sexta-feira, dezembro 11, 2009

Blind

Qual a vantagem de ser excêntrico?
eu sou...
Hoje eles me tratam como se eu fosse um homem
num samba da Lapa, meia noite
sou nobre e dei na frança
com caçapa e tal

com martelinho e uma bola
dentro dos castelos das casas
pra validar, para praticar,
obrigada

de origem nobre numerada
usando a branca no lugar da outra
corre e segue
seis horas

Maria del Vale

sexta-feira, novembro 20, 2009


Estão todos mortos. Agora eu sou meu pai, minha mãe, meus avôs minha irmã e o filho de minha irmã, meus irmãos e os filhos dos meus irmãos, meus tios, minhas tias, meus primos e os filhos dos meus primos. Agora duvido que eu mesmo não esteja morto ou matado. Pela lâmina afiada da solidão humana. Pela distância, pela ganância. Sim, jaz dentro de mim um gênio morto. Pedido no deserto das idéias. No labirinto do útero, no outro, como adulto.

domingo, novembro 15, 2009

Alone With Everybody


a carne cobre os ossos
e colocam uma mente
ali dentro e
algumas vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homem bebem
demais
e ninguém encontra o
par ideal
mas seguem na
procura
rastejando para dentro e para fora
dos leitos.
a carne cobre
os ossos e a
carne busca
muito mais do que mera
carne.

de fato, não há qualquer
chance:
estamos todos presos
a um destino
singular.

ninguém nunca encontra
o par ideal.

as lixeiras da cidade se completam
os ferros-velhos se completam
os hospícios se completam
as sepulturas se completam

nada mais
se completa.

Charles Bukowski



fiquei muito feliz
o dia que te conheci
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mas acho que ainda não te conheço...

sexta-feira, novembro 13, 2009

terça-feira, novembro 10, 2009

San Franscisco ist hier bei uns

foto de Pablo Pérez Mínguez

Todas as atenções voltadas para mim. Quando me perco dentro de mim mesmo. Então, sinto estranhamento quando me vejo diante do espelho. Quando coloco os olhos em mim mesmo e a “realidade” me puxa (ou empurra) de volta. Atravessei o espelho-mundo, me perdi e morri. Foi preciso morrer para nascer de novo. Quero cuidar mais do que ser cuidado. Mas basta, pára por aí


esse desequilíbrio na balança


implica já


numa série de mudanças.

Acho que nasci com mais vocação para ser pai (arquétipo) do que ser filho. Um teorema edipiano. Mas a vida, o destino, eu mesmo, as circunstancias, me arremessaram de volta ao lutar de filho. Perder-se em si é ver o mundo com o seu rosto, as pessoas na rua têm seu rosto, sua cara, seu ego. Só você que não vê. Traz para seu mundo pra se sentir seguro. Eu também quero ser outro alguém, do outro lado da ponte, encontrar meu próprio John Malcowich. Nunca se tratou no cinema de um tema tão óbvio e tão desesperante decorrente quanto ver-se a si mesmo em todo lugar. Encontrar?, encontrei. Um portal no espelho que conduziu meu olho ao fundo turbulento e sacro, sagrado e profano, conspurcado e louco, demente e prodigioso, habilidoso e desajeitado através da repetição. E a vida não tem dois lados que se possa escolher. Antinomia, oximoros, dualismos profiláticos. Um Buda da oitava dimensão.



¿que és la pínche pós-modernidad?


sexta-feira, novembro 06, 2009

Complexo do Papagaio



papo de cumadre...



Sabe, estouraram a boca de fumo. A casa caiu, “não corre não playboy” descendo a ladeira da Principal. Pegaram o Rato vendendo o bagulho lá. Mas será que “fica”? Sabe, o Rui mais o amigo dele, pagam um menino, moleque mesmo, pra ficar lá na quebrada, imagina, depois de vinte e cinco anos de polícia... Mas também, trocando tiro com bandido, que não tem nada a perder, aliás, eles “ganham” mais muito mais que a gente. Soldado de rua, viatura, patrulha... assim igual o Rui, ganha um salário de merda. E porque que ele não se aposenta? ah, menina, tomou gosto, né, pela bandidagem, cavalo velho assim que nem ele não aprende mais outra coisa, quando fica fazendo churrasco, em casa, domingo com os polícia, só fala de morte, de batida, de briga de policia com policia, com ladrão, com traficante, assassino, estrupador, é ladrão de banco que eles mataram, é policia que morre, dá até pra ver o ódio na cara deles... a carne até fica com gosto de defunto, eu saio de casa, vou lá na Marlene, cê ficou sabendo que mataram o Marmita, aquele negão amigo do Rui, pois é... ano passado esse Marmita, Cláudiomiro o nome dele, pregou um menino aqui da comunidade na parede, o Pequetito, deu nele um tiro de 12, escopeta menin, aquela de cano duplo, é, essa mesmo, voa porva pra tu quanto é lá... as costas do menin ficou igual carmoída, daí o irmão dele pegou o Claudiomiro semana passada no beco, é... vamô ver, né? agora tem um tal de Caverinha mandando na bandidagem aqui nesse lado do morro, pelo menos não é igual no Rio, né? que a poliça chega é de Caverão, aquilo é um tanque de guerra... mas a guerra tá aí, né fia? escundida, a gente não sabe como vai sê o dia de amanhã, mas como é que faz? o pai do Rui nasceu e morreu aqui, Seu Antônio, conhece todo mundo, o açougueiro, o serralheiro, os menino que a gente viu nascé agora tão aí, trocando tiro, toda hora “cai” um, Íxi... quando tem festa então, nossinhora... a gente fica aqui quietim dentro de casa. Não sei como é que o Rui ainda não morreu ainda...

quinta-feira, novembro 05, 2009

agora não dá, me liga mais tarde, estou saindo, oi Gustav hoje é dia de pagar o aluguel, pois é eu lamento, mas vamos aguardar mais um pouco, você conversou com o Araújo? então fica todo dia cinco, você vai pra Papagaios? boa viagem, segunda a gente conversa, domingo o Xuxa vai pintar a loja, só tem gente famosa, verde limão, vai tirar aquele cocô de morcego da fachada, vai dar “cara nova” no sobradinho, você viu eu tô sem grana, só um instante, “Lucinha, diz que vai maínha mais eu”, pode deixar, sim, desculpa, tem que falar assim senão ela não entende, facilita a comunicação, você fala alemão? não, mas me viro bem, não tenho vergonha, “a que horas sai o trem?”, “meu nome é”, “de onde você vem/ pra onde você vai?”, “quanto custa?”, “aqui tem ducha quente?”, e eu tenho que ver tanta coisa, ele me entrega a chave, agora falando contigo, Karla, e eu tenho que me virar nos 30, Joselito sem noção, trinta e um, minha idade. Hoje é que dia mesmo? eu tenho que arrumar um cozinheiro, e o pizzaiollo, você vai me ajudar? termina essa monografia logo! eu te quero, eu vou na Biblioteca Pública devolver uns livros, mas você não estava sem os documentos? referências em filosofia, só na Biblioteca, mas então? Kierkgaard Feuberbach, e como..., “acho (penso) que não vou nem perguntar...”, então a gente se vê, I hear they say as I walk I hear they talk expect the final blast, eu vou te ver você me liga, nesse caso verifique se há problemas com a pontuação, eu te ligo quando chegar, açúcar mascavo, limão, abacaxi, pimenta branca, pimenta calabresa, isso vai ficar “picante”, preciso fazer mais chutney, eu podia fazer pão, pão com nozes, ou vocezes, Mussum, rio sozinho, não morreu, nunca morrerá, começamos a reverenciá-lo, preciso reiniciar recomeçar, ou melhor, começar, “dar andamento” prosseguir, adágio expressivo, Allegro ma no molto, piano, pianíssimo, andante, andantino, presto e fogoso! difícil interpretar todos esses ritmos,”andamentos”, latentes, pungentes, ou pulsantes, fico eu e minha mãe, somos dois, somos mil, então em dezembro você me ajuda, preciso de fluído de engrenagem, o telefone, alô...

september songs

v

v

What keeps mankind alive?



And now, the ballad of the question
What keeps mankind alive?
ccc
You gentlemen who think you have a mission
To purge us of the seven deadly sins
Should first sort out the basic food position
Then start your preaching, that's where it all begins
xxx
You lot who preach restraint and watch your waist as well
Should learn for once the way the world is run
However much you twist, or whatever lies you tell
Food is the first thing, morals follow on
xxxxxx
So first be sure that those, who are now starving
Get proper helpings, when we all start carving
xxxxx
What keeps mankind alive?
What keeps mankind alive, the fact that millions
Are daily tortured, starved, silenced, and oppressed
Mankind can keep alive, thanks to his aptitude
For keeping his humanity repressed
And now for once, you must try to face the facts
Mankind is kept alive by bestial acts
And now for once, you must try to face the facts
Mankind is kept alive by bestial acts
xxxx
vídeo com legendas em português aqui
>>¨<<

Mockingbird wish me luck

A free 25 page booklet

00000

dying for a beer dying

for and of life

on a windly afternoon in Hollywood

listenig to symphony music from my little red radio

on the floor.

-

a friend said,

“all ya gotta do is go out on the sidewalk

and lay down

somebody will pick you up

somebody will take care of you”

-

I look out the window at the sidewalk

I see somenthing walking on the sidewalk

she wouldn’t lay down there,

only in special places for special pleople with special $$$$

and

special ways

while I am dying for a beer on a windly afternoon in

Hollywood,

nothing like a beautiful broad dragging it past you on the

sidewalk

moving it past your famished window

she’s dressed in the finest cloth

she doesn’t care what you say

how you look waht you do

as long as you do not get in her

wy, and it must be that she doesn’t shit or

have blood

she must be a cloud, friend, the way she floats past us.

----

I am too sick to lay down

the sidewalks frighten me

the whole dammed city frightens me,

what I will become

what I have become

frightens me.

-

ah, the bravado is gone

the big run through center is gone

on the windy afternoon in Hollywood

my radio cracks and spits its dirty music

through a floor full of empty beerbottles.

---

now I hear a siren

it comes closer

the music stops

the mano n the radio says

“we will send you a free 25 page booklet:

FACE THE FACTS ABOUT COLLEGE COSTS.”

oooo

the siren fades into the cardboard mountains

and I look out the window again as the clasped fist of

boiling cloud comes down –

the wind shakes the plants outside

I wait for evening I wait for night I wait sitting in a chair

by the window-

the cook drops in the live

red-pink salty

rough-tit crab and

the game works

on

ooooo

come get me.


konkret poem

beider, wieder, nicht Wort, Dort. Gesicht die Brüder, das Brot und der Mond, der Mond und Welt. Ziemlich bald bestimmt, die Hande wasche und Schauen, Hussen und Raus, bei uns Vesuchen. Auf ich auch. Der spieler, naturlich papier macht gleich.

OOOOOOOOOOOO


mmm
888888888888

quarta-feira, novembro 04, 2009

desde aquele dia

naquele lugar

eu nunca mais vi o mar...

Adoxografia de um misopônico

Análise de tipos, enquanto espero a chuva. Analiso a história sempre desde o final, o desfecho, o fim do caso. Até o início de onde conheço e posso imaginar. De fato, são análises pessoais, não me importo com a imparcialidade enquanto estamos sujeitos as leis da física e da matéria e aptos (ou não) a lutar, vencer ou perder. Todo dia usamos expressões que fazem parte do nosso cabedal linguísticos que não significam, apesar de serem signos. Uma espécie de reflexo - objeto energético social. Todo homem é uma ilha, contradizendo Henry Toureau. Porém, é uma ilha que necessita da constante movimentação das marés, que vão e vem, levam e trazem. Indiretamente geram melhoramento àqueles que moram na ilha, que são a ilha. Mas se você está perdido e joga no mar uma garrafa com um bilhete dentro... Eu posso pegar essa mensagem, posso achar você. Ou posso esquecer. Esquecer que um dia, alguém que eu não conheço existiu. Você só existe pra mim agora como é. Só se apresenta como é – nua de corpo e de alma. Somos ilhas vulcânicas que se mesclam. Estive a deriva nesse oceano turbulento, colidindo com as laterais do mundo. Vendo as margens da salvação de não morrer afogado. Afogado em planos que pareciam inatingíveis, topos de morros, cristas de montanha, uma plenitude imerecida e inalcançável. Sangue e lágrimas no combinam mais com minha vontade de viver, ou de poder, ou de poder viver. Um direito que não nos é dado assim facilmente. Ausência, transferência e inversão de papéis conduzem a quebra mais suavemente. Copos se quebram enquanto novos paradigmas (mais flexíveis) se levantam. Hoje os paradigmas, vão além da origem dogmática. Amanhã existirão 4 ou 5 tipos ou faces da mesma moeda, ou quatrocentos tipos da mesma Moda matemática. Qual é a sua vontade, meu bem? – se não “dá certo” vamos mudar de assunto, vamos fugir desse mundo. Somos um ponto entre linhas - círculos elípticos e linhas, longos traços de infinitudes, que se cruza, que cruzam o ponto, que somos nós, e “navegamos” simultaneamente essas linhas de Tempo. Os três estados do Tempo como hoje conhecemos, não existem. Passado, presente e futuro se cruzam ao mesmo tempo. No mesmo instante que sou meu passado hoje, amanhã posso ser melhor, menos parvo, menos ignorante, mais sábio. O “complexo de sábio” dos filósofos, também afeta os poetas. Registro as dores e também as marcas deixadas por quem passou por mim nessa existência. Saber viver um coração simples. Sonhos despedaçados podem ser reconstruídos, costurando retalhos. Pra mim existe um único tipo, aquele que trás de casa um beijo partido e no navio dos loucos quer partilhar comigo essa Loucura. Porém, sonhos despedaçados podem ser reconstruídos...

fotografia é arte?

















fotos da série peluqueria
ooooooooooo
A fotógrafa e pintora Ouka Leele (nascida em Madrid em 1957. Seu nome é Bárbara Allende Gil de Biedma.) recebeu
em 2005 o Prêmio Nacional de Fotografia "questionar os limites da linguagem da fotografia" com apurações cromáticas únicas, compositivas e narrativas. Testemunho decisivo da sensibilidade da vida artística espanhola dos anos oitenta. Uma dos principais protagonistas do movimento artístico “La Movida” em Madri, no início dos anos 80. Mistura as tradições da Espanha com uma grande exibição de cores. Seu trabalho foi exibido em cidades como Paris, Londres, Tóquio, São Paulo e Nova York.
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Fotografia é deixar que a luz desenhe 0

self-portrait

Meu trabalho significa mais quando eu coloco fotografia e pintura juntas

Sua educação artística se concentrou na Escola de Fotografia. Depois de viajar para Barcelona sua formação recebeu rigor técnico, que a Madrid uma concepção mais purista e exigente. Em 1980 foi para Manhattan, Nova York, e voltou a Madrid, sua terra natal, como bem se diz, com a efervescência de “La Movida”. Segundo suas próprias palavras, Ouka Leele compreende a fotografia como "poesia visual", uma maneira de falar sem usar palavras.


Seu nome artístico tem origem no trabalho do pintor "El Hortelano" que, afim inventar um mapa de estrelas, em uma de suas pinturas figurava uma constelação denominada Ouka Lele. Barbara foi surpreendida por esta imagem e decidiu que queria assinar suas obras assim. Em sua primeira explicou o seu trabalho, desde que sob este pseudônimo, que em 1999 variou ligeiramente para Ouka Leele. Se a sensibilidade é uma qualidade que pode definir uma pessoa, este é certamente um direito de Bárbara.













ppppppp



kkkkkkkkkkkkkkk


el espejo de venus tiene escamas




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terça-feira, novembro 03, 2009

domingo, novembro 01, 2009

palavra ao Tempo

Estou sentado numa pedra no alto de um rochedo observando as gaivotas. Ouço barulho do vento contra a falésia. O pio das gaivotas, quando encontra o eco, se perde no ar. Sob o ordeiro ar da brisa suave onda desliza em nosso calmo remanso. Meus olhos deslizam sobre o mar. Desço descalço, meus conhecem o caminho das pedras. Na beira da praia minhas pegadas fazem o caminho. Enquanto caminhava pela praia avistava a fumaça da tribo, ouvia ruídos As naus passavam e nossos olhos no “viam” (neurologicamente, semioticamente). difícil de entender e de explicar. Esse era Eu, índio então, isso mesmo. Caminhando de volta para nossa pequena aldeia. Tenho mais ou menos uns cinquenta anos. Os outros não tem noção de idade ou tempo. Sei, por intuição, que sou um dos mais velhos da tribo, talvez o membro mais velho da tribo. Nossa praia não tem onda. Pescamos onde as ondas quebram do outro lado das pedras. Comunicávamos-nos telepaticamente. Errei o alvo. Mergulho na água brilhante e cristalina para pegar de volta minha meu arpão, que toca a superfície lentamente levantando alguma areia. Sinto a vibração sob a pressão da água. Essa foi a primeira vez que experimentei a sensação da telepatia. No divã de um terapeuta de vidas passadas. A sensação é confortável como nunca estar só. Mesmo que eu sentisse solidão, como índio. Já se passaram séculos e eu ali... No alto do rochedo, pensava na solidão de todas as vidas. Vejo os homens e mulheres e até as crianças ajudando a juntar pedra para um funeral. Foi quando eu percebi que a matriarca havia morrido. Olhares recaiam sobre mim. Todos fizeram as suas orações. Cobriram com as pedras o corpo raquítico e enrugado da velha senhora. Na volta, pedi aos homens não deixarem suas mulheres chorarem, que já tudo havia terminado, que se fez o ciclo. Pois no fundo mora nossa própria fragilidade exposta num corpo sem vida. Lembro de dar meu dedo mindinho da mão a uma criança pequena que me acompanhava. As mulheres e os homens então prendiam o choro. Aquela mulher detinha conhecimentos de curandeira e conselheira de todos da tribo, dos guerreiros às crianças, todos lhe rendiam respeito, afeto e gratidão. Mas agora se sentiam “sem rumo” suas palavras e sua ausência doíam. Sentíamos a grande a perda fazer-se um vazio em nossos corpos. Como uma cabeça sem cérebro, um cérebro morto. E era isso que nos coordenava que havia morrido. De madrugada sinto minha respiração plena e calma. O perfume das floras aromáticas muito macias, camada sobre camada, sobre as quais dormia. Ouço passos ao redor da cabana, mas o sussurro dos ventos leva-me de volta ao sono. Pela manhã acordo poucos minutos antes do sol raiar sobre a aldeia. Vejo oferendas entregues a mim, meio coco com flores dentro, uma pena e um ganzá, outro meio coco com florzinhas da mata dentro, coisa-das-crianças, farinha que tinha um valor simbólico e um valor calórico. Tudo ali era carregado de simbolismo, posto que os índios não se apegam facilmente à matéria, mas primeiro à sobrevivência. Cada objeto, por menor ou mais insignificante que fosse, era pleno de significado. Significava que na noite anterior, devido a decorrência dos fatos tinham-me eleito um novo líder. Nessa noite pairou sobre nós uma alegria suave. Vejo rostos felizes em sua inocência, completos na sua inocência. Caíram sobre nós aquelas gotículas de energia que brilha. E caíam essas gotinhas refletidas pela luz das estrelas e da lua. Caíam sobre nós e nem víamos. Eu podia ver como se estivesse no céu. Parece um roteiro do Disney? Fo.a-s.!

sábado, outubro 31, 2009


Embora seja uma festa pagã, a palavra "Halloween" tem origem na expressão "All Hallow's Eve", que significa "véspera de todos os santos", uma vez que se refere à noite de 31 de Outubro, véspera do Dia de Todos os Santos. (da série Cultura Sem Muita Utilidade cedido pela International-Useless-Culture-Associated-express)
prepare-se para mor...

sexta-feira, outubro 30, 2009

Bilhete fraternal, talvez útil


destinado a Maysa, que teria tentado o suicídio, de onde retiro o seguinte trecho: "O suicídio é uma desforra, e este é o seu lado fascinante. Mas o suicídio contém a morte, e este é o seu defeito irreparável. Nunca morrer hoje, quando se pode morrer amanhã... ou daqui a cem anos. Há muito o que ver e sentir, há muito o que amar! Em mim e em meus semelhantes mais intranqüilos haverá, um dia, aquela manhã clara e azul, e, com os olhos da alma sossegada, veremos toda a beleza da rosa, toda a luz do lago duro e prisioneiro, o sopro da manhã cheia de pássaros, o convite do amor no ser que passa. (...) Viva, sem a nervosia de procurar-se a si mesma, porque cada um de nós é um perdido, um ilustre perdido na humanidade vária e numerosa."

Antônio Maria

Sim,

... eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer correndo os corredores em silêncio Perder as paredes
aparentes de o edifício Penetrar no labirinto O labirinto de labirintos
Dentro do apartamento Sim eu poderia
procurar por dentro a casa Cruzar uma por uma as sete portas,
as sete moradas Na sala receber o beijo frio em
minha boca Beijo de uma deusa morta Deus morto,
fêmea de língua gelada Língua gelada como nada Sim,
eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada uma matar um membro da família Até que a plenitude e a
morte coincidissem um dia O que aconteceria de qualquer jeito
Mas eu prefiro abrir as janelas prá que
entrem todos os insetos

quinta-feira, outubro 29, 2009

suave vendaval


O que quer que me possua, ignore. Você me possui mais.

Dr. Fraseado


Agora sim, um nariz de pinguim. Já não andei léguas nem chupei línguas não lambi pregas nem vulvas não peguei as uvas, porque elas estavam verdes. Agora sim não tenho nada a temer, senão a morte. Mas enfim, o quê nos impulsiona a viver, senão a morte? Tópicos, psicotrópicos, adrenalina, barbitúricos, alcalóides, alucinógenos, paroxetina, fluoxetina, efedrina benzedrina, choques de insulina, paroxítonas?, vogais?, paradoxos? Nada faz sentido percebe?, nada significa sem você aí, do outro lado da linha. Faço-te sentir menos sozinha. Quando o encontro de palavras significaria menos do que as tônicas vocais de Artaud evocando um mantra shamanístico. Artaud, pelo que eu entendi, disse-me que Deus nos coloca dentro desse corpo em que fomos obrigados (ênfase nessa palavra) a dar cuidados físicos e mentais, a evoluir entorno da realidade que nos cerca. Mas qual entorno? qual realidade? Em volta de quê senão de mim mesmo? Amor? Não sei o que cada um, nem minha companheira, nem minha mãe, nem a possível pessoa mais ou menos próxima objetiva. A cada segundo, micro-milésimo de segundo, essa contagem inútil, a quântica Teoria do Caos diz que nós mesmos influímos sobre o passado e um dado futuro sobre o qual sou quanticamente incapaz de explicar, não sei, não sei o que é não, sei qual futuro é esse, pois é preciso conceber a matéria metafisicamente. Putz. Não deve ser tão difícil, pensando que os astrofísicos o fazem. Imaginar ser real coisas imagináveis. Inimaginável?, real?, ainda somos escravos da terceira dimensão. Já estamos mandando informações para a Bolas de Valores, através de mega computadores,em velocidade gigantesca. Eu pergunto, existe ainda tempo? Pode ser, mas essa, considero uma das provas irrefutáveis de que o Tempo pode ser programado para ser micronizado. O que a filósofa sul-africana, Ouka Lelee chamou de super-rapid-delay – que traduzido “ao pé da letra” seria super-rápido-atraso, mas perde o sentido do que pretende dizer. Pois é então. Fazer que o futuro chegue logo nem sempre é solução. Quando assim um novo cotidiano se descortina a sua frente, seja de crise ou seja de bonança, sua mente muda. Se você não se despe for dento diariamente, consegue conviver com o próximo. Verdades e realidades mudam. A linha tênue, frágil, quebradiça e retrátil de realidades muda a cada instante e repentinamente bum! Chegou o Tempo, foi-se a hora. Viveu até morrer. Como? Aí mora o julgo divino ao qual Artaud nos alertou. Imagino o mundo sem os mórmons mas não consigo imaginar um mundo sem os Momos e o idiota de aldeia... não seria mundo. Uma saraivada de palmas ao humor.

Jamaica Etiópia...


“Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada, enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria em qualquer nação, enquanto a cor da pele de uma pessoa não for mais importante que a cor dos seus olhos, enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida, mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal” Selassie

Nepal



0
Sadu quer dizer "homem santo”. São muito respeitados na Índia e Nepal. Há sadus que roubam pessoas também. Em geral, todos eles fumam maconha. Os sadus são ascetas, renunciam ao mundo material e vivem apenas dedicados à divindade que escolhem. Alguns sadus sao iogues... Isso é uma coisa que me surpreende na Índia, há muita maconha, mesmo assim ela é ilegal. Exceto para os sadus.

Brasil


Ayahuasca é uma das várias infusões psicoativas preparadas a partir do caapi, ou douradinho (Banisteriopsis caapi). Videiras geralmente misturadas com as folhas da dimetiltriptamina contendo espécies de arbustos do gênero Psychotria. Foi descrita pela primeira vez academicamente no começo de 1950 pelo etnobotânico de Harvard Richard Evans Schultes, que achou empregado para fins divinatórios e de cura por indígenas da Colômbia amazônica.

Holanda

O MDMA (ecstasy) foi sintetizado pela Merck em 1914 com a finalidade de ser usado como um supressor do apetite, mas nunca foi usado com essa finalidade. Somente em 1960 foi redescoberto sendo indicado como elevador do estado de ânimo e complemento nas psicoterapias. O uso recreativo surgiu em 1970 nos EUA. Em 1977 foi proibido no Reino Unido e em 1985 nos EUA. Em 1988 um estudo feito nos EUA mostrou que 40% dos estudantes universitários tinham feito uso do ecstasy no período de um ano antes da pesquisa, mostrando que o uso ilegal já estava disseminado, da mesma forma como aconteceu na Europa ocidental.


quarta-feira, outubro 28, 2009

Elogio da Loucura

“O Brave New World,

That has such people in’t”

A Tempestade - Shakespeare

0000

A loucura é aquela que mais se aproxima da ignorância humana. Aquela mesma que nos leva a ter fé e acreditar em mitos como a bondade humana. Uma loucura que até chega a ser inofensiva, que torna a vida minimamente mais agradável e o mais condizente possível com nossas aspirações mais alegres que deixamos na infância. A loucura, indignada com a abstenção de elogios a seu respeito, resolve por fim, elogiar a si própria e mostrar o quão presente está na vida da sociedade. Versando sobre os mínimos detalhes das ações humanas, ela mostra que está mais presente do que se imagina e revela-se de tal forma necessária e sedutora que acaba por atrair até a mesmo a sua simpatia. A loucura diz habitar o casamento, os filosofia, a ciência, as artes, a religião. Em ousada atitude, diz-se, inclusive, regente dos governos, da formação das cidades, das relações humanas e do senso comum. Diz que boa parte da sociedade tal como ela existe em seu tempo devido a sua presença. Os juristas, ao criar centenas de leis sem se preocupar com a relação que existiria ou não entre elas, estão embebidos na loucura. O aspecto encantador das crianças, que retarda todos a sua volta. A busca do jovem pelos prazeres da vida, a busca incessante por verdades e o “complexo de sábio” dos filósofos, as tentativas ridículas das mulheres para atrair os homens, a ignorância, a esperança, enfim, tudo isso existe graças à nada modesta loucura.

G.

00000

(Escrito em 1509 por Erasmo de Rotterdam e publicado em 1511, O Elogio da Loucura é considerado um dos mais influentes livros da civilização ocidental e um dos catalisadores da Reforma Protestante.)

terça-feira, outubro 27, 2009

saber lacônico
viver consiso
afônico sorriso

dez esilos para viver

sonhos

Hoje ando longe das páginas dos jornais. Não nasci noticiar, mas pra ser notícia. Nas páginas crônicas literária. Mas em Minas pra ser notícia basta ser diferente. Como não temos parâmetro, somos todos diferentes, portanto somos iguais na nossa diferença. Aqui individuo que se acha diferente é um artista em sua mais pura loucura ou em plena e absoluta sanidade mental. Ninguém é normal. Hoje se esbarra numa árvore caem de 10 a 20, 30 jornalistas e afins, doidos pra te pegar, sugar seu sangue. Antes, bem antes de aumentarmos o numero de jornalistas formados para 60% em dois anos, lá atrás.... quando subiam o viaduto do Santa Tereza, Drummond, Sabrino, Fonseca, e escreviam livros de poesia. Ah sim, nessa época eles não subiam em arvores. O jornalista nos dias atuais, só serve pra dar noticia. De preferência sem dar pitaco. O mito da objetividade, de atingir o Objeto, descrevendo foi desmascarado pelas segundas e quintas intenções dos jornais-empresa. É preciso ter um bom texto... saber vender a notícia, mas quando eles se metem a ser criativos, quase sempre dá errado. Esse é um texto opinativo. Há muito tempo opino muito pouco. Tenho opinado pouco e lido pouco também. O que é mal. Ao invés de cortar palavras tenho picado legumes, pra servir pra gente faminta no bistrô que eu arrendei - Piper Rubra veggi&vegan – tenho um contato tigresco com os herbívoros. Repórter investigativo de estruturas e métodos e formulários administrativos. Fazer o curso de jornalismo, assim como tantos, é querer não fazer nada, sair pela tangente ir pela beirada, abrir uma locadora ou uma banca de revistas. Já você, meu bem, vai se dar bem na Globo. Quem se forma em Direito, por exemplo, vai rivalizar a ida toda (útil). Eu faria outro ensaio sobre o sacerdócio de cada profissão, mas não agora, não hoje. Como ainda podem ser críveis as notícias? até mesmo as mais fatídicas, “fulano morreu” ponto. É muito chato se comunicar de outra forma que não seja a sua. Os jornalistas que admiráveis fizeram da sua, a linguagem alheia. Conjunta, porém estilizada. Não negaria as páginas policiais se me fosse dada uma pauta. Mas amanhã, ou invés de laudas, terei em mãos rúculas e alfafas, quiçá uma boa beterraba, um bom pedaço de abóbora, lentinhas rosas e... de quê vale a prosa?

segunda-feira, outubro 26, 2009

domingo, outubro 25, 2009

O Grande Prêmio

Tereza se entregava a Guido com a delicadeza das plantas. Quando sorriem na primavera e o sol que brilha e arde lá fora às pétalas de Tereza, dos pés à cabeça. Quando ela sente seu próprio cheio e o vento na varanda. Ao invés do cheiro de velho, cheiro azedo, amargo. Ela não ligava mais. Deixou de dar pra três meninos e passou a ser a mulher de velho, esposa-escrava. A tara de Tereza era se masturbar ao vento. Sem ninguém ver. Vendo os carros passando... nunca se sabia onde o velho estava. Faltava comida na casa. Pepe, ou Estaca, agora estava preso. Todos à procura do grande prêmio que a vida um dia ia lhes oferecer, enquanto seguia. As fontes de inspiração para seu prazer nas tardes em que ardia sem fazer alarde eram várias. Lembrava de cada gesto de cada homem que olhava seus peitos saltados do decote. Trazia do sertão a orfandade de pai. Rezava mas era safada como todo homem, imaginava. Era mais promíscua em pensamento do que santa na realidade diária. Era uma puta-santa prestes a se tornar puta de uma vez. Tereza tinha planos de cuidar do velho, mas conheceu a vida com Esmeraldina, uma putinha do pedaço. Foi por influência dela que vendeu seu corpo pela primeira. Vez por pobreza, por dinheiro. E os finais são assim mesmo, cortados.

Sinapse

000
eu preciso de você
meu cérebro precisa
de você
meu corpo precisa
de você
-
preciso que você não
recapture a serotonina
-
deixa que ela flua legal
entre os meus neurônios
pro sangue fluir legal
-
nas minhas veias
pr'eu poder ser
um menino legal
-
por favor atenda o meu
pedido
-
Oxum maré que espanta
o mau olhado

sábado, outubro 24, 2009

viver a vida

Marc Chagal - geburtstag

Acordo para uma nova experiência. O dia. Dia após dia vivo as infinitudes da solidão. Sinto um vazio pela orfandade de meu pai. Sua joie é minha tristesse na região mais dolorida do coração. Mas conservo esse vazio para mim mesmo. E parece que finjo o tempo todo, disfarçamos. Há anos o problema persiste. A congruência de encontros parece já impossível. Então cresce desordenadamente. Faltam lágrimas já desidratadas. Por baixo de um manto de calmaria, carrego toda energia que me falta, feito uma bússola. Então almoço o mundo, engulo a cidade em pedaços, depois de dois ou três cafés pela manhã. A vida é um esporte movido a veneno. Converso com esse vazio que se expande. Mi dice che è triste che crece e non abbiamo fortuna, caduto dal cielo per la paura, pedaço de merda. Solidão a qual as mulheres estão acostumadas. Eu, termino aqui. Boa noite e bom domingo.

sexta-feira, outubro 23, 2009

A palavra hoje (?)

No conservatório na Suíça. O jovem Nicolas Economou encena um flerte rápido, captado pela câmera.

Mais um virtuose delicadamente enfurecido. Começou a tocar piano aos cinco anos de idade, e engraçado como as profissões (ou vontades frustradas) se definem aos sete anos de idade, segundo especialistas em psiquiatria neuro-linguística. O contato que o indivíduo tem com a cultura até essa idade é tipicamente marcada por projeções que quando adultos buscamos consciente ou inconscientemente, e muitas vezes não conseguimos. Concebemos a primeira vontade de prazer, ou pulsão de vida, mas não guiada por uma pulsão sexual, mas uma análise interpretativa muito mais abrangente. As definições freudianas ultrapassadas condizem com uma concernente realidade pos-moderna da auto-afetividade cujo indivíduo pós-moderno almeja, visto que cortou o cordão umbilical com suas múltiplas gerações de ancestralidade. A negação das gerações que fizeram (direta-indiretamente) você quem, ou quê você é. Seja de forma cultural adquirida, não-sanguínea. Salvo as patologias neurológicas genéticas. O dom quanto o anti-dom quanto forjados na primeira infância e que perdura durante certo período é desastroso ou excelente. Guardado o sentido relativo da palavra desastre, com o qual desastre pode ser reavaliado ser buscar distribuir “culpa” (cristã) ou atribuir demérito. Sete anos é a idade em que a criança deixa de “observar” apenas as vontades induzidas, mas também suas próprias e embrionárias vontades, que irão se manifestar (e influir diretamente sobre atitudes) com o decorrer dos anos. Mesmo na sociedade atual, na qual somos coagidos a ser quem, acreditam os apocalípticos e também creio eu, a agir, usar, falar, seguir os estereótipos, que (também em minha opinião) vem muito antes da Indústria Cultural, mas da Arte em si. Exemplo, a admiração pelos artistas da Renascença Italiana. Este exemplo de desejo de poder, de domínio sobre o adversário em prol dos louros da vitoria, seja ela alcançável ou supostamente intransponível, remonta aos jogos olímpicos da Grécia antiga, à rivalidade instituída por meio da palavra na democracia ateniense. O que, misteriosamente, leva-te a ser quem você é? Sem recorrer ao papai a mamãe as leis ou as transgressões... Quando Sólon Michaelides, célebre compositor cipriota, regente, musicólogo e amigo da família ouvi-lo tocar pela primeira vez, quando Nicolas ainda não havia sequer completado de sete anos, declarou: "Esta criança é uma benção para seus pais, para o Chipre e o Mundo". Por conta “aviso” e advertidos sobre o talento inato da criança, a formação musical Nicolas foi realizada nos mais nobres parâmetros. Essa declaração, somado a uma serie de fatores genéticos e biológicos, que a ciência ainda não desvendou, além dos fatores culturais, além do ânima que cada elemento possui, segundo a física quântica, e levando em consideração a questão dogmática: famílias espirituais, vidas passadas...

com um velho amigo Que Quais serão essas flores atrás? Bouganville? Rosas?
Reparem nas botas e no detalhe da cerveja

quinta-feira, outubro 22, 2009

verso agudo

Sonho velho guardado esquecido

como folha de papel amarelado

urra num canto da sala

um solo de piano jazzado

gargalha e canta encanecido

encanta seu suave gemido

cada gotinha de uma nota

Chiquinha

Assista aos dois Rios de Janeiro

.....

"... eu vim conquistar Paris"

Heitor Villa Lobos

quarta-feira, outubro 21, 2009

quando eu morri, Jimmy

__ E você? - perguntou Deus – com que música vai querer fazer a “passagem”?
__ Passagem? – perguntei de volta, meio sem saber. Sabendo que na língua “falada” não se “enxerga” aspas nem itálico, nem Maiúsculas nem parênteses.
__“Quanto custa? tem que pagar?” – uns gritavam lá da frente.
__“Vai demorar muito?” outros indagavam lá de trás e continuei minha entrevista.
__ Olha, nesse casso vou precisar da ajuda do Senhor – repliquei em desespero.
__ Ô meu querido, meu Filho agora está em outro cargo...
__ Mas Ele, por acaso, desempenha outra “função”? Tira férias, ou coisa assim, e vai pro Paraíso? (pensei que fosse um cargo honorário, pensei)...
__ Meu caro, qual música você vai querer no seu ritual de passagem? – explicou São Pedro, mediador da conversa nos “portões do céu” – ...na hora da sua “transição” – continuou meio exaltado – da carne para o espírito? – concluiu.
__ Eu posso escolher? (Mas à essa “hora” eu já estava morto e agora, tô aqui tentando entrar no céu, ou isso é só um sonho?) – eu suava frio. Qual música eu vou querer quando deixar o corpo material para viver no plano espiritual? Mais essa agora... – vocês vão “editar”?
__ filho, essa é sua ultima escolha carnal... Responde logo, p-o..! – e São Pedro quase fala um palavrão, pensei.
__ Tudo bem tudo bem! Suíte pra dois pianos do Rachmaninoff – enchi a boca pra falar.
__ Pede aquela do Ghost! - uma senhora tentava me induzir.
__ Se fosse eu, pedia uma música brasileira - dizia o outro em voz alta, tentando me recriminar.
__ Elitista! - alguém gritou.
__ Burguês! - essa eu vi.
__ Qual?
__ Qual o quê? - perguntei.
__ Qual Suíte?
__ Suíte número 1 Opus n.5 Rachmaninoff!
Péééééeeééemmmmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! soou uma sirene como se eu fosse ganhar um milhão, mas começou a melodia. O áudio era “divino”, Double Estéreo:
Pirilrim pirlim puppupupupupú papaprarararararã plrilim plrolo prlim...prolohm... Então eu me vi saindo do corpo, levitando, (me veio à cabeça a logomarca do YouTube) sendo carregado pelos braços por dois anjos fêmeos (um deles se parecia com a Brigite Bardô) sendo levado direto para alto das montanhas rochosas do Himalaia, lugar que eu sempre quis conhecer antes de “morrer”. Meu Deus! O Everest! – corta para uma cena que estou querendo copular com uma das anjas (a moreninha) e só encontro minha própria mão, então a outra diz em anjês –

__ Vamos “Petit”! – sim! então era “Petit” o nome dela.

__ E agora, o quê que eu faço?

__ ...

(Imagina se me deixam no Pão de Açúcar... achei melhor acordar, mas voltei a sonhar com os leões do Discovery Channel)

klein Löwe

segunda-feira, outubro 19, 2009

Bob Fischer

o gênio arrogante do xadrez



Sabem, eu não sei mais exatamente a quê se refere esse blog. Eu gosto de jogar xadrez. Acho que estou um pouco tomado por essa síndrome da loucura help-less. Esse menino jogou xadrez desde a barriga da mãe. Considerava o xadrez seu alter-ego. Sempre viveu sozinho e se converteu evangélico da Worldwide Church of God. Foi o primeiro campeão mundial americano quando ganhou um torneio de Spassky. Seu ego ficou maior do que ele mesmo, depois de “fazer história” nesse vídeo, ironicamente, em Iceland ou Islândia em plena Guerra Fria. Isolou-se do mundo e deixou a barba crescer... arquétipo de eremita.
dream Fischer

atenção homofóbicos distraídos, cuidado!

JeanGenet & HansKoechler 1983

benditas sejam as minhas mãos e os meus olhos para ver um mundo mais igual Ou talvez que nessa marginália o grotesco seja consagrado, o profano seja betibicado. Saint Genet, comédien et martyr, Jôta Pê Sartre. Viva a marginália poética e sem leis!
..
un chant d'amour par Jean Genet

Un extrait du Condamné à mort de Jean Genet lu par Mouloudji.

Saint Genet

Querelle
Rainer Werner Fassbinder nach Jean Genet

Jean Genet, um dos mais controversos dramaturgos modernos, suas inferências existencialistas no universo da dramaturgia, fazem como pano de fundo uma de suas obras, O Balcão e Querelle. Enquanto ainda hoje, vemos o mistério da marginália, voltamos a nos envolver com obras dessa “marginalia”, no âmbito dos vícios e das pulsões transgressoras, partindo das obras do Marquês de Sade, do Lord Byron, de Lautrèamont atentando à matéria desenvolvida no cerne da sociedade moderna/contemporânea, da qual emana na década de 1950, O Balcão. Jean Genet é um poeta que soube dar a marginalidade um lirismo poderoso. O próprio Genet representado em Diário de Um Ladrão como uma obra viva da revolta produzindo emanações de uma das mais ricas e complexas obras da literatura e do teatro moderno, o mais subversivo, depois de Sade. Sua poética dramática revela uma discussão autobiográfica que ao mesmo tempo analisa e cura, onde o mal pulsa, dilacera, satisfaz e encontra redenção. Genet em sua vida pessoal passou por um caminho de abandono e crime. Rejeitado pela mãe ao nascer, adotado em um orfanato, tudo ainda poderia ser diferente se não fosse procurado, em sua casa adotiva aos dez anos, por policiais que o levariam ao reformatório, de onde fugiria aos 20 anos para iniciar sua vida de pequenos crimes e prisões. Desde início de vida tumultuado, elabora para si mesmo, a primeira e fatal estratégia de sua vida, assumir a marginalidade, quer fosse ela verdadeiramente praticada por ele ou não. Assim, assumindo-se como marginal, passou a viver e experimentar a vida como tal, praticando crimes e sendo encarcerado várias vezes. Dessa vida de prisões pela Europa, onde passou a maior parte do tempo, e segundo ele “aprende a viver”, entende uma primeira espécie de determinação social: o homem é aquilo que faz, ou melhor, sua função social determina sua existência. Apreende isso de tal forma que resolve abandonar a sociedade que o abandonou em primeiro lugar, sendo marginal convicto, cuja função é permitir que outros o desprezem e recebam desprezo de volta.
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Genet, um passeio pelo código penal (Michael Foucalt à esquerda)

Porém, ainda na prisão, já na França invadida pelos alemães, encontra-se com a literatura através de presos políticos, intelectuais e artistas da época, na mesma situação de carceragem, e descobre-se um marginal poeta, cujo tema recorrente serão suas experiências transgressoras, suas prisões e desumanização/libertação, que mais tarde o conduzirão à redenção pela transcendência, nas repetidas exposições do tema em seus diversos romances e peças de teatro.

Em suas declarações ele diz que,

“A sociedade, tal como vocês a constituem, eu a odeio. Eu sempre a odiei e vomitei. (...) Desde que encontrei na literatura um exultório, meu ódio tomou uma outra forma, menos pessoal: ele não se traduz mais num impulso interior mais ou menos acidental, ele se deduz de uma filosofia aclarada pela experiência. De um rancor nasce uma idéia. E essa idéia torna-se, à medida que avanço dentro de minha obra, mais serena e mais indestrutível. Eu o sei, eu o testemunho: a ordem social não se mantém senão ao preço de uma infernal maldição que aflige os seres, dentre os quais os mais vis, os mais nulos estão próximos de mim – quer isso agrade a vocês ou não – que qualquer burguês virtuoso e assegurado. Para sempre eu me fiz intérprete dos dejetos humanos, dos resíduos que apodrecem nas prisões, debaixo das pontes, no fundo da fétida podridão das cidades”.

Genet, Jean. O Balcão. (São Paulo. Abril Cultural, 1976.)

domingo, outubro 18, 2009

O Grande Prêmio


O policial tombou desmaiado no chão de terra, com a cabeçada do Estaca, e acabou morrendo de forma tétrica, nos arredores daquela cidadezinha. As estacas estavam lá, os buracos preparados pra fazer a cerca, funcionou como uma arma medieval. “Grandes merdas” sair de um “cu do mundo” para outro. Pra ver essas cenas de bárbara violência que raramente aconteciam lá no sertão de onde ela vinha. Lá só se matava calango, e pra comer. Uns tão grandes que alimentavam até a família do vizinho. Mas mesmo no meio disso tudo, a alma de Tereza chorava de satisfação por estar um lugar pouco mais civilizado. Pra se ter noção ela, quando chegou, nunca tinha visto um celular. Aquela era uma vida nova pra ela e não era difícil esquecer a aridez do agreste cearense... Um dia de sábado, quando tudo tudo acontece, a vida a paz o vicio e a guerra, a morte. Eles não tinham noção do próprio corpo, os meninos. Eles dançam, os meninos dançam e todo mundo dança no sábado à noite. Essa era uma enorme diversão pra Tereza que já não agüentava mais dançar forró e foi introduzida ao funk carioca, a coisa mais lasciva que já tinha visto. Pepe, o mais velho comandava a turma e cuidava de Tereza quando saiam todos juntos. o velho Guido, um italiano da Calábria que saiu de sua terra com quanta anos e casou com uma brasileira do nordeste. Maria da Lua morreu logo depois de dar a luz ao terceiro filho. Acontece que um dia um dia o velho chegou a casa e pegou em flagrante os três meninos. Eles tentando executar um plano, o plano de tomarem a força a ultima gota de dignidade de Tereza, eles tentavam estuprá-la. Guido pegou o 38 que guardava embaixo do colchão e se enfureceu com aquela cena. Em sua fúria de bêbado deu um tiro na cabeça do cachorro da casa, que não parava de latir, enquanto o velho vociferava. A partir desse dia, Tereza passou a dormir na cama de Guido. E a vida seguiu como antes.



crônica, Louco Abreu


Miles Davis

some day all wishes will come true

sábado, outubro 17, 2009

cut-troats glu-glu

Não apenas por ele. Crônica da manhã em um prédio inacabado agora nos ouve mais além pensando, desde que mudamos fui comprar cigarros e contava histórias expressivas do século, mas ate o fim da tarde a abrigar sonhos, dramas, vida e perspectiva. Mãe que um dia quis ser com alguém, porque minha mãe ela... isso me sensibilizou não mais como artista. Protetora, se esconde em memória dos que passaram através do seu corpo. Erigido pastava encadeado sem pintar as cores mais. Citado como exemplo, sombra da minha sombra uma dose de loucura tingida pelas dores, traumas, romance e birita na Semana-Trem-do-Horror por ter sido considerado Rimbaud e outras como nesse infinito passar de horas na disposição aleatória de um pingo de tinta na alma por aqui, uma gota. Ora, se não há sentada na mesa como personalidade mais do que a vida, condensar esse teto que me abriga ao tempo quando tudo isso o meio andar me viu toparmos uma sociedade que julga o caráter sem ver e fez um dia especial para o desprezo, de segunda à sexta. Uma amiga, as paredes. Não ouso chamar uma outra mesma felicidade. Com sacanagem vão chamar um pássaro livre. O pé, mas minha querida, somos a voracidade muito embora, paguei minha dívida com a irmã enclausurada de voracidade. Um Vogelfrei, um fora da lei nessa hora, direito, alto evoca ares frente a entregar as chaves que elas vieram buscar na sombra de mim. Aqui estou, do que delas próprias fazem causar efeito Tempo, à luz de mim noites adentros.