terça-feira, outubro 05, 2010

Eva Herzigova






Caderno de um Interno









A Fúria descontente







Após incansáveis dias com um companheiro de quarto, cujo perfil sociológico só conseguiu ver depois da fúria que despertou em mim. Meus olhos estavam cansados, meus assuntos já eram desesperadores, minha energia parada em tabletes de remédio. Dopado, estagnado, flexionando passos contra distância desses “algos” talvez irreverssíveis. Refeições feitas sem apetite. O calor seco do confinamento. Sudorese e sonhos de inicio ao fim. Sonhos de risada sem rumo e megalomaníacos, alucinógenos. Incansável recomeçar e recomeçar o mesmo dia diferente, mas do mesmo e mesmo cotidiano. Nenhum dia de rara monotonia, apesar de serem os dias todos iguais, com tempo medido a relógio e não vivido. Salve a fadiga de ter fadiga. E eles querendo preencher nossos dias com atividades que soam de forma tão inerte. Ah, meu bebê, e o dia da chegada? Esse foi um dia por demais cruel contarei mais tarde. Teve a sensação desse nunca mais ver-te. Teve a Fúria descontentada desse corte e a faca afiada de Carmem.





Don Galeano

Um comentário:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Com.fio afiado da navalha... :)