domingo, outubro 28, 2018

Madrugada de domingo

enquanto isso, em Tóquio... os chinelinhos andam juntos



Vendo essas manifestações nas ruas e toda essa gente sorrindo eu não sei se “é uma pena” eu não morar mais na cidade, sabe. Agora moro num lugar que é próximo, apesar da distância, mas é que eu sempre morei no coração da metrópole, no olho do furacão. Tem sido um tempo de reflexão com certeza. A solidão, o isolamento... o frio que faz aqui me leva a falar menos, pensar mais. Aliás, falar com quem? Afinal, esses são fatores propícios – a solidão, 
o clima, o isolamento – que me fazem mais introspectivo. Onde isso leva? Não sei. Vou tomar um copo de leite e dormir.

sábado, outubro 20, 2018

Quando tudo começa


Quando tudo começa assim

Certo dia, certa hora, certo lugar, certo alguém. Tudo parece estar certo. Depois uma avalanche de sentimentos. Fatos vão mudar a sua vida. Você nunca mais será o mesmo. Antes da experiência você não se dá conta disso, desse enredo de novela. Até que um dia tudo, enfim. Ah, insensatez... admitir algo indizível sobre o próprio fracasso. Triste melancolia da memória de dias felizes e a ausência deles. A onipotência do delírio contra a onipotência de uma estrutura real.

__ Rosa, as crianças estão brincando lá fora.



sexta-feira, outubro 05, 2018

é assim que eu me sinto


Existencial... reticente...
Eu também já tive uma máquina de escrever. E também fiz o melhor que pude para não ser mais uma vítima do canto da sereia e sua lira rude. Até um dia descobrir um sociólogo americano descrever o perfil de jovens americanos que gostam de poetas americanos da geração beat e ouvem jazz no volume máximo. Depois de ler esse idiota passei a odiar o conceito de generalismo. “Em geral” pode-se tudo e isso é um absurdo. Cada um tem suas particularidades e modos. Eu também gosto dos beats e adoro o jazz americano. Se eu não me amo ainda assim posso amar meus pais, não posso? Ou senão “não estaria fazendo isso comigo mesmo”. Paraísos artificiais. Um homem decide se isolar numa casa na montanha, para pintar e fumar ópio. Ele não prejudicava ninguém, só a si mesmo. Eu já fiz isso. Já me isolei na torre de um castelo e fazia mal a mim mesmo. Um mal de fato, compreende? Mas sempre amei os meus pais. Acreditar nesse silogismo aristotélico é ridículo.
Hoje eu me amo. Amo meus pais. Nunca deixei de ama-los. Sempre é igual a nunca. Nada é igual a tudo. A humanidade sempre foi fascinantemente cruel e patética, na mesma linha.
Como votar nessa eleição presidencial?
Brasil, 2018. Preferiria não fazê-lo...

segunda-feira, outubro 01, 2018





Nota de falecimento, ou,
Um dia incomum

As pessoas da família do meu pai são estranhas até na hora da morte. Alguém morre, uma já esperada morte. Então “que seja breve”, e foi. Não digam que sou insensível, ou indiferente ao caso. Muito pelo contrário. Embora a novela das oito esteja prendendo minha atenção mais do que o texto. Nessas ilhas isoladas que vivemos. Essas ilhas isoladas que somos, só prestamos atenção em nós mesmos. A morte em si é um fato isolado que foge do contexto. A “morte” (difícil falar essa palavra hoje) – esse desfecho final, tragédia maior da vida, simplesmente foge do contexto. A cena promove o encontro, e esse encontro ressalta as diferenças. As diferenças deflagram melindres e assim por diante. Então agora as diferenças convergem até ficar tudo igual. Tudo igual como antes, na vida. Somos como somos.

Por enquanto...

domingo, setembro 23, 2018

Meu último eu


Meu último eu 



Sim. Um dos múltiplos de moi. Talvez nem seja último, talvez nem seja eu mesmo. Impressões voláteis e perenes. Sabedorias vãs, obras do acaso, Deus. Cabeça de boi sonorizada que diz “Eu = Eu”, a roda dos esquemas. Fios retráteis em contato com a “realidade”, esse riacho pouco profundo. Eu, Deus, mundo. As três ilusões de transcendência. Meu corpo sem órgãos, meu momento. Meu devir animal, besta-fera. Com os nervos nas mãos, escolho a informação. E a coleção de peças usadas pelo Michael, sucesso na Rodésia e na Guiné-Equatorial.
Meu time perdeu.


quarta-feira, setembro 19, 2018

look at me




Hoje eu acordei e não vi o Pitoco, meu gato. Procurei pelo quintal e tal, mas nada. Mas daí ele comeu a miar. Engraçado que eu começo o miado dele, miado de filhote, e acho que ele também conhece a minha voz. Vou procurando instintivamente aquele miado e então olho para o alto e vejo aquela bolinha preto e branca no topo de uma árvore feito uma estrela em árvore de natal. Putz... e agora? Subi no muro, depois passei corajosamente pelos galhos espinhos de uma árvore menor e me apoiei na árvore em que ele estava, que é quase do tamanho de um poste (não post). Todos os galhos estão secos e podres agora. Veio uma mulher loira-dos-olhos-verdes com cara de nerd. Eu perguntei “você é alemã?”. Ela respondeu que sim. Então eu perguntei em alemão se falava alemão. Ela respondeu que sim. Daí eu perguntei a meia dúzia de frases que eu falo. “Qual seu nome?”. “Onde você mora?”. Os alemães não são um oceano de gentileza e melindres. Ela disse que viram o gato lá da clínica de pilates e achavam que era um filhote perdido. Não muito obrigado, meu gato. Mein Katze. Danke shoen, Schüss.... o gato desceu agarrado em mim. Eu desci, nós descemos e a manhã começou assim.

Bis bald

G.

  

  

domingo, setembro 09, 2018

Selecionar tudo





E colocar cada coisa em seu lugar no mundo. Imagina. Se eu conseguisse ver como a hora pode estar ao meu alcance não importa quando. Mas pude ver com os meus olhos a expressão de ódio e decepção internalizados por aquilo que não foi desta vez. E na TV os programas andam reformando a casa de anões norte-americanos. Outros fabricam casas nas árvores onde eu moraria para sempre. Nunca me importei em ser... brilhante. O que mais me fascina é que transitamos pelos mil platôs da dor, da retidão, da rendição e de uma vertiginosa ascensão que não sabemos bem para onde leva. Como consertar o presente? Diariamente, eu mesmo respondo. Poxa vida... é foooooodaa.

sábado, setembro 08, 2018

natural do latim

A palavra passada à limpo

Sempre andei no limbo do juízo crítico sobre...
A imagem de mim mesmo vista de fora
Territórios (da moral, físicos, círculos...)
Eu te amo
Olhos – Identificação
Onde eu me encontro?
Diga que eu só vou voltar... “fale” por mim – afonia, mudez
O “porque” do silêncio
Diz com que olhos...
?
Aos amigos
Com carinho,

Gustavo



sexta-feira, setembro 07, 2018

é assim que eu treino meu backhand




Escrever, escrever, escrever. É assim que  eu treino meu backhand. Sim, preciso escrever. Eu corro muito na quadra, mesmo que eu não saiba para quê. Nada é planejado. Minha vida é cheia de surpresas. Há algo de bom nisso, mas o imprevisto... também pode ser desagradável. Mesmo as surpresas boas, às vezes são desagradáveis. Sair da rotina me deixa em suspensão. Ao mesmo tempo que detesto rotinas. Tento inventar e agregar coisas novas no meu dia. Nem sempre consigo. O dia é rápido e eu sou lento.