quarta-feira, março 22, 2017

63 mistérios



63 mistérios


Que saudade repleta de sentido. Criando atividades para reduzir a lista de saudades. A janela que emoldura a paisagem. Ladrão de entardeceres, de tons bucólicos que dão cor à tristeza. E a noite revela seus segredos. Escrevo apenas o que me aquece o peito e nunca pede licença pra ir sair. Deixa-me e vai embora.
Sei que, ainda sem saber, eu inventei você.

terça-feira, março 21, 2017

diálogos




Noite sem Luar


Parece seresta. Abre o link, sua besta. Abrir o link parece coisa de besta. Melhor mesmo seria não dizer nada... e fico por aqui. Bons sonhos, cachorro de quartzo. A primeira vez que fui ao Cipó, uma menina discutiu comigo quanto a isso. Bateu pezinho no chão, fechou o bico, disse que não. Que você tem menina? Nesse tempo eu já caminhava, observava o tempo com frequência, perdi a paciência. Qual seu problema, menina? Problemas de auto estima? Vai lamber sabão. Toda virada de lua, lua cheia, chove.
__ Recebi esse diagnóstico domingo.
__ Qual?
__ Vai lamber sabão.
__ Não entendi essa menina não.

Falando daquele papo nosso, das histórias aí na sua casa, a moral da história está clara, limpa.

__ Pareceu que ela só precisava de um motivo qualquer para ser agressiva.
__ Me identifico com ela.
__ Pessoas se afastam... você já fez alguma coisa pelo mundo?
__Orgias. Quanta água você já bebeu?
__ Pensou demais... Muita.
__ Sim. É porque sexo com  as estrelas é bem banal.
__ Putz, mas numa piscina vazia tudo eh performance, não é? Cantar, etc.
__ Se tudo é tudo nada é nada?
__ Tudo é nada.
__ Então não tem entrada ou saída? é bem fluido... mas tem uma onda superviver.
__ Não existe começo nem fim. Por isso,  pra que entrada?
__ Uma suspensão alta de consciência, e você pilota e bate nas cordilheiras.
__ Ou passa por cima...
__ Algo sempre se quebra.
__ Sempre.
__ Subiu tem que descer.
__ Sempre é igual a nunca. Aquele que se eleva, certa vez conheceu as profundesas. O fundo não conhece a superfície.
__ A liberdade não habita superfície. O trágico só me faz ver que as plantas simplesmente crescem.
__ O trágico não existe. O universo só reconhece o positivo.
__ Experimente viajar no tempo.
__ O universo só reconhece o positivo. As plantas crescem, morrem, renascem. É o ciclo.
__ Não adianta chorar...
__ Nada permanece, porém, somos eternos. O universo é uma trama atemporal, sem antes nem depois
 (quando meu pai morrer vou transforma-lo numa samambaia)
__ Principalmente se você dançar.
Viemos do Uno e nos apegamos ao Uno - eu, eu, eu. Esquecemos o tamanho do mundo. Então,o budismo diz que viemos do Uno, mas devemos tentar nos ligar ao Todo. Solidão é o mal da pos-modernidade. Forma da harmonia, estou centrada e bebo a água do mundo lençol de solteiro
afogando igual a Virgínia
Wolf
estepe no peito dxs pox pós

sábado, março 18, 2017

metà di un passato



Metade de um passado

Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou
          Caio Fernando Abreu
 
Cara, desde que a gata chegou, no domingo, eu não paro de tremer. Díficil não imaginar alguma relação de stress ligado à ela, mas acho que não. Não ao ponto de tremer tanto assim. Meu corpo inteiro treme por dentro, como se eu estivesse sofrendo de uma leve abstinência de rivotril. Mas tudo bem... Apesar da citação, hoje é sexta-feira e agora eu estou na cama, despreocupado e desocupado. (Passa um tempo. Claro, estou escrevendo esse texto desde ontem, em pensamento). Porra! Já é sábado e o tempo corre enquanto minhas pernas doem e não consigo fazer contato humano. Estou doente. Envenenado das pessoas e do mundo. Converso com a gata. Fala com ela "Pipa, tô desesperado". Que bobagem os gatos não falam. Eles miam. Ela me olha, eu olho pro teto... com impressão de quem já esqueceu. A dor passa, a cicatriz fica. Em dias de chuva ou de sol minhas pernas, horizonte à frente.

quinta-feira, março 16, 2017


poesia de mulher poesia



Estou em guarda! Ergue o peito e ataca!
Thaís Weick

Ejaculaçoes de 13 de Fevereiro

Cada linha escrita toca o coração
as palavras marejam os olhos da esperança
o sangue flui por entre as coronárias com a
visão do espanto acontecido
o corpo bambo pelo toque de ontem
flutua na mente
a ilusão difusa por más interpretações
arco-íris no céu
colorem pálio cintilante do entardecer
Para quê e Por que?
Nunca se explicam.
Também não se explicam as coisas que nunca vamos saber.
Mas depois de diversas tentativas,
talvez por uma incrível emoção,
deleites femininos descem envolvendo o corpo
de forma natural e bruta
à sensação do ápice da paixão.
alívio e delírio.
Doce solidão.

terça-feira, março 14, 2017

ရုပ်ဆိုးသောနေ့ရက်



Nesse dia feio

Abro essa página em branco todos os dias, mas parece que sempre não é a hora de escrever. Sempre, depois de cada noite, quando a madrugada se avizinha, faço um resumo do meu dia. Quero fazer minhas mandingas, mas sinto que há muito tempo para perpetuar meu tesouro. Penso em desenhar, mas minha cabeça é fugaz. Nesses dias, eu durmo em suspensão. E aquilo que passou através dos meus olhos, se esvai no esquecimento. Estou ao longo do meio de um caminho que desejo viver por inteiro. Até o fim.
Ontem meus queridos amigos estiveram aqui. Dormi durante a tarde antes de recebê-los, e quando eu vi eles já estavam aqui. Dormi um sono profundo e quando eles chegaram eu já estava bem desperto. São amigos que atuaram no último ato da minha vida social. Antes de auto decretar minha morte. Não, não. De forma alguma. Não que eu não goste das pessoas. Sou apaixonado pela humanidade, nossas maldades, nossas vilezas e traições. Tange a mim sofré-las. Não quero ser universal.

sábado, março 11, 2017

O amor é um monólogo que se vive na sombra





Então eu me senti sozinho.

Sozinho na festa.

Se ninguém ama,

odeia ou detesta.

Dava pra fazer um cursinho.

Te como é star só,

sozinho, sozinho.


.

quinta-feira, março 09, 2017

fogo amigo



O fato é que meus sentimentos desencontrados não encontram coragem para viver. Essa é a palavra - coragem. Mas pode ser "fé" ou "necessidade". A palavra tenta representar mas não consegue. Como conter o choro, quando ele vem? Como quando as margens do rio se estreitam e águas passam pela

garganta

m falta

tanta



transcendental

quarta-feira, março 08, 2017

inacabado




E chorei profundamente porque ninguém me perguntou a dor que eu senti. A dor que eu senti quando percebi em seu tom de voz que ia ser deixado a esmo. Desde que tentei morrer, essa foi uma segunda morte, pois tive que viver com aquilo - a frustração, a rejeição, um quillo de adjetivos pejorativos. Viver em silêncio. Viver envergonhado de mim mesmo. Andando entre trevas.
Acordo sufocado pela escuridão, procurando um cigarro...

terça-feira, março 07, 2017

Fragmento de um caderno de notas

Por delicadeza perdi minha vida
Arthur Rimbaud





Dia 12 de Dezembro de 2014. Clínica de recuperação.
 

Amei apaixonadamente. Alma de alguém outro universo. Uma paixão estranha me atingiu como um relâmpago eu não imaginava que seria uma paixão inconsequente. A primeira noite, nos amamos com serenidade e lentidão. Aprendendo... aprendendo caminhos como se tivéssemos todo o tempo do mundo para realizar tal trajeto. O que aconteceu de novo para ela e para mim? Não sei, mas gosto de pensar que estávamos destinados a nos encontrar, a nos descobrir e a nos amar. Mesmo que agíssemos como dois bichinhos estabanados. Talvez será sido o fato de navegarmos entre duas correntes igualmente poderosas, a paixão e a ternura. Eu me surpreendi com os olhos raso de lágrimas, suavizadas por esse afeto súbito, acariciando-a cheio de calma e gratidão. Senti que esse amor seria capaz de nos renovar, de devolver alguma inocência, lavar o passado e iluminar aspectos obscuros de nossas vidas. O coração insinuou que essa timidez inexplicável me agradava muito. Acho que do amor, perdi quase todas as batalhas, mas, por alguns mundos onde naveguei, milagrosamente continuo vivo.

domingo, março 05, 2017

Keep calm, cup cake







A noite insone de sábado de um homem. É muito mais difpicil matar um fantasma do que matar a realidade. Eu não sabia que passaria 2013 sozinho, e 2012 passei o natal sozinho, e você foi conhecer o mar e eu fiquei por lá, e por lá eu fiquei catando conchinha, no últmo andar, vista pra favela. Conchinhas do mar, só que dentro de um vaso. E cada conchinha tinha uma cor diferente e lembrava que cada conchinha que apanhei no mar não tinha o menor significado, mas eu estava lá, levando as conchinhas pro meu quarto, uma por uma. Agora elas passavam por meu crivo estético, furo por furo, simetria, tamanho, azul turqueza, verde, lilás. 

inacabado...

quinta-feira, março 02, 2017

caguei



Quando eu era criança aprendi a brincar sozinho


Estou distante... Essa vida idílica não é exatamente o que parece. Mas é inédita, e abriu minha mente. Como se antes eu caminhasse na escuridão, sentindo-me frágil e ameaçado. Não sei dizer antes de quê ou por quê. Se mergulhei muito fundo durante a militância na adicção ativa. Antes de perder tudo e transformar-me em uma moeda de cinco centavos. Perder o sentido da vida. Esperança, sonhos, ilusões. Abri minha pequena caixa de Pandora.
Trepei com todas as dualidades. Dias e noites clamanddo a sua-presença-morena. O tempo e a natureza cobraram seus direitos. Tomei o volante e pisei fundo ao precipício. Neófito da não-ideologia, portanto. Foda-se.