sexta-feira, abril 11, 2008

Sentidos inversos

Escrevo por não ter nada a escrever. Calo e quando mudo, eu sumo. Criança calma e avulsa afaga minha alma na lembrança. Não tenho nada a dizer e meus pensamentos, ossificados. Parece que de repente o mundo perdeu a cor. Os dias, as tardes e silêncio que invade a madrugada. Eu sempre eu. Mi mama me propôs que eu fosse pra Espanha, passar um tempo na casa da Tia Isabel e da minha prima Lygia, a quem eu amo muito. Depois disse a ela que isso me despertou a vontade de ir e não voltar. Preciso tomar uma decisão que influencie minha vida de forma radical. Não consigo fazer nada “de leve”. Sempre sou muito ou nada. Oito ou oitocentos. Não é fácil ser assim. A vida me ensinou a ponderar, mas meu impulso me faz decolar. Minha histamina, minha capacidade de atravessar rios e montanhas sozinho e não me sentir só. Cá na cidade me sinto mal, apático, inútil. É o meu lado eremita, anti-social. Tem dias que sinto vontade de não falar com ninguém. E eles passam... passam...
Espanha me aguarde.

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25 comentários:

Papagaio Mudo disse...

Até o fim do ano faço uma grana pra ir-me embora.
Ser feliz em outras línguas...

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Cris Moreno disse...

Isso...isso...faça isso, Gustavo. Espanha tem o melhor chocolate do mundo! Podes acreditar.

É tão bom falar. Faz tempo que estou adiando falar. Estou só brincando, brincando, mas não falando. Você me entende? Você fala, mas não diz nada. E parece que estou com vontade hoje. Parece. Vamos ver se sai alguma coisa. A imagem já tenho. São cartas, claro. Por isso, tenho que escrever uma carta.

Beijinhos.

Se você tivesse que escrever uma carta, como seria? Vamos tentar?

:)

Papagaio Mudo disse...

Para quem seria, Cris? a carta?

Beijos <">

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caiocito disse...

As pessoas perguntam demais sobre nossas vidas. Nao comprendem o poço sem fundo de silêncio e de desinteresse que isso tem. Não respeitam, falam alto demais, perguntam demais e riem alto demais. "Vamos ao restairanre comer" e ficam conversando e falando de MPB e viagens antropológicas ao afeganistão. E não temos como mentir na testa delas, do que ainda resta, Joe. Eu doro mentir, Joe. Entende? E em B.H eu nao consigo, aqui é uma caverna, nao quero ter os pensamentos ossificados, entao invento. Tudo que inventamos é verdadeiro (M.B). Boa viagem, vou sentir saudades, mas o que eu posso fazer. É phoda ser alemão na terra do sol, Joe. Vc é meu friend. Vou sentir saudades.

abrazoz.

Papagaio Mudo disse...

Caio,

Você se apega muito a Manuel de Barros. Nem tudo que criamos é real...

Abraço,

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Anônimo disse...

Neno, só um carinho meu pra vc...

O Nascimento do prazer (trecho)
Clarice Lispector

O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele e nós.

Anônimo disse...

entra nesse link depois

http://portodoceu.terra.com.br/artesimbolismo/signos-08c.asp

baccio

Papagaio Mudo disse...

Fuchs,

Entrei no link que você me mandou.
Pelo que o Vince me dizia "petit mort" é o orgasmo. Visto de maneira bem mais simplista do que ali estava escrito. E acrescentando, "la belle mort" é quando alguém cai de bêbado.
Os franceses não se abstêm de tornar elegante a própria tragédia.
Como Sócrates sorrindo enquanto a cicuta fazia efeito.

Beijos,

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Menina do mar disse...

Beijos e bom final de semana!

Papagaio Mudo disse...

Para você também, menina do mar...
xuá...

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liberté disse...

Quem há de dizer, não vá. Boludo!
Existem coisas que quando fazemos não olhamos para trás.
Tudo ou Nada.

Para mim, será.
um grande vazio no peito, nada mais.

E enquanto nao acontece, se voce quisesse, correriamos de mãos dadas por aí. para aproveitar os ultimos supiros do fim previsto. Como o fim de uma grande viagem.

=0)Palhacinha.

Lembro também do meus planos espanhois.

Cris Moreno disse...

É, Clarice Lispector sabia das coisas. Ela diz: Toc,toc,toc...alôoo é a vida batendo. Vamos, vai abrir ou não esta porta? O mundo está do lado de cá.

Beijinhos, Gustavo.
Estou na área.

Cris Moreno disse...

A carta, não sei. Depois lhe mando a minha. Você escolhe para quem quer mandar.

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Cris Moreno disse...

Esse menino vive inventando a vida. Acho que ele é "inventado"!

Beijos.

Papagaio Mudo disse...

"O sonho da mulher do pescador"
essa gravura japonesa agitou minha mente...

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caiocito disse...

O manoel de Barros fica se promovendo as minhas custas. Parei.
Deixe eu ler o link que a Creis deixou. abrazoz.

Papagaio Mudo disse...

É Caiocito,

Dá uma olhada lá que é melhor...
Não some não.

Abraços,

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Cris Moreno disse...

Ei Gu, tenho uma carta pra vc no blog.

Beijos.
Boa noite.

Estou na área.

liberté disse...

postei uma musica para ti.
é da ceumar.

Menina do mar disse...

E os dias passam e passam... será que vc perdeu mesmo a vontade de escrever??

Papagaio Mudo disse...

Não, menina do mar,
É q ando meio sem inspiração...

Beijos,

Não me esqueci d você!

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Menina do mar disse...

:-) ok.
Ficamos à espera que a sua inspiração volte, sei muito bem o que isso é e por isso há que esperar e respeitar!
beijos e ...
... Até breve!

Cris Moreno disse...

Saudades, caramba.

Beijos.

Hellen Rêgo disse...

Boa Semana p vcs!

Papagaio Mudo disse...

Obrigado.
Danke shoen...

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