segunda-feira, fevereiro 20, 2017

sábado, fevereiro 18, 2017

por qual motivo?


Procurar... Navegar... Vagar, vagar... Mimetizado ou exposto é inevitável sofrer os danos da existência. Ninguém atravessa ileso a inédita experiência da vida. Amanhã é meu trigéssimo nono aniversário. Procurar, navegar, vagar, encontrar, encontrar o passar dos anos. Nova síntese do conceito hegeleniano.  Que tal, tio? Gestalt? Vai nadar no rio! Vai cagar no frio. Pegar minhoca no brejo... Lamber navio. Parece loucura minha, mas não sou só eu que queria agora um pouco de carinho. Sem reabrir feridas nem verter lágrimas por uma causa já superada. Eu, quero uma pessoa que queira ser amada em troca de nada. Em troca das minhas ideias felizes, talvez, dentro de um homem triste. Há muito tempo estou entre lá e cá, mas aqui não é nenhum dos dois. Desses tempos pra cá, desde que o mundo entrou em crise de mentalidade social, tudo muda da noite pro dia. E tem mudado cada vez mais, de mais, de forma radical. Minha misantropia me fez querer dessassociar do partido e da irmadade, tão de repente quanto sem motivo. Parei, de frequentar esse mundo. Fiquei preso em uma dobra do Espaço-Tempo.
Reconsiderando uma nova paisagem em outro mundo, quem sabe...

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

que seja vida, Rubens


Que coisa estranha é essa do budismo de abdicar de tudo? Abdicar dos maus desejos. E o desejo de consumo é um mau desejo. E o desejo que me consome é um mau desejo. Há poucos dias do dia do meu nascimento, percebo que é cultural e ritualísco querer ser exaltado e ser exaltado. Esse pensamento que flutua na contracorrente do budismo. As comemorações do budismo tibetano são carregadas de símbolos que constantemente nos lembram o princípio da Inpermanência de todas as coisas. Reprimir o ego e virar um grãozinho de areia no ar tão seco até se confundir com outras galáxias do nosso universo. A busca eterna. Aproveito a hora que não tenho nada, e por hora aprendo o desapego. Não tenho nada, além de muito pouco e quando vejo, esse muito pouco me sufoca, sobrevivendo apenas de silêncio. Imagino que seja alguma maldição chinesa, viver anos assim, preso dentro de mim. Alguma praga pêga de nascença. Calhou de ser o seu lado humano e acontecer na sua presença, através de você e por você a minha grande desilusão. Desde então, madrugada silenciosa. Faça chuva ou não faça nada. Venha o que vier, se nunca também, sempre eternamente. Excerço a Grata aceitação budista. Todos os preceitos esperando o posfácio, aqui, agora.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

à primeira vista

Foto Gabriel Chaim

Quando comecei a ler guardo uma lembrança. Claro, eu ainda era criança, sentado no banco de trás do carro, subindo a Av. Cristovão Colombo no sentido da Praça da Liberdade. Era noite. Não lembro o que dizia, qual era a palavra, mas guardo o vago registro dessa cena. Com certeza eu lia muitas palavas que a rua me ofertava. Por falar em Colombo, imagino o que os índios pensaram quando ele pos o primeiro pé na praia "Ó caralho! Fomos desdobertos!"
Eu nunca fui bom em decorar o nome das pessoas e letras de música. Falo inglês, mas prefiro não cantar, mesmo conhecendo a letra. É uma falta de coordenação rítmica, acho. Prefiro achar isso do que uma disfunção neurologica qualquer. Bem, quanto a nomes pessoais próprios eu confundo Renato com Marcelo. E, às vezes, chamo Renato de Fernado. Mas eu acho mesmo que alguns Marcelos tem cara de Vitor, por isso eu nunca chamo ninguém pelo nome antes de ter certeza.


...

domingo, fevereiro 12, 2017

vorra da manhã




Sou um homem metódico. Cheio de velhos sistemas. Embora randômicos, que seja. Alguns não envelhecem, mesmo com a passagem dos anos. Os próprios da natureza humana, um tanto animal. O método mais antigo que tenho às mãos é essa estranha de linguagem. A única que me tem dado usar. Então eu flutuva no sonho, rumo ao deserto, livre como as figuras flutuantes de Chagal. Meu medo, ainda sonolento, era pousar em um cactus. Aconteceu de estar agora aqui nesse minuto e não lembrar-me como foi o pouso. Sei que, passado o Natal e Ano Novo, enfim chegamos nessa casa. Ouvi dizer que ela era habitada por um montão de gatos. No dia da mudança ainda avistamos alguns. Deixando sua saudosa maloca, maloca querida... Bem, depois de alguns dias morando aqui um miado, e repetidamente o mesmo miado. Era um filhote de gato, branco com pintas nas costas e olhos verdes. Dei comida e ele veio, parou de miar. Depois, pelo jeito de andar, descobri que era uma fêmea. Consegui, ainda não sei como, adquirir sua cofiança. Ela veio cada vez mais perto e pude acarrinhá-la. Acho que, de fato ela não queria apenas leite e nós dois queríamos isso. Esse instante emocionante de carinho mútuo. Cada um na sua. Agora ela se sente livre, e eu me sinto livre também. E o sol lá fora. Quanta solidão...

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

LOVE



LOVE

Sinto a sua falta
quando deito de lado na cama
e ainda é dia e quero
esquecer da vida

Choveu fininho lá fora
lá fora na minha horta
mas ninguém abriu a porta
mas ninguém fechou
ninguém,

as portas.

Aonde você vai agora?




Se não importa mais pra você, é importante pra mim que seja assim. De um jeito que ainda não sei, mas vem cá, ou vamos lá. Onde quer que você vá eu não vou correndo atrás. Eu finalmente estou em paz e quero que você venha cominho. Se você quiser. Meu caminho é florido é não guarda mágoas do passado. Compreendeu e compreende esse mundo de espiações e provas. Acalma o teu espírito. Aonde você vai agora?

talking cat



I was looking for you, I seek to be, but on a slippery path the path is easy to disappear and I stayed in the real world looking for you. I looked for you and found this - the jump over the abyss. The plunge into the most sublime layers with questions I did not know. The dark environment of the soul that nobody wants to be. I met the man who let me shape my spirit, master my carnal passions and my soul. I became an animal. A "being" in me, subjugated by myself. Punishing myself without knowing. Without knowing why, without knowing when to stop, without hope, every day less, to find you. Feeling not wanting to feel. Remembering without wanting to remember. I went to look for you in the yard and I was scared - I found myself alone, free and distant from everything. No sound in my ears, no risk in the sky, no signal. The days are long, but you appeared. I'm going to raise rabbits. The first Alpha male will be called Vitor & Léo. Walk with the dog, although I do not have one. Give food to the cat. Water the plants. They take time to grow. Meanwhile - I wake up, I live, I see the moon, I ask for light, I am enlightened. That I am Nothing, part of the Whole. So I sleep, I wake up and I live again. Another day, different.


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terça-feira, fevereiro 07, 2017

Corpo e alma



Ela me disse "Você só quer o meu corpo!". Eu lembrei que pela segunda vez estava ouvindo aquilo. Naquele momento, minha coluna gelou, e como uma folha seca eu amadureci, e naquele momento "você só quer o meu corpo!" entrou para o rol das "desculpas-femininas-para-fim-de-relação". Paradoxalmente, dessa vez eu tinha convicção de que ela estava errada. Como separar o corpo da alma? Body and soul. Tanto amor eu sentia. Tanto amor eu sentia por ela, que cego mergulhei nas profundezas mais sublimes de mim mesmo, além do humano. Só para travar uma batalha insólita que levaria à nada. De volta à Nada, ou, ao Nada, descobri um grande deserto que levaria ao mar... A brisa da manhã traz o gosto o mar. Atravessar o deserto e de repente...
ter em minhas mãos
o peso da palavra
de algo inexistente

domingo, fevereiro 05, 2017

in dubio pro reu



Raspei minha cabeça em signal de devoção, não de vaidade. Ela disse que meu sorriso continua triste através dos séculos. Quando eu falei "esse inverno" causei estranheza. Coisa mais europeia, ela falou em tom de falência. Acidentes acontecem. Eu tenho esse gen na minha cadeia. É por isso que eu me emociono com a minha própria poesia. Tomando sopa de caneca na cozinha, e olhando pela janela a imagem Santa acima da minha composteira. Já consegui cavar dois canteiros de 2,10m x 1,10m e uns 3cm de profundidade. Agora a terra secou e tomou chuva. Essa semana precisa peneirar. Estou fazendo uma bela farinha de ovos. Consegui as cascas numa padaria. Coletando, pedindo, sendo humilde (nem precisa dizer). Ainda não coletei resíduo orgânico pra composteira (Nem é preciso pedir. É só pegar as sobras que os Sacolões despejam na porta como "lixo"), pois estamos produzindo mais do que eu consigo tratar. Fazer o manejo de resíduos orgânicos e recicláveis é muito fácil. Difícil é fazer o manejo de resíduos tóxicos. Um pequeno projeto de vida me atrai.