segunda-feira, abril 04, 2016

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Heroína chic em Changai

A gente passa a utilizar as pessoas e até gosta, e foda-se. Atribuindo culpa à sociedade, apontando dolo à espécie humana. Sem qualquer consentimento fazemos julgamentos a todo instante. E o juízo final é instantâneo - o mais adequado, oportuno, cômodo e aprazível possível. Nesse momento é que um desses fragmentos de instantes de sonho é tão real quanto a matéria da qual somos feitos. Somos feitos dos instantes relâmpagos a cada decisão foi tomada. A partir dessas primeiras opções, decisões e infinitas probabilidades. As possibilidades ações que emitem incontáveis interpretações. Confesso que nunca me senti parte de um ou qualquer grupo. Devo ter sido um ermitão em outras épocas... Ainda hoje não gosto de gente. Gosto de gente cuja afinidade é espontânea e inexplicável. Provavelmente alguma coisa me beneficia. O amor familiar, doméstico. Estreitamente ligado à sensação de propriedade. Estamos sozinhos... A solidão que dói sem saber. Mas volto a pensar na minha não-ligação com grupos. Raciocínio sobre o lugar em que nos colocamos, ou nos colocam, dentro de um círculo. As relações mudam, eu me transformo. Isolamento... isolar-se é não ter ambição? Doer sofregamente em sua zona de conforto. Como o animal, não cultivei grandes vínculos. Escondo-me atrás das palavras. Uma espécie de tautologia, mesmice, repetição. Por que comparar tudo à música? Porque, talvez, a música utiliza todos os verbos matemáticos, e as frases coloquiais por meio dos instrumentos. A nossa história de vida, concluo por mim mesmo, que deve ser dotada de ambições, vontades, vontade avassaladora, a vontade de poder trata-se do "sonho", o desejo final. Basta dizer que quando alguém dificulta o seu caminho, caminho reto, propósito, você rapidamente se desfaz dela. O ser humano descartável da pós-modernidade. Afasta-a do convívio, se possível. Viver, então, requer uma alta dose de tolerância. Eu diria até resistência, física e emocional. Entra na história de cada indivíduo, e como ele reage à vida - em qualquer sentido. A servidão humana ou da força das paixões. Nesse momento ouço e entendo meu pensamento – monitorado, consciente, racional. Deixo-me levar por esses afetos e paixões. Depois, deixo-me fluir como um rio, margeado pelas pedras, quedas, curvas e tropeços. Um dia chegarei ao mar aberto.

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