segunda-feira, abril 14, 2014

Sabe Mardou,

Sabe Mardou,



Ainda penso em você. Ainda não me conformo com a multiplicidade de reações do ser humano que o ser humano não pode prever. Jean-Piere Arthur Rimbaud tinha razão. Sendo que a razão desconhece a lógica da própria razão. E várias, muitas, vezes se torna inconsequente. Não somos o que pensamos ser. Podemos ter nos transformado naquilo que sobreveio ao nosso querer. Mais uma jornada até o amanhecer. Mais um bandido que mora com os pais. Tenho fé no meu apego. Deus silencioso que me acorda toda manhã. Aprendi com o vício que somos altamente compulsivos por nós  mesmos. Que tememos o crivo observador que julga sem análise. O juízo crítico, de valor incontestável em que acreditamos ser o martelo de juízes da vida, da lei, da dor. Você disse que eu me abandonei, mas você saltou primeiro do barco que nos levava ao destino que sonhei. Filhos, talvez não os tenha – onírico desfalecer, iconoclasta do imo pectus profundis, do fundo do meu peito. Mas não mais resoluto e calmo, reina sobre minha alma um novo homem que deixei surgir, neste cipreste espinhoso que seguro o espírito ao corpo. De onde veio? Não sei dizer. Tudo que aprendi ao nada se equivale. Não nos salvaremos da morte nesse vale de serpentes, mas vale a pena cumprir a pauta e puta santa chupa e salto caminha sobre o liame do saber. Estou triste. Estou doente, estou feliz por não estar mais com você e sempre eternamente, simples. Se eu pudesse sempre aquele dia, a vida não deixa escolha. Optamos a cada hora. E você apenas de casa pra UFMG e da federal pra casa. Que viva la vida, Frida. Esse nós, eus, mesmo sem saber o que queremos ser, que alma que temos. Que ânsia distante perto chora. Que tudo seja propenso ao despertar das horas, que tudo se vai embora como foste tu os eu em você que ainda mora. Juízes por nascerem assim, réus que cumprem suas penas. Assim se faz a lei. Mas os lírios não nascem da lei, e como disse Drummond “é tempo de homens partidos”. Não dorme ninguém pelo céu, ninguém, ninguém. Derramei fogo pelos olhos, suei pelo ouvido e atravessei o espelho. Meu mundo é hoje, não há nada amanhã sem mim. Sem mim eu me despeço. A-Deus eu já perdoei. Espero novamente de profundis pectus que Ele tenha feito o mesmo. Abençoado seja quem não contesta o horizonte, do cimo distante em algum lugar qualquer. Somos nada, ser. Fodam a mesma aurora, quando o sol se erguer. Quando eu tinha sete anos Deus beijou minha boca.


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