domingo, abril 16, 2017

e agora você cria



E depois das palaras, o que me resta a dizer? O sol lá fora engolindo menos uns dias que passam sem contar, sem contar pra ninguém que eu ainda existo. Mesmo no autoexílio que acham conveniente chamar "zona de conforto" sinto-me mesmo morto. Será sempre assim? é o que já foi e nada será. O futuro não existe e nada será o vir-a-ser. O passado é matéria inexistente, que deveria viver apenas em nossa memória mais bela, selecionando momentos bons e afastando o pensamento de lembranças ruins. O que descobri é que, sem razão, pelo fato de sobreviver, querer viver como um cavalo da instrução, da instituição, essa vontade de "querer o nada" faz crescer em mim a vontade diametralmente contrária de "nada querer". Nada é além do dia de hoje. Nada será, pois tudo já foi. Nada esperar além de agradecer. O pão nosso de cada dia. Um Pai Nosso, uma Ave Maria. Vou dormir pensando em justiça. Leva um tempo ainda para que eu possa atingir uma região que me causa muito prazer também. Em termos de amizade e lazer. Até lá, só o tempo, que por sua vez, em sua lentidão e outras mazelas na vida de um homem ordinário, tem apenas a qualidade de "zona de conflito" quando pouco. Na maior parte disso tento não prestar muita atenção. Senão minha produtividade mental desanda numa dose espantosa. E uma dose de café por volta de três me levanta, e você? o que está fazendo agora? Esse disco do Pink Floyd nos acompanha desde os anos 1980 sem um arranhão. Já é a segunda vez que eu escuto consecutivamente. Não tenho nada a dizer, senão deixar um abraço apertado para aqueles amigos que sumiram e que ainda lembro e que ainda gostaria que, de algum modo,  estivessem presentes na agora minha vida.

"Você grita, mas niguém parece ouvir"

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