quinta-feira, agosto 13, 2015

Adeus Beija mim



Um cão vagueia entre a cidade e o campo. As estações passam e o homem e a mulher, mas os dois nunca mais se encontram. O cachorro conta toda a história porque o filme é mudo e bizarro. Além de tudo aparece um gato e um papagaio tropical que fala javanês. É a única linguagem da película que, por sua vez, não conta com a porção mágica, a áurea do objeto único, não é arte, enfim. Arte é a vida maldita que o casal vive no mundo das ideias, no plano dos acontecimentos, na roda dos esquemas, nos fios retráteis e inconstantes da imanência. Onde Eu = Eu e as ilusões de transcendência, Deus, alma, mundo. Tudo parece profundo nesse riacho raso e febril. Nesse frisson frenético e volúvel como a criação de tudo, o grande Bang! Silêncio.

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