quinta-feira, setembro 18, 2008

Ladrão de entardeceres

A tarde branca se abaixa sobre o galo que rodopia no telhado. Frio de gelar o coração. Me afasto literalmente da paisagem enquanto a noite se aproxima. Minha senda se perde na alma do nevoeiro. Minha calma se torna silêncio que torna tudo pleno. Minha liberdade. Respiro as transbordações de um pensamento. Durante o dia, nenhum raio de luz. Pego o café, fumo lentamente o cigarro pensando além das idéias, além de números de telefone, nomes, emails, regras de métrica, rima ou estilo. Esteta da minha auto-estima, métodos, estruturas, sistemas, análises, decisões, vontades, querências, observações de comportamentos ritualizados, observação de cerimônias altamente ritualizadas que tentam ser casuais. Um desejo atávico de se unir, como grupo, como casal, como equipe. E eu me sinto navegador desse riacho pouco profundo, náufrago desse calmo oceano. Unir-se a algo a que se prenda ou que se liberte, a que se tenha a falsa sensação de segurança.
Macia como lua e areia.
>¨<

5 comentários:

roserouge disse...

És um poeta, um romântico. Escreves muito bem. Pragmático e sucinto. I like that.

Papagaio Mudo disse...

Muito obrigado, Roserouge. Escrever é meu prazer e minha sina e tanto melhor é receber um elogio como esse.
Abraço,

Gustavo

Elisabeth Teixeira disse...

:e)

liberté disse...

LINDO!

Papagaio Mudo disse...

olá Elisabeth,

Obrigado pela visita! Volte mais vezes.
Abraço,

Gustavo