quarta-feira, julho 08, 2015

em andamento... a vida de um andarilho

Faz silêncio em meus olhos. Também faz frio. Apesar de tudo sinto aquecido. Aquecido não corporalmente, mas por um sentimento. O sentimento de sermos seis no total, contando todos os membros do nosso pequeno e originário núcleo familiar. Sou o mais novo dos quatro filhos, com uma diferença de oito anos entre o ex-caçula e de quinze entre o mais velho e, ah, há uma menina nesse meio. Como escritor, nunca ofusquei desvalorizei, condenei, ofendi ou desconsiderei a imagem de ninguém nas postagens desse blog. Embora muitas vezes não me faltaram motivos para faze-lo. Acho de mal gosto ocasionar tais desatinos e não vejo-me capaz de tal juízo moral. Enfim, não falo mal de ninguém. Se tenho muita vontade prefiro atingir o ídolo da pessoa em questão, como ensinou-me um amigo, que aliás nem sei mais por onde anda, se ainda é amigo ou se foi amigo um dia. Assim é a vida e eu sou prolixo demais. Demoro muito a chegar ao ponto (get to the point, como dizem os gringos). Fodam-se os norte-americanos. Eles também sabem ser prolixos. Vide William Faulkner, Thoreau, Walt Whitman, Henry James, Emily Dickinson... Gosto de todos eles. Eu falava das coisas pequenas (meu texto é um contínuo de ideias, um solilóquio, uma só fala) e quer saber?, fodam-se as coisas pequenas. Caiu sobre mim uma pequena flor cujo bem-estar imprescindível, o cuidado necessário, a justa medida eu confesso, não fui capaz de lapidar. Criar uma pequena flor é o trabalho de séculos, segundo o poeta inglês William Blake. Eu geralmente nunca chego ao ponto. Sou inconclusivo. Talvez porque a minha verdade seja demasiado forte e pesada para ser compartilhada. Não se acha tanta graça na vida quando se está morrendo. Assisti a uma entrevista do grande guitarrista Frank Zappa onde ele já havia contraído câncer e ele, que ficou conhecido por haver colocado grande dose de humor no rock, praticamente expulsa a entrevistadora de sua casa. Cara, aprendi que morrer é natural. Que quase ninguém espera a morte quando ela dá seus primeiros sinais. Nada agradável deve ser. Nenhum cavaleiro templário está preparado para uma partida de xadrez com a Morte. Eu que já tentei o auto-extermínio, que fui salvo pelo reflexo da entonação bakhtiniana da fala de minha mãe ao gritar pela ajuda de meu pai enquanto eu perdia a consciência e quase morria esgoelado. Eu que urinei por reflexo imediatamente quando caí na cama e só fui recobrar a lucidez rente a face de meu pai dizendo "filho... filho..." e meu pescoço doía tremendamente por detrás das orelhas.




Bem, se você chegou até aqui, podemos dizer que seja um herói,
pois dizem que nos tempos atuais os leitores mais aguerridos alcançam no máximo a vigésima linha de um texto. Enfim, penso que não vai se importar em ler uma breve história que poucas pessoas conhecem. Não sei classificar em qual categoria ela se encaixa. Se seria uma lenda, uma fábula, um conto. Sei que devo alertar os mais desatentos que é um tanto sinistra, somente para espíritos livres.
Há quatro mil anos atrás
eu despertei. Em uma floresta gelada em algum lugar longínquo. Tendo sido acordado de um sonho por algum feiticeiro loquaz, em um período que chamariam depois de século das trevas. Bem antes do Cristo por os pés na Terra, bem distante das civilizações dominantes da época - o Império Assírio, povo de guerreiros rudes e camponeses. Um tempo de temporais, tormentas e escuridão.
Eu era um viajor, um andarilho. Tinha como companhia somente a luz das estrelas como guia e a graça do Poder Superior
. Antes de partir para minha jornada rumo ao nada morava cerca do cume da montanha mais alta de uma cordilheira gelada.












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