terça-feira, junho 30, 2015

Bounced



Estou sozinho e os sinos tocam. Há cinco dias sem meu remédio. Sem destino, sem saber minhas prioridades, permitindo que a dúvida se instalasse. Há cinco dias sem escrever. Acordo, durante meu sono cortado, com um poema a pular para o consciente. Minhas costas doem. A situação de vulnerabilidade física que se tem talvez não seja consciência de todos nós, mas um dia o porquê se levanta e tudo recomeça, nessa lassidão tingida de espanto. Um poema de duas estrofes de três versos que se perdeu e deve estar em alguma gaveta do meu cérebro. Nada me desabona, além das palavras. Explicando, a minha maneira, que fosse meio eu meio você, percebe?, mesmo que você não veja a mesma paisagem de prédios e janelas acesas e a minguante, com seu sorriso amarelo, zombando de mim no céu, zombando dos que dormem. Mesmo que três xícaras de café sirvam somente um. Um cigarro de cada vez. Já não penso mais em nada, já não penso mais, já não penso. Você liga pra me procurar, você me persegue, onda anda minha vida? quem é essa galera? você se sente rejeitada. Você se esconde. A quem você mostraria a sua realidade? é como tentar esquecer uma sina, um acidente climático. Feito tentar esquecer a realidade ou rasgar uma carta de amor. Os sinos tocam para marcar a passagem dos dias, enquanto a matéria envelhece. Eu me comprometeria a eliminar todos os tempos verbais. Exterminar o Tempo. Agora existo numa outra marcação da passagem das horas, biológica, rizomática. Meus músculos doem. Qual seria minha vocação? minha vocação... sim, minha vocação.

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