de... Enfim, talvez quando eu consiguir realizar "algo" nem minha mãe aqui pra ver...

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Silêncio




O silêncio caiu como uma bomba sobre mim, depois de um lampêjo de consciência. A certeza de que jamais eu ganharia aquela batalha, além do terreno da retórica. Fundada em crenças, dogmas, doenças de quarta geração. Foi muito bom o tempo da janela. O silêncio tornou-se parte da minha vida, o silêncio-morte. O silêncio destruiu as ilusões e tudo que não foi dito. O silêncio gerou uma interpretação forçada para desconeção das falas e sentimentos que estavam acontecendo. Que aconteceram e eu não vi, ou não quis ver, talvez, foi mal. Eu não quis te ferir. Eu não quis me ferir. E hoje eu vivo esse silêncio mental. Muito o que pensar, o que espasmódicamente já esqueci - liberdade. Agarrar-me ao abismo, quando caminhar pelos campos de altitude que sonhei. Minha alma é livre. Meu coração também. O sangue corre nas veias e minha vida não é uma metáfora.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

sábado, fevereiro 18, 2017

por qual motivo?


Procurar... Navegar... Vagar, vagar... Mimetizado ou exposto é inevitável sofrer os danos da existência. Ninguém atravessa ileso a inédita experiência da vida. Amanhã é meu trigéssimo nono aniversário. Procurar, navegar, vagar, encontrar, encontrar o passar dos anos. Nova síntese do conceito hegeleniano.  Que tal, tio? Gestalt? Vai nadar no rio! Vai cagar no frio. Pegar minhoca no brejo... Lamber navio. Parece loucura minha, mas não sou só eu que queria agora um pouco de carinho. Sem reabrir feridas nem verter lágrimas por uma causa já superada. Eu, quero uma pessoa que queira ser amada em troca de nada. Em troca das minhas ideias felizes, talvez, dentro de um homem triste. Há muito tempo estou entre lá e cá, mas aqui não é nenhum dos dois. Desses tempos pra cá, desde que o mundo entrou em crise de mentalidade social, tudo muda da noite pro dia. E tem mudado cada vez mais, de mais, de forma radical. Minha misantropia me fez querer dessassociar do partido e da irmadade, tão de repente quanto sem motivo. Parei, de frequentar esse mundo. Fiquei preso em uma dobra do Espaço-Tempo.
Reconsiderando uma nova paisagem em outro mundo, quem sabe...

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

que seja vida, Rubens


Que coisa estranha é essa do budismo de abdicar de tudo? Abdicar dos maus desejos. E o desejo de consumo é um mau desejo. E o desejo que me consome é um mau desejo. Há poucos dias do dia do meu nascimento, percebo que é cultural e ritualísco querer ser exaltado e ser exaltado. Esse pensamento que flutua na contracorrente do budismo. As comemorações do budismo tibetano são carregadas de símbolos que constantemente nos lembram o princípio da Inpermanência de todas as coisas. Reprimir o ego e virar um grãozinho de areia no ar tão seco até se confundir com outras galáxias do nosso universo. A busca eterna. Aproveito a hora que não tenho nada, e por hora aprendo o desapego. Não tenho nada, além de muito pouco e quando vejo, esse muito pouco me sufoca, sobrevivendo apenas de silêncio. Imagino que seja alguma maldição chinesa, viver anos assim, preso dentro de mim. Alguma praga pêga de nascença. Calhou de ser o seu lado humano e acontecer na sua presença, através de você e por você a minha grande desilusão. Desde então, madrugada silenciosa. Faça chuva ou não faça nada. Venha o que vier, se nunca também, sempre eternamente. Excerço a Grata aceitação budista. Todos os preceitos esperando o posfácio, aqui, agora.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

à primeira vista

Foto Gabriel Chaim

Quando comecei a ler guardo uma lembrança. Claro, eu ainda era criança, sentado no banco de trás do carro, subindo a Av. Cristovão Colombo no sentido da Praça da Liberdade. Era noite. Não lembro o que dizia, qual era a palavra, mas guardo o vago registro dessa cena. Com certeza eu lia muitas palavas que a rua me ofertava. Por falar em Colombo, imagino o que os índios pensaram quando ele pos o primeiro pé na praia "Ó caralho! Fomos desdobertos!"
Eu nunca fui bom em decorar o nome das pessoas e letras de música. Falo inglês, mas prefiro não cantar, mesmo conhecendo a letra. É uma falta de coordenação rítmica, acho. Prefiro achar isso do que uma disfunção neurologica qualquer. Bem, quanto a nomes pessoais próprios eu confundo Renato com Marcelo. E, às vezes, chamo Renato de Fernado. Mas eu acho mesmo que alguns Marcelos tem cara de Vitor, por isso eu nunca chamo ninguém pelo nome antes de ter certeza.


...

domingo, fevereiro 12, 2017

vorra da manhã




Sou um homem metódico. Cheio de velhos sistemas. Embora randômicos, que seja. Alguns não envelhecem, mesmo com a passagem dos anos. Os próprios da natureza humana, um tanto animal. O método mais antigo que tenho às mãos é essa estranha de linguagem. A única que me tem dado usar. Então eu flutuva no sonho, rumo ao deserto, livre como as figuras flutuantes de Chagal. Meu medo, ainda sonolento, era pousar em um cactus. Aconteceu de estar agora aqui nesse minuto e não lembrar-me como foi o pouso. Sei que, passado o Natal e Ano Novo, enfim chegamos nessa casa. Ouvi dizer que ela era habitada por um montão de gatos. No dia da mudança ainda avistamos alguns. Deixando sua saudosa maloca, maloca querida... Bem, depois de alguns dias morando aqui um miado, e repetidamente o mesmo miado. Era um filhote de gato, branco com pintas nas costas e olhos verdes. Dei comida e ele veio, parou de miar. Depois, pelo jeito de andar, descobri que era uma fêmea. Consegui, ainda não sei como, adquirir sua cofiança. Ela veio cada vez mais perto e pude acarrinhá-la. Acho que, de fato ela não queria apenas leite e nós dois queríamos isso. Esse instante emocionante de carinho mútuo. Cada um na sua. Agora ela se sente livre, e eu me sinto livre também. E o sol lá fora. Quanta solidão...

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

LOVE



LOVE

Sinto a sua falta
quando deito de lado na cama
e ainda é dia e quero
esquecer da vida

Choveu fininho lá fora
lá fora na minha horta
mas ninguém abriu a porta
mas ninguém fechou
ninguém,

as portas.

Aonde você vai agora?




Se não importa mais pra você, é importante pra mim que seja assim. De um jeito que ainda não sei, mas vem cá, ou vamos lá. Onde quer que você vá eu não vou correndo atrás. Eu finalmente estou em paz e quero que você venha cominho. Se você quiser. Meu caminho é florido é não guarda mágoas do passado. Compreendeu e compreende esse mundo de espiações e provas. Acalma o teu espírito. Aonde você vai agora?

talking cat



I was looking for you, I seek to be, but on a slippery path the path is easy to disappear and I stayed in the real world looking for you. I looked for you and found this - the jump over the abyss. The plunge into the most sublime layers with questions I did not know. The dark environment of the soul that nobody wants to be. I met the man who let me shape my spirit, master my carnal passions and my soul. I became an animal. A "being" in me, subjugated by myself. Punishing myself without knowing. Without knowing why, without knowing when to stop, without hope, every day less, to find you. Feeling not wanting to feel. Remembering without wanting to remember. I went to look for you in the yard and I was scared - I found myself alone, free and distant from everything. No sound in my ears, no risk in the sky, no signal. The days are long, but you appeared. I'm going to raise rabbits. The first Alpha male will be called Vitor & Léo. Walk with the dog, although I do not have one. Give food to the cat. Water the plants. They take time to grow. Meanwhile - I wake up, I live, I see the moon, I ask for light, I am enlightened. That I am Nothing, part of the Whole. So I sleep, I wake up and I live again. Another day, different.


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terça-feira, fevereiro 07, 2017

Corpo e alma



Ela me disse "Você só quer o meu corpo!". Eu lembrei que pela segunda vez estava ouvindo aquilo. Naquele momento, minha coluna gelou, e como uma folha seca eu amadureci, e naquele momento "você só quer o meu corpo!" entrou para o rol das "desculpas-femininas-para-fim-de-relação". Paradoxalmente, dessa vez eu tinha convicção de que ela estava errada. Como separar o corpo da alma? Body and soul. Tanto amor eu sentia. Tanto amor eu sentia por ela, que cego mergulhei nas profundezas mais sublimes de mim mesmo, além do humano. Só para travar uma batalha insólita que levaria à nada. De volta à Nada, ou, ao Nada, descobri um grande deserto que levaria ao mar... A brisa da manhã traz o gosto o mar. Atravessar o deserto e de repente...
ter em minhas mãos
o peso da palavra
de algo inexistente

domingo, fevereiro 05, 2017

in dubio pro reu



Raspei minha cabeça em signal de devoção, não de vaidade. Ela disse que meu sorriso continua triste através dos séculos. Quando eu falei "esse inverno" causei estranheza. Coisa mais europeia, ela falou em tom de falência. Acidentes acontecem. Eu tenho esse gen na minha cadeia. É por isso que eu me emociono com a minha própria poesia. Tomando sopa de caneca na cozinha, e olhando pela janela a imagem Santa acima da minha composteira. Já consegui cavar dois canteiros de 2,10m x 1,10m e uns 3cm de profundidade. Agora a terra secou e tomou chuva. Essa semana precisa peneirar. Estou fazendo uma bela farinha de ovos. Consegui as cascas numa padaria. Coletando, pedindo, sendo humilde (nem precisa dizer). Ainda não coletei resíduo orgânico pra composteira (Nem é preciso pedir. É só pegar as sobras que os Sacolões despejam na porta como "lixo"), pois estamos produzindo mais do que eu consigo tratar. Fazer o manejo de resíduos orgânicos e recicláveis é muito fácil. Difícil é fazer o manejo de resíduos tóxicos. Um pequeno projeto de vida me atrai.

O espinho na carne





Um domingo chuvoso leva-me a refletir, pensar. O silêncio, os passarinhos... Ouvindo as crianças do vizinho brincando... Cenário bastante idílico. Tem um ar de sagrado. Será que eles ouvem, com a mesma sensação, quando as gêmeas do meu irmão vem aqui fazer algazarra? Quatro aninhos elas vão fazer. Eles não sabem, porém mudo eu sou um tio amantíssimo. Parece com meus pais. Corpo de um e os olhos de outro. Significa que não fui achado nem roubado. Desde Moisés, o profeta do Velho Testamento as mães embalavam seus filhos, ainda que para serem entregues à propria sorte. Hoje, no século XXI, no Brasil, para as mães que vivem abaixo da linha-da-miséria continua sendo tão difícil e doloroso e vergoso, eu suponho, que jogar no lixo é mais fácil. Quando, em pleno século XXI, é tão fácil entregar para a Assistência Social (que, vá lá, também tem seus problemas, de burocrática à existencial) e nem serão julagadas por isso. Talvez pelas suas consciências. Mas esse é uma questão pessoal e subjetiva. O espinho na carne.



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segunda-feira, janeiro 30, 2017

Papel picado



Segunda-feira é uma merda. Eu quero fazer tudo ao mesmo tempo e o Tempo não colabora. Colocar em um funil todas as coisas que eu posso fazer até domingo, e assim recomeçar outra semana. Acho que, de repente quero engolir o mundo. Reciclar as sobras orgânicas. Fazer o manejo dos resíduos tóxicos. Transformar. Recomeçar então, não só outro dia, outro mês, outro ano - mas outra mesma vida, do pó ao pó. 

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Procurando a saída de emergêcia

a marcha do divino



Quão importante é hora de sair às ruas
deixar a marcha ruir a tribuna.
Dar lugar aos jovens,
embora metade da vida haja por vir.
.
Com isso deve haver um monte de energia
de deixar tristes juízos de sussurro.
Ir, desde de então não se condena
a morte daqueles que adorávamos ontem.
.
E só compreender o adversário,
rasgando as sapatilhas da sorte,
Aquilo sim, foi uma grande vitória
uma saída inesperada.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Máquina dentro imediata


Descobre nele o afogo. Meu quarto está escuro, sem lâmpada. Acabamos de nos mudar. Já fazem duas semanas. Uso a luz do abajur durante o dia. Incapaz, agora dentro ainda, de disfarçar que daquela bomba motor coração, outra linguaguem. Que, sem nenhum coração, vive a esgotar gota a gota, o que o homem possa ter na última poça. Nem sei que horas escrever e sobre qual assunto. Penso que é o meu pequeno jeito de desafogar as angústias. As impressões tornam-se angústias temporárias se não as registro... Ouro Preto, Festival de Inverno - eu tinha dezoito anos. Vamos jantar. O lugar, Rua do Rosário 47, Largo do Rosário. A entrada é discreta. O interior supreende. Pergunto a quem veio nos atender "Você gostaria de nós indicar uma mesa?". Somos vários, porém discretos e acanhados. Imediatamente, após uma ligeira contagem com os olhos, ele nos conduz à mesa. Situada no piso inferior da taberna, disposta abaixo de três lances de escada. Apesar de tudo tínhamos uma visão privilegiada do ambiente em geral. Visto que abaixo de nós só os ratos. Víamos no segundo piso, uma espécie de mesanino de pedra, as pessoas, silencioas, comerem e beberem seu bom vinho. E mais acima noutro mesanino ainda menor, transformado numa espécie de palco, tocava um trio de sonatas e medieval. Novamente não sabíamos se era permitido cair na gargalhada e tentar fingir que falávamos de nós mesmos... Por isso nem tentamos. Comemos e bebemos com o riso torto. Depois que saimos bebemos umas poucas e boas garrafas de vinho, já de riso solto nos misturamos com o povo. Ouvimos jazz até o amanhecer. Quando o dia clareou éramos poucos no bar de grego que conhecemos. Tomando drinks coloridos em pequeninos copos... ygeía! O grego era uma peça e o bar dele parecia um atiquiário, uma volta ao passado. A esposa dele, uma brasileira que viveu com ele mais de dez anos na Grécia, e muitos olhos gregos e muita tradição e muita mistura de tudo que há.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

My opinions




Minhas coisas e minhas opiniões estão espalhadas. Como minhas lembranças, cada vez mais distantes, cada vez mais vagas. Acho que vou fugir pegando carona pelas rodovias. Vou gravar uma daquelas medalhas com tipo sanguíneo etc. Talvez o telefone porque quero que enterrem meus ossos. Mas no bolso vou andar sempre com um bilhete dizendo "Peço que deixem a carne apodecer antes de entrar em contato com esse número. Meu pai me expulsou de casa, pois engravidei e tive um filho com sua amante. Foi quando minha mãe voltou para casa com meus outros três irmãos de sangue. Foi aí que chamei minha namorada para fugir, que depois descobri, era minha irmã.
Então, por favor, quem estiver lendo - deixe isso pra lá.
Obrigado,
O morto
ps.: e meu pai nunca pensou em me contar que ela era minha irmã...

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Dez vezes mais vitamina C


do que uma laranja!
Ando tomando muito limão. Voltei. O problema é esse sol. Incessante. De oito em diante. Moro num país tropical. Mas a questão do limão, muito particular, é executar o preparo alí mesmo no sol. Bem, há que se portar um objeto cortante. Eu disse "particular" porque no caso eu prefiro um "chuccho" afiado dos dois lados para cortar o limão, de preferêmcia ciciliano. Ah... Ia esquecendo-me de outras delícias como a lima da Pérsia, com seu gosto aveludado de noivinha branca embriagada. Assaz, as particularidades do aroma das fibras dos cítricos me enebriam. Então, uma ou duas fatias de gengibre borbulhante. Guarde o gengibre no bolso. Não é limonada, é remédio. É arma de benzê. Usar com cautela as propriedades xamanísticas. Nunca perder o expremedor de limão. Usar ou não peneira para coar o limão? Questão ética...

sábado, janeiro 07, 2017



Estou molhando o bonsai, apesar de que, acho que vem chuva. Mesmo assim termino a tarefa.. Aos poucos volto a me reencontrar. Pressinto, quando não estou pensando nada, e sinto como num calafrio subconsciênte que volto a ser interessante. Há um caminho muito longo e ainda não vejo isso. Existe a distância. Existe o ócio, embora a Vontade de fazer, vontade de poder fazer. O Tempo não tem compromisso com a ordem, senão com a fluidez. O Tempo é fluido, o Tempo é caos. Mas não é o Tempo que me trouxe aqui. Entender o que me trouxe até aqui também faz parte do enigma. Aqui é uma casa que era usada como casa de lazer nos fins de semana, férias, etc., e que estava abandonada desde dois mil e treze. Desde o ano que começou a crise. Desde o ano irrompeu meu desespero, que por nenhuma coincidência, também era um jogo onde pensei que eu era uma bomba. Então o deserto, o vazio, o passado, o vazio, começar de novo o impossível... 

mutantis mutatis


Terça-feira, dia dois de janeiro de dois mil e dezesete.
Somente hoje conseguimos nos mudar. É tão difícil movimentar os objetos depois que eles parecem estar em seus devidos lugares. A geladeira na cozinha, o fogão, etc. Sinceramente, eu não contribuí em muito nessa mudança. Ontem, na minha cabeça, fiz um prato fácil, uma receita em três passos. Passo um, dois, três e pronto. Tudo pronto. Simples assim. Por isso dormi até as onze. Tardei até dar o primeiro passo. Mas quem dá o primeiro passo tem que dar o segundo, pra não desequilibrar. E por isso, aqui estou. Plantando ideias para um dia, um, mês, quem sabe um ano. Sonhar é muito bom. Fazer tornar realidade, melhor ainda. Dormindo eu sonho. É uma solução. Sonhos, estados alterados de consciência... Vou criar peixes nesse lugar.