domingo, janeiro 20, 2019

Picadinho de moela




Há tempo sem tempos. Tempo de nada. Minha barba cresce. Sim, lentamente ela continua crescendo. Eu, lento em movimento. A bactéria vive quinze segundos. A tartaruga vive duzentos anos. Ambos são vida. E você? O que vai fazer da sua? 





quarta-feira, janeiro 09, 2019

Brisa de amor sincero


Chega uma hora que nenhum ser humano aguenta. Se comparados a um planeta, erupções internas acontecem. Uma erupção vulcânica em um lugar que só a gente conhece. Desespero e a solidão procuram cama, procuram calor e o conforto de útero, aquele abraço que não recebeu, o beijo que se perdeu e os sorrisos, brisa de amor sincero... A lágrima escorre como lava e aquece o coração. Então, aos poucos, a erupção se acalma, e a alma também.

segunda-feira, dezembro 24, 2018

É assim que eu vivo a vida



Então, percebo a minha participação na vida daqueles que me cercam, e espero. Mais um pouco. Espero mais um pouco... Paciência. Mais tempo de reflexão, dia após dia. Não adianta correr, aliás nem tentar. O amigo me diz “Faz a barba, acorda cedo e sai de por em porta procurando emprego.” Fazer a barba tem que ser relativo ao ganho, não acha? Detesto raspar a barba. Tenho um espírito iluminista que ainda não entendeu a Revolução Industrial. Ou não quer entender. Coisas que me parecem um tipo de ditadura do relógio. Horário de almoço, hora de acordar e de dormir. Adoro a noite. O silêncio e a paz que ela nos traz. Minhas boas ideias surgem à noite. Nesse momento troquei as palavras pelas plantas. Já fiz barba com trinta e tantas pessoas, um espelho e dois baldes d’água. Faz a barba você, nêgo. Me deixa.

 G.

domingo, outubro 28, 2018

Madrugada de domingo

enquanto isso, em Tóquio... os chinelinhos andam juntos



Vendo essas manifestações nas ruas e toda essa gente sorrindo eu não sei se “é uma pena” eu não morar mais na cidade, sabe. Agora moro num lugar que é próximo, apesar da distância, mas é que eu sempre morei no coração da metrópole, no olho do furacão. Tem sido um tempo de reflexão com certeza. A solidão, o isolamento... o frio que faz aqui me leva a falar menos, pensar mais. Aliás, falar com quem? Afinal, esses são fatores propícios – a solidão, 
o clima, o isolamento – que me fazem mais introspectivo. Onde isso leva? Não sei. Vou tomar um copo de leite e dormir.

sábado, outubro 20, 2018

Quando tudo começa


Quando tudo começa assim

Certo dia, certa hora, certo lugar, certo alguém. Tudo parece estar certo. Depois uma avalanche de sentimentos. Fatos vão mudar a sua vida. Você nunca mais será o mesmo. Antes da experiência você não se dá conta disso, desse enredo de novela. Até que um dia tudo, enfim. Ah, insensatez... admitir algo indizível sobre o próprio fracasso. Triste melancolia da memória de dias felizes e a ausência deles. A onipotência do delírio contra a onipotência de uma estrutura real.

__ Rosa, as crianças estão brincando lá fora.



sexta-feira, outubro 05, 2018

é assim que eu me sinto


Existencial... reticente...
Eu também já tive uma máquina de escrever. E também fiz o melhor que pude para não ser mais uma vítima do canto da sereia e sua lira rude. Até um dia descobrir um sociólogo americano descrever o perfil de jovens americanos que gostam de poetas americanos da geração beat e ouvem jazz no volume máximo. Depois de ler esse idiota passei a odiar o conceito de generalismo. “Em geral” pode-se tudo e isso é um absurdo. Cada um tem suas particularidades e modos. Eu também gosto dos beats e adoro o jazz americano. Se eu não me amo ainda assim posso amar meus pais, não posso? Ou senão “não estaria fazendo isso comigo mesmo”. Paraísos artificiais. Um homem decide se isolar numa casa na montanha, para pintar e fumar ópio. Ele não prejudicava ninguém, só a si mesmo. Eu já fiz isso. Já me isolei na torre de um castelo e fazia mal a mim mesmo. Um mal de fato, compreende? Mas sempre amei os meus pais. Acreditar nesse silogismo aristotélico é ridículo.
Hoje eu me amo. Amo meus pais. Nunca deixei de ama-los. Sempre é igual a nunca. Nada é igual a tudo. A humanidade sempre foi fascinantemente cruel e patética, na mesma linha.
Como votar nessa eleição presidencial?
Brasil, 2018. Preferiria não fazê-lo...

segunda-feira, outubro 01, 2018





Nota de falecimento, ou,
Um dia incomum

As pessoas da família do meu pai são estranhas até na hora da morte. Alguém morre, uma já esperada morte. Então “que seja breve”, e foi. Não digam que sou insensível, ou indiferente ao caso. Muito pelo contrário. Embora a novela das oito esteja prendendo minha atenção mais do que o texto. Nessas ilhas isoladas que vivemos. Essas ilhas isoladas que somos, só prestamos atenção em nós mesmos. A morte em si é um fato isolado que foge do contexto. A “morte” (difícil falar essa palavra hoje) – esse desfecho final, tragédia maior da vida, simplesmente foge do contexto. A cena promove o encontro, e esse encontro ressalta as diferenças. As diferenças deflagram melindres e assim por diante. Então agora as diferenças convergem até ficar tudo igual. Tudo igual como antes, na vida. Somos como somos.

Por enquanto...

domingo, setembro 23, 2018

Meu último eu


Meu último eu 



Sim. Um dos múltiplos de moi. Talvez nem seja último, talvez nem seja eu mesmo. Impressões voláteis e perenes. Sabedorias vãs, obras do acaso, Deus. Cabeça de boi sonorizada que diz “Eu = Eu”, a roda dos esquemas. Fios retráteis em contato com a “realidade”, esse riacho pouco profundo. Eu, Deus, mundo. As três ilusões de transcendência. Meu corpo sem órgãos, meu momento. Meu devir animal, besta-fera. Com os nervos nas mãos, escolho a informação. E a coleção de peças usadas pelo Michael, sucesso na Rodésia e na Guiné-Equatorial.
Meu time perdeu.