segunda-feira, agosto 17, 2015

Dedé modernista


Moro no país de mudanças prementes e onde sonhos e delírios são, ao mesmo tempo, fundamentais. Um país de metáforas e a realidade não é o que pensamos. Acredito que vai além disso. Uma corrente oposta ao solipsismos – onde só o conhecimento pessoal fenomenológico, ou seja, adquirido a posteriori – em se tratando de análises textuais, socais e modo de pensar que enfatizam aspectos como intenção, ação, consciência, etc. daquilo que é estudado ou daquele que estuda ou interpreta qualquer coisa.
O subjetivismo afirma que a verdade é individual. Cada sujeito teria a sua verdade. A ideia do sujeito é que projetaria o objeto. Para o objetivismo, a verdade é a correspondência ou adequação entre a ideia do sujeito conhecedor e o objeto conhecido. A verdade, por isso, é objetiva e não pessoal, nem subjetiva.
E, ao mesmo tempo, um país de substancialidades e coisas bem reais.
país genuíno, dotado de um povo heroico e um brado forte e retumbante. Um país de pais e mães. Um país de povos e culturas, não “apenas”, “porém”, mas “também”, “inclusive”. Esse conhecimento encontra-se no gueto, na esquina, no clube. No DNA dos povos tribais e de todos os rincões do mundo. Aparece nos tambores de África, nos baixos do blues, nas notas do samba e nas batidas tropicais, no xique-xique e atabaque, pandeiro e tamborim. Temos as mãos sujas de fogo de nossos ancestrais. Somos assim.
No portal onde os contos (delirantes) se localizam, temos acesso a um fragmento inicial. Mas subitamente, na alameda inicial de uma aventura, Rodrigo heroicamente salva-nos do fim, antes que acabe. Ler e vir, ler e vir a ver e ouvir.
A noite já está chegando. Eis que um contador de histórias pega se violão e caminha para o quarto de seus filhos que o aguardam. Quando ele abre a porta recebe uma onda de calor, amor e ternura. Neste momento, o pai, um contador de histórias que ele mesmo cria, dedilha músicas que acompanharão a narração das histórias criadas por ele.
Assim, o dia vai acabando na companhia dos que tanto ama. Incentiva-os na leitura e na música. A partir destes momentos, Rodrigo Feres, pai, escritor, o compositor, inicia uma outra maneira criar.
A arte da criação de contos se estabeleceu no universo de Feres. Ao escrever cenas que compõem o panorama do texto, ele imagina e supõe que elas pedem uma sonoridade... Surgem então os contos com fundo musical, que conduzem os leitores ao diferente, à “sensação” e o estímulo.
Refletindo, raciocinando, acreditando ele pensa a expressão utilizada para exagerar o fato, um objeto, ou qualquer coisa cuja quintessência disso necessita. Plantando nos pequenos a vontade pelo gosto. O gosto de aprender, desejar, desejar o saber. Saber saborear o conhecimento. A busca pelo objeto. Estar de acordo, se contrariar, ir contra, rir, se amedrontar em segredo. E antes de dormir, perder o sono pensando naqueles lugares do encanto, do fascínio e da imaginação. No dia seguinte, querer aquele outro pedaço que se torna necessário à vida, como que se respira. Um mundo de se ler e ouvir. Palavras e som no mesmo patamar, mesmo plano. Nos encantando.
Obrigado, Rodrigo Feres, por sua criação. Seu duplo talento como escritor e músico. Contador de histórias, compositor e instrumentista.
Um grande artista sempre vem acompanhado de varias aptidões. Você é um deles.

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