segunda-feira, outubro 06, 2008

Distância

Na sequidão das lágrimas que inundaram meu quarto, no aperto no peito e na garganta. Uma dor que escorre pelos olhos. Não falarei mais de manchas de sangue, borrões de café tingidos no papel, mancha seca de esperma, de porra. Não mais falarei das manchas do passado, do seu e do meu passado. Passados tão datados quanto meus textos, minhas lamurias, ladainha, masturbação verbal, colocar pra fora dessa forma, entenda como quiser. Sou um homem de um tema só. O meu tema universal é o amor. Leia essa Canção do Ginsberg sobre o amor, pois eu concordo com tudo que ela diz, embora nunca se diga tudo. Alguns acham esse tema muito abordado no lugar-comum, onde-todos-nós-habitamos. Sou realmente fascinado pelo amor. Nenhum outro tema me encanta mais que esse drama mexicano, que leva as mulheres ao choro de orgasmos múltiplos e os homens ao ardor do desespero. Quem nunca sofreu por amor? Sofreu, amargurou- se, mas nunca escreveu poesia, somente cartinhas de amor. Como um corte seco de navalha, que sangra lentamente depois pára. E deixa uma cicatriz mínina que, com a degeneração da matéria, esvai-se até em pensamento. Quando não lembro mais de você, você me vem à cabeça. Vai entender o masoquismo humano... não é? Você se foi, mas o céu continua a brilhar, vejo uma nuvem em forma de anjo e as noites são como um quarto escuro. Coloco você na cápsula do Tempo, que já não existe, e me transporto para um espaço onde sou o próprio Saint Exupéry. Querendo voar, querendo ir-me embora para outro planeta.

17 comentários:

V. disse...

bonito isso

V. disse...

Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

Camões

Papagaio Mudo disse...

é... Camões... esse moço dominava a "língua do amor" como um tigre da sabedoria.

>¨<

ps: eu sou uma sombra...

Papagaio Mudo disse...

apenas.

roserouge disse...

AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luiz Vaz de Camões

Papagaio Mudo disse...

Roserouge!

Como vai? essa então.. é matadoura!
Respeito ao grande mestre...
Quem tu preferes: Eça de Queiroz, português, ou Machado de Assis?
Beijos,

>¨<

roserouge disse...

Eça, para sempre. Lês um livro do Eça e parece que foi escrito ontem. Desde os conceitos ao vocabulário. O homem era brilhante! Intemporal! Machado de Assis conheço muito pouco. Mas adoro Drummond de Andrade.
E, para além de sofrer, que tens feito mais?

renata.ferri disse...

Vai manchando aí os seus lençóis que depois a mamãe lava.
Tem dias que a noite é foda.
E o amor florece, injustamente, para aqueles que exercitam o desprezo.
Não subestimem meu guru, apenas porque ele está de pijama.

roserouge é tuga, né?

beijo

Papagaio Mudo disse...

tuga? was ist das?

Além de sofrer, estou a produzir um grande evento (feira, mostra) de moda.
Ufa...

>¨<

ps: beijos, roserouge.

roserouge disse...

"Tuga" é o short de portuga. Sou tuga, sim.
Também sei o que é sofrer por amor. Dói como o caralho. E só te endurece a alma e te torna mais cínico. Fazer o quê?
Vai ver o meu post de hoje, vais gostar.
Bjs, Gustavo

Halema Maya disse...

" Ah, três vezes maldito o amor que me avassala e me obriga a viver dentro de um pesadelo.

Louco......

Por toda a parte ouvindo a tua fala, vendo por toda a parte a cor de seu cabelo

Hei sempre de te ver: tudo fala de ti, tudo lembra o fulgor dos teus olhos amados...

e ecoam dentro de mim as palavras cruéis e tristes que te ouvi...

Oh!! Que febre mortal ruge dentro de mim, atropela- me o sangue e incendeia a face ....
Antes eu nunca te visse, antes eu nunca te amasse, porque livre do amor, não sofreria assim..."

(Olavo Bilac)

Para você

Anônimo disse...

acho que você devia publicar todos esses comentários!!

seu texto é lindo e inspirou os outros a também escrever/citar sobre esse tema tão "lugar comum"...

Parabéns!

thais disse...

Ë bom morrer sabendo o final da história.
"o último desejo é o amor", e não se pode negar os sonhos, a vida e a modificação que ele nos trás ao esperar, enquanto se está na chama viva dessa ação.
ora, ora. Tudo se torna um companhia para que está, ali. A lua o brilho, tudo ocupa a alma amada e amante até o que o descanso venha.
Ai de quem nunca amou!

thais disse...

ps: vc voltou com a pontuação?

Papagaio Mudo disse...

zehn und fünf, nein aber, Weik, ich weiss es nicht...
15

>¨<

Papagaio Mudo disse...

halena maya,

me disseram hoje que você era um personagem criado por mim, fruto da minha imaginação, manifestações patológicas do meu alter-ego.
por favor, solucione esta questão.
Abs,

>¨<

Halema Maya disse...

Claro que não hora bolas
Você não tem tanta consciência sobre si mesmo
podem ter certeza