domingo, março 16, 2008

Já conheço os passos dessa estrada

Talvez você tenha razão. Não há realmente como buscarmos algo que “já foi”. Como tentar resgatar uma história de amor, embora as reconciliações sejam hermosas e tenham seu tempero especial, ou nenhum. Seria possível? pois em nada mudamos e na essência ainda somos os mesmos. Ontem estava lendo uma carta sua antes de dormir na nossa cama vazia você dizia exatamente isso Será que somos compatíveis? mas isso eu considero um tanto subjetivo e abstrato quando se trata das relações pessoais, você dizia alguma coisa sobre as nossas origens, algo que eu talvez não tenha percebido no fulgor da minha paixão. Agora passados inumeráveis dias em que continuamos ligados um ao outro, percebe?, paro para refletir. Tenho uma sede avassaladora de ti. “Excesso de tristeza ri. Excesso de alegria chora”. O gosto do artifício e a busca do bizarro que caracterizam essa história têm rebours, onde se conta a vida de um esteta blasé. Essas lembranças inundam meu cérebro diariamente. Não tendo como escapar faço delas a água que movimenta o dínamo da vida em meu pacato monastério, dínamo da noite estrelada. Quando acordo a primeira imagem que vejo é o seu fantasma. Durante dias passo o tempo. Noites q não consigo dormir entorpecido por esses fragmentos represados. Stay little valentine. Stay and make each day a valentine’s day.
Traurige >¨<

7 comentários:

Papagaio Mudo disse...

Espero encontrar algum rastro, algum vestígio.

>¨<

caiocito disse...

Eu aprendi a fumar deitado e a tomar uma jarra de agua no gargalo, a esconder cigarros pela casa para epois procurá-los como ovos de pascoa.

Pronto. Esse é o meu ponto de vista.

liberté disse...

antes que as mãos deixem de ser trêmulas. Um ser é visto, não pelos acertos que cometeu, mas sim, como tratou os seus erros. O bom, mesmo é o livre arbítrio, enquanto ainda é permitido pelo governo.
Se suas palavras são armas, o tiro pode dar certo.
Desde de saiba, a intensidade e o alvo a se acertar.
Não se esqueça que em casos corriqueiros, o alvo desaparece, não passando de protelação. Sendo seu caso uma exceção*.

Assim, boa sorte, ami!

*dúvidas quanto a escrita.

Caiocito disse...

Então Weisse Katze disse que não queria voltar para a porra da Alemanha, após ter produzido uma porcaria de Show com Lu di Shön, que havia rendido a ele uns vinte mil reais.
- Você conhece Paris - perguntou Lu di Schön.
- Não - respondeu Katze, enquanto foliava uma revista de nu artístico, no meio da rua.
- Depois desse show, podemos ir para Paris, ou alugar um apartamento no Copacabana Palace. Insistia Lu.
Então Katze pensou que pouco importava Paris ou o Rio de Janeiro, enquanto sorria para baixo :(
Era o jeito dele sorrir. De tanto tentar imitar cChet baker, De tanto imitá-lo, ele trasncendeu Woody Allen.
- Vai pensando nisso – dizia Lu, enquanto entrava no seu carro dando partida, a volver a cabeça pra fora da janela do carro cantando alto enquanto arrancava: Paris, Paris, teu rio é o rio Sena, Paris, Paris, tem loira mas não tens morena, tuas lindas mulheres de olhos zuis, tu és a cidade luz, Paris, Paris je t’aime, mas eu gosto muito mais do Leme... Vá pensando Katze, vá pensando.

Katze pensava... pensava que tudo aquilo estava a ficar real demais, ao ponto de ficar surreal e transcender. Abriu o portão de casa e percebeu que Lu di Shon havia deixado cair suas tremas ali. Ele as pegou e pendurou-as na parede do seu quartö.

Eu quero algo mais distante que a França – pensava Katze -, mais luminosa que Paris. Mais alto que o Cristo Redentor. Vocês não entendem, não quero pão francês nem Pão de Açúcar. Então Weisse Katse começou a recitar um poema seu: guardo no íntimo, nostalgia e sonhos alquebrados, um coração mitigado, foi longe demais... longe demais, destruindo as pontes que ficaram para trás, subtraída realidade, agora é tarde.

Weisse Katze se imaginou pisando na cabeça de Jacó e escalando os pés de Jesus, a segurar nas barbas de Salomão como cipó para dar impulsão até chegar a Deus. Deus era Zíris Guidun, deusa da mitologia brasileira. Zirís era linda, fumava Malboro light enquanto se banhava na cachoeira. Jesus, atento, olhava sua mãe, não gostava das marcas de cigarro da Philip Morris, preferia os cigarros da Souza Cruz. Jesus foi assistir televisão e deixou Zíris com Katze.
- Por que você está deprimido, Katze?
- Não estou deprimido, Zíris, sou um poeta brasileiro, apesar dessa cara de gangster italiano sem família. Isso dói, dói tanto que transcende. A razão pela qual eu estou aqui é a razão pela qual, a razão pela qual... - e começou a repetir isso várias vezes até retomar seu discurso inicial –, Então eu inventei a tristeza, eu criei você, Zíris, agora você vive em mim como um câncer bom, mais ainda sim é um câncer, nesse coração que é o maior dos nossos tumores. E que não pára de crescer, basta uma palavra e ele se transforma em mil sentimentos batendo mais rápido que a luz ou o dedilhado do Hendrix. Eu não agüento mais. Quando ele era apenas Chet Baker eu ainda tinha algum controle. Mas agora não, Zíris. Não sabia do poder que tinha minhas invenções, até onde elas me levariam. Eu queria morrer, mas seria apenas um inventor da minha morte. O que me resta agora é viver minha vida, todo mundo tem sua ilusão, a vida é uma ilusão particular.
- Katze, vai se fuder. Eu não gosto de poesia, não adianta tentar me seduzir. Eu não vou dar pra você só porque você é poeta. Eu sei que você veio aqui só por isso.
Aquilo deixou Katze enfurecido, Katze era poeta, e nem as deusas entendiam os poetas. De maneira que Katze voltou a ser Weisse Katze, mas apenas por dois minutos, por que era insuportável ser Katze, tão insuportável... mais tão insuportável que transcendia.

caiocito disse...

é um trecho do meu livro que você participa. abrazoz.

Anônimo disse...

waw, caiocito manda muito...
katze, sei nicht so traurig...
liebe dich

Papagaio Mudo disse...

Nem as deusas me entendem, principalmente as nordicas...

>¨<