domingo, maio 08, 2011

Caminheiro de Jesus

60 a.c.


Caminho pelos cumes e pelos vales da Gália. O sol incide sua simultaneidade de luzes coloridas sobre o dégradé de montanhas. Somos pequenos diante das distâncias, penso. Ei força ancestral, dá-me a coragem para prosseguir. Faço tudo sozinho. Rezo sozinho. Jogo xadrez sozinho. Acordo sozinho e penso, e ainda que eu exista no meio da multidão, sinto estar suspenso e afogado no meu próprio ego sem ufanismo, sem martírio. Saio do meu corpo quando durmo e sou levado a ver que não estou tão sozinho. Solidão é uma coisa particular, essa intimidade perfeita com o silêncio. Não folgo em carregar cicatrizes, minha cruz.

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