domingo, fevereiro 12, 2017

vorra da manhã




Sou um homem metódico. Cheio de velhos sistemas. Embora randômicos, que seja. Alguns não envelhecem, mesmo com a passagem dos anos. Os próprios da natureza humana, um tanto animal. O método mais antigo que tenho às mãos é essa estranha de linguagem. A única que me tem dado usar. Então eu flutuva no sonho, rumo ao deserto, livre como as figuras flutuantes de Chagal. Meu medo, ainda sonolento, era pousar em um cactus. Aconteceu de estar agora aqui nesse minuto e não lembrar-me como foi o pouso. Sei que, passado o Natal e Ano Novo, enfim chegamos nessa casa. Ouvi dizer que ela era habitada por um montão de gatos. No dia da mudança ainda avistamos alguns. Deixando sua saudosa maloca, maloca querida... Bem, depois de alguns dias morando aqui um miado, e repetidamente o mesmo miado. Era um filhote de gato, branco com pintas nas costas e olhos verdes. Dei comida e ele veio, parou de miar. Depois, pelo jeito de andar, descobri que era uma fêmea. Consegui, ainda não sei como, adquirir sua cofiança. Ela veio cada vez mais perto e pude acarrinhá-la. Acho que, de fato ela não queria apenas leite e nós dois queríamos isso. Esse instante emocionante de carinho mútuo. Cada um na sua. Agora ela se sente livre, e eu me sinto livre também. E o sol lá fora. Quanta solidão...

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