domingo, dezembro 28, 2008

My Favorite Things

A verdade é que ainda não consegui me desprender por completo das relações humanas. De você que me deixei arruinar, perdoa-me por me traíres. A calma agora plaina no ar da noite, nos intervalos, nas pausas, no silêncio e na música. Eu quero falar sobre você, e daí, nada me impede fazê-lo. Somente a ética, um pudor parnasiano e a lucidez. Eu quero me lembrar das coisas boas e acabo lembrando-me da minha condição atual. Tenho vontade de te matar, não só no sentido figurado. Mas isso seria muito sério, muito shakespeareano, nelson-rodriguiano, tennessee-williamsiano, jean-genetniano, nietzscheniano e deleuzeano. Enfim, só conhecendo os marginais franceses para tentar definir como seria. A noite nessa cidade não há nada noir, nada horrorshow na noite. Só o que me empeça de sair o monstro no armário. E quem ganha com isso? O único show de horror é você, e é nauseante que isso ainda me atraiu.

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15 comentários:

Danitza disse...

É possível se desprender do humano?

Papagaio Mudo disse...

Danitza,

Depende de qual ser humano. Eu me referia a dois seres humanos, especificamente, minha ex-mulher e meu pai que está tão distante...
Abraços,

Gustavo

Papagaio Mudo disse...

Mas creio que é possível sim, e que é demasiadamente política a frase do Thoreau
"nenhum homem é uma ilha"

existem arquipélagos...
é fácil isolar-se...
cair no anonimato...
no abismo que te pertence...
Assim falou Zaratustra

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Anônimo disse...

delicia de bandinha de jazz!

roserouge disse...

Ah, o grande Coltrane! Boa escolha, papagaio!

Papagaio Mudo disse...

one of
My Fvorite Things

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musik

Papagaio Mudo disse...

roserouge,

viste o desenho do Bansky no "head" do blog?

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Adriana disse...

Gostei.Gostei.

roserouge disse...

Vi sim, Gustavo, eu adoro Bansky e acho o head muito bonito. Aliás, curvo-me (vénia) perante o teu bom gosto nos cabeçalhos para o teu blog. Também ando a ver se arranjo um, mas ainda não consegui decidir-me. Um dia destes, talvez...

Papagaio Mudo disse...

Obrigado Adriana, obrigado.

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Papagaio Mudo disse...

roserouge,

como uma coleção inconsciente,
guardo as imagens assim como guardo palavras.
quando elas procuro,
elas quase nunca aparecem.
tente dessa forma,
vamos ver*
beijo,

Gus

*materialização
ps: duvido de tudo. Do que vejo e até mesmo do que toco com minhas próprias mãos. No entanto, não posso que estou pensando. O animal que logo sou.

Danitza disse...

Ainda acho que mesmo que se queira despreender, é impossível extirpar.
Sendo ilha ou arquipélago, estamos cercados por águas.
Mas... cada um sabe daquilo que carrega e por onde navega.

Beijos e obrigada pela visita.

Papagaio Mudo disse...

Ei Danitza,

é vero! "cada um sabe daquilo que carrega e por onde navega" você sabe? eu estou pesquisando.
"não sou eu quem me navega
quem me navega é o mar"
engraçado que minha memória tem esgotado todas as lembranças nesse ano que passou e criando novas emoções, afeições e percepções.
novas paisagens, novos amigos..
mas não quero jogar o jogo-do-contente e continuar achando que está tudo bem.
Quero saber, ao certo, qual foi e qual é a conjunção de erros que devo parar de errar. Você não quereria?
Abraços,

Gustavo

ps: Bog(Deus-Clockwork Orange)tem me ajudado a esquecer essa memória ruim.

Danitza disse...

O bom é isso. Sempre nos resta o novo, e os erros.

Papagaio Mudo disse...

e a noite..
para escrever e pensar.

Beijos,

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