domingo, junho 24, 2007

A imagem moderma


Por trás do espetáculo: o poder das imagens
de Francis Wolf

A imagem torna presente o que não está presente. O homem tem a capacidade de anular a distância temporal. Para isso dispõe de imagens que fazem (imaginação) ou que ele mesmo produz (técnica). Uma lembrança é um indício de uma pessoa. Um retrato é a imagem de uma pessoa. Se pronuncio seu nome (linguagem) é um símbolo daquela pessoa. Os indícios são sinais que remetem naturalmente à coisa ausente porque são elementos isolados que pertencem à essa coisa. Enquanto imagens são representantes da coisa ausente e estão em relação de similitude e semelhança com ela.
O sistema sonoro facilita a troca de uns pelos outros (pensamentos). O sistema visual facilita a representação coletiva. Uma imagem é suficiente por si mesma. A palavra jamais o é. O que explica o poder de captação da imagem sobre o homem não são suas virtudes e sim, seus defeitos.
A imagem ignora o conceito. Ela é racional. No entanto o que ela mostra nada pode dizer. Ela conhece apenas uma maneira de faze-lo: a afirmação. A imagem ignora a negação. O defeito da imagem tem uma contrapartida positiva. Se ela não pode dizer nada, ela diz melhor o "é". Dizer "isto não é um cachimbo" (texto do pintor René Magritte) é dizer com o texto o que a imagem não pode dizer por si, pois a imagem não pode dizer a negação, como também não pode dizer dela mesma que é uma imagem e que não é portanto o que ela mostra.
A imagem conhece só um modo gramatical: o indicativo. Ela ignora a nuances do subjuntivo ou do condicional. "É", jamais "se ou "talvez", defeito do qual ela ainda tira forças. "É isso, é exatamente isso". As mais finas argumentações podem ser refutadas mas nada podem contra a prova da imagem.
A imagem está sempre no presente. Ela ignora passado e futuro. Platão diz que freqüentemente criticamos a ilusão (portanto, a imagem). O homem confunde a imagem com a realidade.
Durante a história antiga e medieval, as imagens sacras em transparentes porque eram potentes. Acreditava-se na personificação da imagem. Acreditava-se na representação do real com real. Houve um dia em que essas imagens começaram a ser visíveis, começaram a ficar um pouco opacas, começaram a se mostrar elas mesmas. É o nascimento da arte. O momento em que as imagens se tornam artísticas, a arte se apoderou das imagens.
No começo do século XX a arte abandonará as imagens, deixaram de ser inteiramente transparentes, mostraram-se elas mesmas. Tornaram-se mais opacas na forma de reconhecer um determinado autor, de como ela foi feita, etc. Uma imagem opaca ao mesmo tempo em que mostra alguma coisa, mostra-se a si mesma. Uma imagem é opaca se não apenas representa alguma coisa, mas se representa a si mesma como imagem, quer dizer, como representante; se enquanto ela mostra aquilo que representa, mostra que ela representa determinada coisa. "o próprio autor dessa presença está ele mesmo presente na imagem"
Imagem 1. Reprodução do teto da Capela Sistina
Para ilustrar a fase de transição da transparência total para o início da opacidade. A prática da perspectiva, perspectiva geométrica.
Imagem 2. Reportagem retirada de uma revista alemã.
Serve para ilustrar que a imagem sozinha é nula de conceito, ela é irracional. Ela somente afirma, porém nada pode dizer.

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