sábado, março 18, 2017

metà di un passato



Metade de um passado

Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou
          Caio Fernando Abreu
 
Cara, desde que a gata chegou, no domingo, eu não paro de tremer. Díficil não imaginar alguma relação de stress ligado à ela, mas acho que não. Não ao ponto de tremer tanto assim. Meu corpo inteiro treme por dentro, como se eu estivesse sofrendo de uma leve abstinência de rivotril. Mas tudo bem... Apesar da citação, hoje é sexta-feira e agora eu estou na cama, despreocupado e desocupado. (Passa um tempo. Claro, estou escrevendo esse texto desde ontem, em pensamento). Porra! Já é sábado e o tempo corre enquanto minhas pernas doem e não consigo fazer contato humano. Estou doente. Envenenado das pessoas e do mundo. Converso com a gata. Fala com ela "Pipa, tô desesperado". Que bobagem os gatos não falam. Eles miam. Ela me olha, eu olho pro teto... com impressão de quem já esqueceu. A dor passa, a cicatriz fica. Em dias de chuva ou de sol minhas pernas, horizonte à frente.

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