quarta-feira, abril 12, 2017

carta pro amigo Teo, que se foi

meu pequeno caos em manchas de café

This isn't happyness
Isso não é felicidade. Um dia eu soube o que era, ou talvez pensei que fosse. Mas isso não é felicidade. Não, não. Na-na-nina-não. Não sei se sei mais escrever, e isso não é o início de uma pro e contra argungentação. Não tenho mais tempo pra isso. Nas verdades, nunca soube escrever. Digo isso não para me rebaixar, mas para exclarecer. Minhas palavras sempre foram repetição. É que faz um ms que tenho dormido ao inverso, trocando meu sono. No começo causa um tremendo incômodo. Acho que tenho quase certeza que foi a chegada tão esperada do pequeno felino. Ela é um animal de hábitos noturnos, despido de vergonha sobre qualquer ética ou moral quanto encolher-se num canto e dormir durante o dia todo todo. Umas oito, nove horas seguidas. Com breves intervalos apenas para comer e usar a caixa de areia sabe-pra-que. Mas vida de gato não é mole, não. Não é não. Lá pelas duas e dezoito eles acordam e se embrenham na escuridão procurando o que fazer. O meu medo é que depois de meia hora de silêncio, eles sempre encontram. Alguma coisa cria a ilusão de movimento. Ilusão de movimento como eu mesmo existo nesse momento. Um reflexo da sombra da escuridão. Algo ainda se move. Algo silencioso que faz silencioso ruído. Algo que disperso, diluído. Algo que interfere, fere. A medida que se perde. E a medida que se perde é o único sinal de que existiu, simbólicamente. Na minha fé, na vida, daqui pra frente. Tanto quanto como novamente, quanto? Nunca. Volto a viver comum gato no telhado.
Saio no escuro
Sem ser notado
Faço um telecópio improvisado
Miles Davis ao meu lado
L ua cheia passos de felino
c éu estrelado
Nada mais
Nada mais óbvio que o sarcasmo

Emmauel,
seu gato endiabrado

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