domingo, abril 17, 2011

Spleen





visualização Flickr



Tarde de domingo
Sou eu quem flerta com a lua
ou ela que bole comigo?

....

Wim Wenders

Omega3

Eu nem te conheço direito. Eu também não. Você não “se” conhece direito, ou não “me” conhece direito? Os dois. Ahm... Não sei o que você espera da Vida daqui a um dia, daqui à uma hora, meia hora. Espero ir pra casa. Não sei o que você espera do comportamento de dois em um relacionamento, não sei o quê você... Não sei nada de você, quem é você, qual sua relação com sua mãe, com seus irmãos e, principalmente, com seu pai. Teria que te analisar, mas eu não tenho gabarito pra isso. Você tá me ouvindo? Esse álbum do Coltrane é bom, né? Além do que, precisaria do seu nada-consta na polícia federal, facebook, twitter, uma junta médica pra te avaliar...

sábado, abril 16, 2011

Um pé de tênis velho





O silicone não tem a mesma consistência da carne humana. Estou reservando um lugar na cabeça, palco do novo lar. Cortejo festivo de open house. Furtivos serão os desejos que ficarão aqui. Furtivas serão as auguras. Começo a vislumbrar o simples e grandioso arranjo de todas as coisas. Essas que sairão que ficarão que morrerão a circular as artérias da vida que somos cobaia. Minha letra ficou mais bonita, meus traços estão mais firmes. Um pé de tênis velho traçando os mesmos velhos lugares. A sorte me pegou nessa vida. A busca da verdade ainda divide opiniões. Em menos de um mês estaremos desacastelados. Não há cascos de navio boiando na superfície do mar, não há evidências de naufrágio. Pelo contrário, cada minuto de remição parece uma eternidade de paz. Creio que é assim que se provome uma mudança. Jogando fora tudo aquilo que não serve mais pra nada. Livrando-se do exesso de coisas que caracterizam a síndrome de um compulsivo obsessivo. Um bando de ferro-velho, coqueiro, cadeira de piscina, sofá, mesa, movél. Uma eternidade de coisas dos quatro filhos que foram e voltaram algumas vezes. Passei nove anos fora. Meus pés de tênis ficaram velhos. Abeirando a noite adentro e mais escura, se avizinha também meu sono precoce a sonhar com as novas projeções. Minha mãe me disse que sou cigano; minhas coisas já estão arrumadas há dias, semanas. Está difícil encontrar um livro, ou uma cueca. O quarto está cheio de mim, cheio de planos, cheio de quadros, obtusos de realidade e vontade.

vasta madrugada

parte 2

Preciso capinar os campos da sua ignorância




Uma festinha na vizinhança que ouço do banheiro me força a essa vontade que goteja. Na cobertura de um prédio na rua do lado, conversas que atravessam risos que relampejam frases que desafinam silêncios que se confundem música de fundo. Perco-me no parco fim de mim.

sexta-feira, abril 15, 2011


Kodak


Picasso

A arte é uma mentira que nos faz perceber a verdade

. . . . . Pablo...

Nasceu em Málaga (Andaluzia) e recebeu o nome completo de Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santíssima Trinidad Ruiz Picasso, filho de María Picasso y López e José Ruiz Blasco. Em torno do seu nascimento surgiram várias lendas, algumas das quais Picasso se esforçou a promover. Segundo uma delas, Picasso nasceu morto e a parteira dedicou a sua atenção à mãe acamada. Só o médico, Don Salvador, o salvou de uma morte por asfixia soprando-lhe fumo de um charuto na face. O fumo fez com que Picasso começasse a chorar. O seu nascimento no dia 25 de outubro de 1881, às onze e um quatro da noite, seria assim descrito por Picasso aos seus biógrafos, que a publicavam de boa vontade. Roland Penrose, um dos mais conhecidos biógrafos de Picasso, procurou nas suas origens a razão da sua genialidade e da sua abertura à arte, algo natural na compreensão de um gênio. Na geração dos seus pais são vários os vestígios. O seu pai era pintor e desenhista, de bem medíocre talento. Don José, dedicava-se a pintar os pombos que pousavam nos plátanos da Plaza de la Merced, perto da sua casa. Ocasionalmente, pedia ao filho para lhe acabar os quadros. A linhagem paterna possibilitou-se estudar até ao ano de 1841. Da descendência materna pesquisada, Dona María contava entre os antepassados com dois pintores. As feições de Picasso são também semelhantes às da mãe. Os primeiros dez anos de vida de Pablo são passados em Málaga. O salário pequeno do pai como conservador de museu e professor de desenho na Escuela de San Telmo, a custo assegurava o sustento da família. Quando lhe ofereceram uma colocação com melhor remuneração no Instituto Eusébio da Guarda no norte do país, à hesitação sobrepôs-se a necessidade, e junto com a família, don José parte para a Corunha, capital de província à beira do Oceano Atlântico. Os desenhos de infância de Picasso representavam cenas de touradas. Sua primeira obra, preservada, era um óleo sobre madeira, pintada aos oito anos, é chamada O Toureiro. Picasso conservou esse trabalho toda a sua vida, levando-o consigo sempre que mudava de casa. Anos mais tarde pintou outro quadro semelhante, A morte da mulher destacada e fútil. Picasso está zangado e rebelde. Este quadro é claramente uma expressão injuriosa da sua relação com a mulher. A preocupação principal do pai com o pequeno Pablo era o seu aproveitamento escolar, mas nem por isso dispensou a oportunidade de fomentar o talento do filho. Desenhar foi desde cedo a forma mais adequada de Picasso se exprimir e, talvez por isso, secundário. Recusa claramente o ensino usual, e encarrega-se ele próprio da sua formação artística. Com treze anos, e seguindo o modelo do pai, Picasso atingira já a perícia do progenitor (que também não era de grande refinamento). Ao contrário do que apontam algumas listas, Picasso era destro, como se pode ver no célebre documentário The Mystery of Picasso. A família transferiu-se novamente, desta vez a Barcelona, na Primavera de 1895, e a prova de admissão na escola de arte La Lonja é feita com sucesso. Os trabalhos que deveria apresentar ao fim do mês, Pablo apresentava-os ao fim de poucos dias, ao cabo que o seu trabalho se destacava, inclusive, do dos finalistas. Com quatorze anos, Picasso conseguia superar as exigências de uma conceituada academia de arte. Trabalhos acadêmicos, que segundo o próprio, ao cabo de vários anos o assustavam. Os trabalhos que fazia colocavam-no na série de conceituados pintores de Barcelona, como Santiago Rusiñol e Isidro Nonell, e o seu quadro A Primeira Comunhão é exposto na célebre exposição da época na cidade. Apesar de ter optado por uma temática religiosa, este não deixa de ser um acontecimento privado, do plano familiar. Apesar de realista e de satisfazer as exigências acadêmicas, por outro lado a obra acaba por ser uma tentativa de combate ao convencionalismo. Depois de uma estadia em Málaga, em 1897 instala-se em Madrid. Em Madrid, instalado num novo atelier, inscreve-se na mais próspera e conceituada academia de artes espanhola, a Real Academia de Belas-Artes de São Fernando. Constantemente, visita o Museu do Prado, onde copiava os grandes mestres, captava-lhes o estilo e tentava imitá-lo, o que se revelou, por um lado, um avanço, pois desenvolvia capacidade efêmeras, e por outro lado, uma estagnação de um gênio criativo limitado à cópia do trabalho dos históricos, cujas obras também vieram a ser alvo de uma revisitação e reinterpretação de Picasso em fases mais avançadas. Porém, a sua estadia em Madrid é interrompida. No início de Julho daquele ano, Picasso adoece com escarlatina e a recuperação obriga-o a retornar a Barcelona, recolhendo-se logo a seguir com Manuel Pallarés, seu amigo, para a aldeia Horta de Ebro nos Pirinéus. O recolhimento ajudou-o a restabelecer novos e ambiciosos projetos que levou a cabo assim que regressou a Barcelona. Afastara-se da academia e do lar paterno, e procurava abrir-se às inovações da arte espanhola, mantendo-se em contato com os seus representantes mais célebres. O espaço de culta da vanguarda espanhola era o café Els Quatr Gats. Ali conheceu os modernistas e rivalizou com a arte destes, influenciada pela Arte Nova francesa e pelas vanguardas britâncias. Em 1900, nas instalações do mesmo estabelecimento, abre ao público a sua primeira exposição. Entretanto, o desejo de conhecer Paris aumentava ainda mais. Após iniciar como estudante de arte em Madrid, Picasso fez sua primeira viagem a Paris (1900), a capital artística da Europa. Foi um período de extrema pobreza, frio e desespero. Muitos de seus desenhos tiveram que ser utilizados como material combustível para o aquecimento do quarto.





Pensar que se está gozando de um tom de vida eleito para a realidade que seja o bastante, que signifique algo o bastante, que seja antes o mais confiável possível que se dá o direito, é viver.


...

quarta-feira, abril 13, 2011

lapidação interna



Vida que se renova a cada dia. Cada semana, cada cada. Ao limiar de uma fração de segundo a vida muda. A história das personagens muda ao limiar de uma fração de segundo, um olhar lançado em profundidade, embora o caminhão de lixo passe sempre à mesma hora. Não é superficial nem é perfeito, mas é inegável que a sincronicidade dos acontecimentos altera o caminhar de cada madrugada, varrendo os dias e os ventos da tarde.

terça-feira, abril 12, 2011

Diário de um iconoclasta


...e dale Yuri Gagarin!

Vejamos o ar de superiodidade de quem esteve nas esferas mais altas do universo. Queria ter sido eu o primeiro homem a dar a volta (aliás ele deu várias) na órbita da Terra. Entre os vários relatos de avistamentos ele disse:


__ Земля синий (A Terra é azul). . .

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Até agora reina a mansuetude. Não me lembre "mais tarde". "Mais tarde" é um baú de cartas intocado e assim o queremos, por enquanto.


Aquele amplexo,


Gustavo

sexta-feira, abril 08, 2011

o que acaba sendo ou acaba com a cena


O que trouxe de si, o que ficou, o que rememora, o que quero esquecer, o explode, o que esporra no sonho, nos lençóis e na forma. O que se pode, o que se fode, o que não volta mais. O que é mais e maior que o medo, a perda e o esquecimento, uma colcha de retalhos. Pedaços de passado e sonhos de futuro sussurram. Os ruídos diários de surdez dentro do hipertexto burilaram meu espírito. Estou mais calmo, mais dopado de realidade, mais embriagado de concretude. Medíocre de métrica, de rima, de não-rima, de pós-modernidade, de repetição, de surdez, de anestesia, de imbecilização. Mais que Pavarotti, mais que apavorado, mais que epicurista. As readaptações parecem não ter fim. Os re-começos figuram como obstáculos instransponíveis. Não é necessário mais o verbo, pois nada mais me pertence. Tudo apenas "existe" no pensamento. Faço as mandalas ao sol. Novos ventos, ventos de mudança. Sete anos se passaram. Silêncio...

um minuto, por favor...




Sete é um número cabalístico. Sete, oito, treze, vinte e quatro, trinta e três, minha idade. Creio que seja por isso que no momento ocorre uma junção de números cabalísticos coincidentemente irritantemente em minha vida. Haverá fluidez depois disso? Haverá “depois disso”?

quinta-feira, abril 07, 2011

profissão repórter

Pelamordedeus! A vida já não anda fácil e hoje pela manhã deu-se um caso alla “Tiros em Collumby” – um psicopata comete massacre numa escola. Agora vão fazer reportagens com cada mãe, cada pai, cada policial que participou. Vão filmar os resquícios de cada bala que resvalou, juntar os registros que foram filmados em celulares, ouvir o depoimento de testemunhas oculares. E parecerão infindáveis as suítes até que encontrem a mãe do sujeito. Hoje esse blog está de luto, minha cabeça doeu o dia todo e ainda reflito sobre a profissão de jornalista.

quarta-feira, abril 06, 2011

Leitura da novela das oito

Compre a imagem acima!


cinescópio (cine[ma] + -scópio)


s. m.


Câmara cinematográfica que regista as imagens catódicas da televisão, com vista à repetição ulterior de uma emissão em directo!direto.



Sabe o Léo? Aquele que roubou o irmão paraplégico. Dessa, como é?, Pecados Capitais? Pequenos Desajustes? Não, como é? Insensato Coração, claro. Então, o curioso de novela é que eu sempre me identifico com os bad boys de todas as novelas. Cada família em especial (embora me sinta um gangster sem família) tem um personagem bad boy, mexerica podre, mau caráter, mal sucedido, maléfico no imo, “mauzão”, que engana todo mundo, tudo que se move, até a si mesmo. O autor sempre cria um personagem para Judas. Nos anos idos, no dia de Judas, na semana santa, valia de tudo, valia “soltar a porrada”, era dia de briga. Mas vejo um Romeo, um Hamlet ambíguo pós-moderno, um clown de Shakespeare ferido no olho esquerdo. Hoje o Rei Lear está na estrada. Mas poderia ser o rei Laerte, por que não? Em breve mudaremos do bairro Veneza e a casa será demolida. Levaremos a Jaccuzzi.

segunda-feira, abril 04, 2011

Livros que li “só até a página vinte”



Merda! Hoje é segunda-feira,beibe. Guim Tió



O Retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde.


Um diálogo infindável entre um pintor e um lorde inglês que conversam as mais profundas viadagens sobre um boyzinho chamado Dorian Gray, que nunca morre. Em contrapartida não pude parar de ler DeProfundis - uma longa carta escrita na prisão. Numa época em que li uma série de autobiografias, essa, considerada uma espécie de autobiografia, Oscar eleva sua obra. Santifica Bosie, seu amante, pela purificação de tantos pecados, os caprichos mais exóticos, e odeia no parágrafo seguinte. Odeia a si mesmo. Escancara a fraqueza humana e a revolta por isso.


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A Metamorfose e O Processo de Kafka.


Desnecessário fazer a sinopse, né? Apesar de que ser um tanto clichê não conseguir terminar de ler Kafka. Franz nasceu em Praga, Áustria-Hungria (atual República Checa). Franz usou estruturas entediantes de prolongar a dor que entraram para a história da literatura.. . .


O Mundo de Sofia. Não me lembro o nome do autor.


Fiquei bem confuso. Melhor fazer um curso de filosofia. Vou ver a novela...

succia il mio culo

Tá fácil não, neguinha, tá fácil não. Um homem ficou não-sei-quantos meses em sua cúpula no sopé da montanha, perto de um lugarejo e deduziu “penso ‘e’ por não poder duvidar que penso, logo existo” e com isso fundou a filosofia moderna. Deleuze diz apenas que o icognicivel Rizoma é apenas o “e” do postulado Cartesiano, a água que corre mais rápido no meio do rio, o gengibre que cresce caoticamente ordenado [pequena pausa para dizer que o corretor ortográfico windows é semi-analfabeto] A indústria das telenovelas engole sem mastigar. A estréia do próximo ano, a estréia do próximo segundo e do mesmo velho mundo entediande de coisas novas. Segundo um sujeito chamado Giovanni Sartori “o ato de telever transforma antropogenéticamente a natureza humana”. Todo esse blábláblá filosófico é apenas para chegar ao ponto. Chega logo ao ponto, cara. Resume! Escrevo e cocho os pelos do nariz ao mesmo tempo. A televisão além de tudo ainda muda meu DNA? Jaques Derrida diz “O animal que logo sou” parodiando Descartes e diz que somos animais auto-biográficos. Alice se perturba por não poder se comunicar com sua gata, Dinah. "Se ao menos pudesse saber a diferença entre os opostos sim-e-não, entre miar e ronronar..." ela questiona. Então, no País das Maravilhas, pergunta ao gato a diferença entre miar ronronar e o gato responde que pouco importa, não interessa ao animal nomear. Remete ao exercício linguístico, ao animal que se autobiografa. Remete também a um belo foda-se! pois consorciar todas as delicadezas acadêmicas, no fim, somente pra vender livro de capa bonitinha? - diria Adorno. A sociologia estuda as Sociedades Modernas Desenvolvidas pós Revolução Industrial e pós Revolução Francesa, sendo que nem sei por que nem como se deu a Queda da Bastilha. Os franceses sempre loucos, ecléticos e anárquicos, o senso inconsequente de querer ser o que quiser. Já os espanhóis, foram ancestralmente fudidos pelos judeus, árabes e reis católicos soberanos na miscelânea peninsulo-ibérica. Francamente, não tiveram liberdade de expressão, criaram o surrealismo e foram pra França. Eu que fui banido, que vivo no ostracismo e esquecimento. Parei de tomar café, parei de mastigar comprimidos, de respirar e de viver. Parei de acordar e dormir e domar meus sentimentos, e o que a Indústria fez comigo? Nada. Quem fez foi eu, réu-confesso, mesmo que anestesiadamente. Dizer que não sou nada é fácil, basta dizer que sou poeta. Demonstrar é mais difícil. Ser é ainda mais difícil. Vocês sabem o quê é inspiração? Não é fumar maconha na praça, nem é olhar pro céu, nem contemplar. De Mazzaropi à Bergman, cinema não é Arte, é no máximo Entretenimento. A dança é uma arte menor, mas não há antagonismo superior-inferior. O nome é não ter nome. As palavras se traem, se confundem, se fodem e não dizem nada. Pintos, peitos e vaginas esse é o mundo em partes, ou parte dele. Não há objetivo. Onde há movimento, há vida, mas não necessáriamente metas e objetivos. Desculpe, mas o horário de visita acabou. Obrigado por ler esse texto. Sinto muito qualquer coisa.
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