segunda-feira, julho 16, 2018

À diviva luta



Encarar a página em branco. A cada frase uma ação. Não quero mais te enganar, te iludir. O Tempo é assim mesmo... Ninguém sai ileso dessa. Meus dias eu vou seguindo sem saber. Cada dia uma promessa insubstituível. Lembranças também. Encontro uma porção de forças no pensamento, que voa sem atrito. A palavra, cansada, me assusta com esse seu silêncio absoluto. Transformou-me no retorno de um eterno monolito. 

domingo, julho 15, 2018

Vinte e duas e quantas



Não adianta nem tentar dormir agora. Todo domingo tem esse bailão que vallha-me-Deus- Nossa-Senhora. Até decorei (incorporei, na verdade, as batidas do baixo).

Um, um dois três, um dois três, um dois três...

O espaço do pensamento sem imagem. Pluralista, trágico. O espaço da imagem do pensamento. O sublime é um acordo produzido pela discordância. Um duplo sem semelhança. O Tempo é uma imagem imóvel do eterno.

Pensando assim eu quase durmo. Uma lógica sem racionalidade. Mais um café e um cigarro.


sexta-feira, julho 13, 2018


Hoje só uma estrela


Da janela do quarto dá pra ver umas estrelas. Por ser mudo como agora também não precise de orelhas. Por um segundo eu achei que ritmo do jazz me bastaria. Mas não... a vida cobrando nota por nota. Todas as noites foram em vão. E os dias também foram. Foram escorregando pelas mãos, entre os dedos. Ai se eu soubesse como seria, cada moeda teria guardado. Teria poupado muita pinga. A grande cachaça mítica. Ela brilhava como uma estrela. Mas será que eu não via? Havia tempo que nada brilhava tão intensamente. Deve ter sido por isso. Pensava no paraíso, mas isso é passado. Não vivo lá. Só no meu coração.
Segue adiante >




Acabo de chegar do dentista. “As dentistas”, na verdade, dóceis e solícitas as duas. Ah! fora a atendente também. Tudo muito certinho, muito asseado. Fiz uma pesquisa e putz, essas pessoas estão aqui há vinte e poucos anos. Praticamente o tempo de vida dessas mocinhas – dóceis e solícitas.  Isso corresponde à metade da minha vida. Onde eu estava há vinte anos? Hoje eu me senti velho. Deve ser a crise dos quarenta. Mais do que uma crise existencial. Senti-me spleen, cansado sem ter feito nada. Vontade de voltar para o oco quente e húmido de algum lugar. Banzo. Tédio poético. Saudades de África.

Saudades dessa “volta” que nunca chega.  


quinta-feira, julho 12, 2018

Seu pior pecado é o silêncio



Um dia começa como cada dia começa. Tantos dias, tanto tempo e só o dia de hoje é que vale. Conta cada dia. Conto. Então dei continuidade ao que não podia parar. A vida, a noite e o dia, e o ar para abraçar. Mas o céu, o céu é o chapéu da Terra. Meu pior pecado é ainda gostar de você. Em silêncio. Depois disso não sei se posso dizer que vejo as coisas com mais clareza. De repente o mesmo menino entrou no quarto decênio de sua vida. Não poupa o estresse da nova jornada. Compreendo. Com mais paciência. Tempo de espera. O silêncio é o meu pior pecado também.




terça-feira, julho 03, 2018

me diz agora



Eu nem sei por onde começar, mas começo assim como se termina: com ponto final. Dor no peito tantos sentimentos que eu abafo que devo estar criando, ou melhor, destruindo e gerando algo de ruim dentro de mim. No meu corpo, entende? Faz tanto tempo eu não beijo na boca, não trepo, digo, essa coisa santa que é o coito. Quanta vontade de amar de novo. Sabe, sem nada a que me apagar. Te digo que é horrível, creia. Eu escrevo porque não tenho voz. Sou mudo. Mas dedico minha vida e esse... esse vômito todo (no mal sentido) ao Poder Superior da forma que eu compreendo e aceito. Acho que ele lê as palavras, ele entende que é como um vômitim de criança, nenemzim. As ilusões se acabam. Contudo isso é bom, percebe? Porque daí começo a “ver” a realidade. Se é que existe uma realidade. Realidade são várias, eu sei, ou as minhas verdades. Todo indivíduo é tentado a escrever seu próprio manual de felicidade, pessoal e subjetivo. Eu até acredito em felicidade. A felicidade espinoziana.
Paz não é a ausência de guerra. É uma virtude, um estado mental, uma disposição para a benevolência, confiança e justiça.
E continua muito além.
Felicidade não é o prêmio da virtude, mas a própria virtude; e não gozamos dela porque reprimamos os impulsos viciosos, mas pelo contrário, porque gozamos dela, podemos reprimir os impulsos viciosos.
Portanto não chore, não seja inconveniente. Entenda. As pessoas condenam aquilo que não entendem, não compreendem. Vício do estruturalismo. Essa necessidade de se preservar, de se afastar do “mal”. Eu mergulhei fundo no lado negro de mim mesmo. Atravessei centenas de abismos. Um abismo puxa o outro, não é? Vivenciei cenas bizarras, sórdidas. Procurei algo qualquer que fosse pior do que ruim. Achei um homem Bom. No fundo eu sou um sentimental. Aquilo que Kant escreveu sobre essas formas de Belo. Posso te dizer uma coisa? O caminho é longo. Não tome atalhos, não busque o caminho da curiosidade e não haja por impulso. O abismo é cruel, lodoso, sujo. Viva uma sua vidinha sem se preocupar com (diga você). Porque agora vemos em enigma por espelho. Mas um dia veremos face a face por inteiro.
Deus, perdoa.
Ovelha perdida da casa de Israel.


quarta-feira, junho 20, 2018

Homem bolha

Arquivo. Novo. Documento em branco. São onze e trinta e nove da manhã e eu começo o dia como todo mundo aos trancos e barrancos. Me dá medo essa orgia cotidiana. Se posso reduzira frase, então, assim o faço. Esse tanto tempo assim, hifenizado. Fôlego, please! Fôlego! Preciso me reconhecer no documento em branco. Voltar a escrever. Pelo prazer, pela dor e por um infindável número de outros tantos sentimentos. Deixar essa solidão ir embora.
  

domingo, junho 17, 2018

sim


Fôlego, please, fôlego! Metáfora?

Não me atrevo a dizer nada. Há certo descontrole na piada. Esse é apenas mais um dia nessa série de dias difíceis. Olha pra mim sim eu quero chamar sua atenção não eu quero que você me veja. Um grito por liberdade. Viver é inevitável. Sinto-me fora de sintonia. Uma nuvem negra caiu do céu. Tenho que dar um passo atrás. Dois, três, quantos forem. Nascido no país do futebol. Isso já me deu nos nervos. A casa é um universo. O mundo parece pequeno. Na hora de encarar o goleiro não posso chutar pra fora. Fora do sistema. Dentro de algum esquema, que seja lícito por favor. Deixa eu viver. Nem tanto ao céu nem tanto ao mar. Minas nem tem mar. É pura teimosia. Puto, inútil, sem nexo. Feito menino pequeno. Lembra-me o poema da Florbela. Mas

segunda-feira, maio 14, 2018

A razão pela qual


And the fat old sun comes...

O pessoal do NA tem qualquer jeito mágico de resolver eu não sei segurar a onda ninguém liga eu não sou mais o mesmo desiludo vago gasto não sei ser mais o mesmo quando o dia nasce parece que eu tenho medo é tarde, ainda que seja cedo por isso cedo aos excessos. Fica comigo, ainda que hajam os excessos. Desculpa pelos excessos.

Give me love give love give me peace and love.
O gato pula no sofá e a música volta a tocar.

Nota: minha mãe anda assistindo uns vídeos na internet que eu não entendo.

quinta-feira, abril 26, 2018

volta





Esqueci como é escrever. Ou tenha desistido de escrever. Talvez. Sinto muito por tudo. Por ter voltado e por toda essa experiência. Uma sensação de que tudo. Uma esperança de que nada. Mas amanhã o sol nascerá. Um ano se passou. Nada parece minimamente familiar. Sobreviver a esses ares de atraso, de velho, e dessa velha dor de cabeça e solidão. Tudo passa devagar demais. O dia, a noite, o dia. Era tudo um sonho. Ontem vi uma gata muito parecida com a que eu deixei filhote há um ano. Adulta ela era. Me encarou. Seria a gata de um ano atrás? Quem sabe. Sinto-me de volta à história. Aquele personagem que sai e logo em seguida retorna como numa cena totalmente recodificada. Outro deserto. Deserto sou. Mas foda-se agora.