domingo, março 28, 2010

nada(s)


Aos trinta e dois anos, chego à idade do mais racional do que emocional. Bom pra mim... A idade da razão. Uma batalha comigo mesmo. Um conflito, com todos os meus vícios e uma tentativa de reformular. "Obrigado" a reformular. Obrigado por reformular a minha vida. A metafísica não vai te ajudar. A razão se espalha, mas o sentimento une. Por isso, me desligar de fatos emocionais e travar firmemente essa batalha. Deixo ir com as águas do rio todo tempo perdido. Tempo em que eu andei perdido. Ensandecido, revoltado, bêbado. Todas essas “fases” são fãs da embriaguez. A ninez ou infância. Coloca-nos outra vez na Zona de Conforto... Lá onde ele mora não precisa disso. Faz calor vinte e quatro horas por dia. Aqui estamos na região de conforto, mas desconfortáveis. Felizes em poder passar por essa provação (espero que passe). Coloco-te dentro de uma das minhas caixinhas. Como uma história que escrevemos juntos. Pulsão de morte, pulsão de vida se misturam, como enterrar um vivo. Há seis anos vivo somente com a figura do meu pai. Que fôssemos felizes todos juntos. Lembro agora de algum livro budista que dizia algo mais ou menos assim “não se deve fugir do ‘problema’ quando ele surge. Ele virá te procurar à noite e te incomodar. Conheça cada detalhe e alivia tua mente” não sei se é isso mesmo, mas é isso mesmo que eu faço para suavizar minha dor, minha dor metafísica. Pasto de ruínas te afiavas, para os breves sonhos indecisos. Pensamento de fronte, luz de ontem. Índices e sinais do acaso. O quê eu descobri sobre o silêncio? O hipertexto talvez. Ou talvez mais do que isso. Descobri existir, ser, ter que ser, e viver em uma ilha deserta, cercado de água, e o poder que a terra lhe atribui. Movimentos sísmicos. Encontros cósmicos. Decido sublimar um Nada existencial. Mais do que um Nada subjetivo. E lanço minha última flecha “é preciso naufragar nos próprios erros para conhecer o certo”. A arte cavalheiresca do arqueiro Zen. Estranha sensibilidade que anda e fala. Cala a passarada seus tristes queixumes... Ó cruel saudade que ri e que chora. Talvez seja apenas mais uma personagem "efêmera" da minha trama. A ilha mais deserta do mundo. Nunca será igual. Porque essa minha resistência ao passado? Mudanças espero, é ter esperanças... não percebeu que eu estava sofrendo, perdido. Salve o sagrado direito se retrair e não se expôr ao ridículo.

3 comentários:

Nydia Bonetti disse...

Eu precisei me aproximar dos 50 e perder meu pai, para dar os primeiros passos na idade da razão. Gustavo, teus textos me impressionam. Primorosos, em todos os sentidos. abraços.

Papagaio Mudo disse...

nada em petit poranga
erros no aravalo

beijos Nydia

non-sense Gustavo

Papagaio Mudo disse...

um olhar sobre o nada.
obrigado, Nydia afinal,

Gus