sábado, janeiro 15, 2011

Confissões de um cunilíngue

O idiota associou suas palavras de quinta sinfonia, não disse de quem, como Dionísio na crista da onda. Uma espécie de suicídio de momento. Matando o meu Édipo antigo. Meu novo Eu é indivisível. Apenas coexiste. Coexiste com uma relação fria, distante, secreta, escondida, segura, anônima. Então conseguiu ficar e manter-se mimetizado. Seus porres são invejáveis, amigos singelos, sinceros na nossa alegre boemia. Andando pelas ruas da cidade, sem pressa, sem medo. Sentindo os ares da Praça da Liberdade. Suas árvores, com seus jardins, com suas fontes. Lançado no esquecimento. A distância afetiva é como ontem. Noites nos butecos de jazz. Madrugadas sem fim e o tempo parece não passar. As horas do relógio engolem os minutos. O tempo afetivo teima em continuar o mesmo. Vomitei meu passado, o vi fugir de carro. Casa casa não tenho mais depois de dez anos fora. Fui fraco assim tão desalmado. Um verbário. Calado, afônico ou monossilábico.

Nenhum comentário: