quarta-feira, abril 02, 2014

go back

Quem disse que acidade não tem lá suas façanhas? Geográficas, digo. Da porta de casa a umbigo, ao fundo do nariz dos bueiros à ponta do nariz e novamente à profundez do umbigo.
Agora eu me pergunto – onde mora o perigo?
Acho que habita esse desejo de voltar ao útero. Na escuridão volúvel de nascermos ou não sermos. Vive no medo de vir a ser no mundo* guardado seu sentido relativo – esse quadrilátero construto pitagórico cujo resultado nem sempre é a soma do quadrado dos catetos. Sem planos e sem adjetivos e que naco trazer consigo adjetivos é logo ser próprio de um gênero distinto.
Humana e geodesicamente falando, as águas descem do mesmo jeito. Irrefreáveis, incompatíveis, em meio a vendavais terríveis obliteram o panorama coletivo. Propulsiona as vias táteis e congestiona os automóveis.
Ninguém se questiona o “por acaso” disso.  
Andar andei.
A arma que carrego é signo - letras, vírgulas, entre aspas, asteriscos, regras gramaticais... Calibri 11
não é o meu país
é uma sombra que pende
concreta
do meu nariz
em linha reta
não é minha cidade
é um sistema que invento
me transforma
e que acrescento
à minha idade
nem é o nosso amor
é a memória que suja
a história
que enferruja
o que passou
não é você
nem sou mais eu
adeus meu bem
(adeus adeus)
você mudou
mudei também
adeus amor
adeus e vem
quero dizer
nossa graça
(tenemos)
é porque não esquecemos
queremos cuidar da vida
já que a morte está parida
um dia depois do outro
numa casa enlouquecida
digo de novo
quero dizer
agora é na hora
agora é aqui
e ali e você
digo de novo
quero dizer
a morte não é vingança
beija e balança
e atrás dessa reticência
queremos
quero viver

 



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