quarta-feira, março 29, 2017

conexão perdida

Perfect Day


Mesmo dia...
Lágrimas escoregam do nariz. Eu... Minha maior indignação é a falta de infomação. Esse desdém por mim, esse desdém desvelado por si mesmos e pela raça humana, esse culto não declarado à pobreza, como se, sob proteção da pobreza estivem imunes... à micro, macro violência social. O erro é pensar que alguém pode se refugiar do mundo, da resignificação iminente dos signos e conceitos. Pensar uma fórmula internalizada de mundo-vida e ser, talvez, apenas pensamento - um corpo sem orgãos. Assimila, interpreta e reproduz, mas neutraliza inconcientemente o mundo-paródia que ajudou a criar. O caso da impossibilidade de qualquer metafísica levou-me a demanchar o mundo, parte a parte, pedaço a pedaço. Começar desde o começo, depois recomeçar a desmanchá-lo. Cheguei às fibras mais profundas dessa trama, que com o tempo foram e mostrando. Meu processo de construção de um sistema de linguaguem é chegar ao modelo mais próximo do sensível, desde o primeiro beijo. Aproximar a palavra do inteligível numa tentativa de escapar ao modelo identitório da imagem não legitimado pela imagem da ideia. Basta dizer que destrincho um frango. Pô  pô pô pô ...

Capim limão

nós


Minha TV também parou. Será que isso é um sinal? (ou falta de)... Digo, um sinal que aponta o caminho pra gente voltar aos seios da terra? Que poético! no sentido spinozian, e não paro de tremer, como se viver fosse uma transgressão constante, ao som frenético de um baião irritante como todo baião anda parecendo. A TV foi a segunda revolução tecnológica, sengundo a estudiosa Lúcia Santaella. Segundo ela, o controle remoto, mais adiante os canais a cabo multiplicaram o número de aparelhos e afastaram membros da família pelo gosto através dessa segmentação. O ato de telever altera antropogeneticamente a natureza humana, segundo o pensador italiano Giovani Sartori. Somos teletubis em transição para a terceira revoluçaõ tecnológica, a dos dispositivos móveis. Eu sou da América do Sul. Sou do mundo, sou Minas Gerais. Mas agora eu sou cowboy...

é o Veneno



terça-feira, março 28, 2017

O espaço da diferença

e seus sistemas de construção
Chove forte. Outro diria constantemente. Depende do sistema de avaliação. O café está meio amargo, pletórico. Risos apáticos internamente. Continuo deserto no deserto. O café solução de areia invade minhas veias. Presente de minha mãe uma cafeira italiana. Pena que eu não domino o idioma. Mas capisco tutto! E o café... é uma bomba. 

sexta-feira, março 24, 2017

Vampire blues

Tudo vai mudar



Como eu sou besta de acordar numa sexta, encostar numa aresta, esperar sua presença na minha cabeça e embalar pra viagem a tristeza, esperando que um dia ela desapareça, prepapado pra dor nas pernas e a ensolação, ouvindo Neil Young. Amanhã é o pseudo casamento do meu sobrinho. Ouço coisas à boca pequena, não quero dançar Macarena, sinto saudades da minha morena, estou chorando agora, quero saber quem eu sou...

Por isso, acho que não vou.





quarta-feira, março 22, 2017

63 mistérios



63 mistérios


Que saudade repleta de sentido. Criando atividades para reduzir a lista de saudades. A janela que emoldura a paisagem. Ladrão de entardeceres, de tons bucólicos que dão cor à tristeza. E a noite revela seus segredos. Escrevo apenas o que me aquece o peito e nunca pede licença pra ir sair. Deixa-me e vai embora.
Sei que, ainda sem saber, eu inventei você.

terça-feira, março 21, 2017

diálogos




Noite sem Luar


Parece seresta. Abre o link, sua besta. Abrir o link parece coisa de besta. Melhor mesmo seria não dizer nada... e fico por aqui. Bons sonhos, cachorro de quartzo. A primeira vez que fui ao Cipó, uma menina discutiu comigo quanto a isso. Bateu pezinho no chão, fechou o bico, disse que não. Que você tem menina? Nesse tempo eu já caminhava, observava o tempo com frequência, perdi a paciência. Qual seu problema, menina? Problemas de auto estima? Vai lamber sabão. Toda virada de lua, lua cheia, chove.
__ Recebi esse diagnóstico domingo.
__ Qual?
__ Vai lamber sabão.
__ Não entendi essa menina não.

Falando daquele papo nosso, das histórias aí na sua casa, a moral da história está clara, limpa.

__ Pareceu que ela só precisava de um motivo qualquer para ser agressiva.
__ Me identifico com ela.
__ Pessoas se afastam... você já fez alguma coisa pelo mundo?
__Orgias. Quanta água você já bebeu?
__ Pensou demais... Muita.
__ Sim. É porque sexo com  as estrelas é bem banal.
__ Putz, mas numa piscina vazia tudo eh performance, não é? Cantar, etc.
__ Se tudo é tudo nada é nada?
__ Tudo é nada.
__ Então não tem entrada ou saída? é bem fluido... mas tem uma onda superviver.
__ Não existe começo nem fim. Por isso,  pra que entrada?
__ Uma suspensão alta de consciência, e você pilota e bate nas cordilheiras.
__ Ou passa por cima...
__ Algo sempre se quebra.
__ Sempre.
__ Subiu tem que descer.
__ Sempre é igual a nunca. Aquele que se eleva, certa vez conheceu as profundesas. O fundo não conhece a superfície.
__ A liberdade não habita superfície. O trágico só me faz ver que as plantas simplesmente crescem.
__ O trágico não existe. O universo só reconhece o positivo.
__ Experimente viajar no tempo.
__ O universo só reconhece o positivo. As plantas crescem, morrem, renascem. É o ciclo.
__ Não adianta chorar...
__ Nada permanece, porém, somos eternos. O universo é uma trama atemporal, sem antes nem depois
 (quando meu pai morrer vou transforma-lo numa samambaia)
__ Principalmente se você dançar.
Viemos do Uno e nos apegamos ao Uno - eu, eu, eu. Esquecemos o tamanho do mundo. Então,o budismo diz que viemos do Uno, mas devemos tentar nos ligar ao Todo. Solidão é o mal da pos-modernidade. Forma da harmonia, estou centrada e bebo a água do mundo lençol de solteiro
afogando igual a Virgínia
Wolf
estepe no peito dxs pox pós

sábado, março 18, 2017

metà di un passato



Metade de um passado

Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou
          Caio Fernando Abreu
 
Cara, desde que a gata chegou, no domingo, eu não paro de tremer. Díficil não imaginar alguma relação de stress ligado à ela, mas acho que não. Não ao ponto de tremer tanto assim. Meu corpo inteiro treme por dentro, como se eu estivesse sofrendo de uma leve abstinência de rivotril. Mas tudo bem... Apesar da citação, hoje é sexta-feira e agora eu estou na cama, despreocupado e desocupado. (Passa um tempo. Claro, estou escrevendo esse texto desde ontem, em pensamento). Porra! Já é sábado e o tempo corre enquanto minhas pernas doem e não consigo fazer contato humano. Estou doente. Envenenado das pessoas e do mundo. Converso com a gata. Fala com ela "Pipa, tô desesperado". Que bobagem os gatos não falam. Eles miam. Ela me olha, eu olho pro teto... com impressão de quem já esqueceu. A dor passa, a cicatriz fica. Em dias de chuva ou de sol minhas pernas, horizonte à frente.