sábado, outubro 31, 2009


Embora seja uma festa pagã, a palavra "Halloween" tem origem na expressão "All Hallow's Eve", que significa "véspera de todos os santos", uma vez que se refere à noite de 31 de Outubro, véspera do Dia de Todos os Santos. (da série Cultura Sem Muita Utilidade cedido pela International-Useless-Culture-Associated-express)
prepare-se para mor...

sexta-feira, outubro 30, 2009

Bilhete fraternal, talvez útil


destinado a Maysa, que teria tentado o suicídio, de onde retiro o seguinte trecho: "O suicídio é uma desforra, e este é o seu lado fascinante. Mas o suicídio contém a morte, e este é o seu defeito irreparável. Nunca morrer hoje, quando se pode morrer amanhã... ou daqui a cem anos. Há muito o que ver e sentir, há muito o que amar! Em mim e em meus semelhantes mais intranqüilos haverá, um dia, aquela manhã clara e azul, e, com os olhos da alma sossegada, veremos toda a beleza da rosa, toda a luz do lago duro e prisioneiro, o sopro da manhã cheia de pássaros, o convite do amor no ser que passa. (...) Viva, sem a nervosia de procurar-se a si mesma, porque cada um de nós é um perdido, um ilustre perdido na humanidade vária e numerosa."

Antônio Maria

Sim,

... eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer correndo os corredores em silêncio Perder as paredes
aparentes de o edifício Penetrar no labirinto O labirinto de labirintos
Dentro do apartamento Sim eu poderia
procurar por dentro a casa Cruzar uma por uma as sete portas,
as sete moradas Na sala receber o beijo frio em
minha boca Beijo de uma deusa morta Deus morto,
fêmea de língua gelada Língua gelada como nada Sim,
eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada uma matar um membro da família Até que a plenitude e a
morte coincidissem um dia O que aconteceria de qualquer jeito
Mas eu prefiro abrir as janelas prá que
entrem todos os insetos

quinta-feira, outubro 29, 2009

suave vendaval


O que quer que me possua, ignore. Você me possui mais.

Dr. Fraseado


Agora sim, um nariz de pinguim. Já não andei léguas nem chupei línguas não lambi pregas nem vulvas não peguei as uvas, porque elas estavam verdes. Agora sim não tenho nada a temer, senão a morte. Mas enfim, o quê nos impulsiona a viver, senão a morte? Tópicos, psicotrópicos, adrenalina, barbitúricos, alcalóides, alucinógenos, paroxetina, fluoxetina, efedrina benzedrina, choques de insulina, paroxítonas?, vogais?, paradoxos? Nada faz sentido percebe?, nada significa sem você aí, do outro lado da linha. Faço-te sentir menos sozinha. Quando o encontro de palavras significaria menos do que as tônicas vocais de Artaud evocando um mantra shamanístico. Artaud, pelo que eu entendi, disse-me que Deus nos coloca dentro desse corpo em que fomos obrigados (ênfase nessa palavra) a dar cuidados físicos e mentais, a evoluir entorno da realidade que nos cerca. Mas qual entorno? qual realidade? Em volta de quê senão de mim mesmo? Amor? Não sei o que cada um, nem minha companheira, nem minha mãe, nem a possível pessoa mais ou menos próxima objetiva. A cada segundo, micro-milésimo de segundo, essa contagem inútil, a quântica Teoria do Caos diz que nós mesmos influímos sobre o passado e um dado futuro sobre o qual sou quanticamente incapaz de explicar, não sei, não sei o que é não, sei qual futuro é esse, pois é preciso conceber a matéria metafisicamente. Putz. Não deve ser tão difícil, pensando que os astrofísicos o fazem. Imaginar ser real coisas imagináveis. Inimaginável?, real?, ainda somos escravos da terceira dimensão. Já estamos mandando informações para a Bolas de Valores, através de mega computadores,em velocidade gigantesca. Eu pergunto, existe ainda tempo? Pode ser, mas essa, considero uma das provas irrefutáveis de que o Tempo pode ser programado para ser micronizado. O que a filósofa sul-africana, Ouka Lelee chamou de super-rapid-delay – que traduzido “ao pé da letra” seria super-rápido-atraso, mas perde o sentido do que pretende dizer. Pois é então. Fazer que o futuro chegue logo nem sempre é solução. Quando assim um novo cotidiano se descortina a sua frente, seja de crise ou seja de bonança, sua mente muda. Se você não se despe for dento diariamente, consegue conviver com o próximo. Verdades e realidades mudam. A linha tênue, frágil, quebradiça e retrátil de realidades muda a cada instante e repentinamente bum! Chegou o Tempo, foi-se a hora. Viveu até morrer. Como? Aí mora o julgo divino ao qual Artaud nos alertou. Imagino o mundo sem os mórmons mas não consigo imaginar um mundo sem os Momos e o idiota de aldeia... não seria mundo. Uma saraivada de palmas ao humor.

Jamaica Etiópia...


“Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada, enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria em qualquer nação, enquanto a cor da pele de uma pessoa não for mais importante que a cor dos seus olhos, enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida, mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal” Selassie

Nepal



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Sadu quer dizer "homem santo”. São muito respeitados na Índia e Nepal. Há sadus que roubam pessoas também. Em geral, todos eles fumam maconha. Os sadus são ascetas, renunciam ao mundo material e vivem apenas dedicados à divindade que escolhem. Alguns sadus sao iogues... Isso é uma coisa que me surpreende na Índia, há muita maconha, mesmo assim ela é ilegal. Exceto para os sadus.

Brasil


Ayahuasca é uma das várias infusões psicoativas preparadas a partir do caapi, ou douradinho (Banisteriopsis caapi). Videiras geralmente misturadas com as folhas da dimetiltriptamina contendo espécies de arbustos do gênero Psychotria. Foi descrita pela primeira vez academicamente no começo de 1950 pelo etnobotânico de Harvard Richard Evans Schultes, que achou empregado para fins divinatórios e de cura por indígenas da Colômbia amazônica.

Holanda

O MDMA (ecstasy) foi sintetizado pela Merck em 1914 com a finalidade de ser usado como um supressor do apetite, mas nunca foi usado com essa finalidade. Somente em 1960 foi redescoberto sendo indicado como elevador do estado de ânimo e complemento nas psicoterapias. O uso recreativo surgiu em 1970 nos EUA. Em 1977 foi proibido no Reino Unido e em 1985 nos EUA. Em 1988 um estudo feito nos EUA mostrou que 40% dos estudantes universitários tinham feito uso do ecstasy no período de um ano antes da pesquisa, mostrando que o uso ilegal já estava disseminado, da mesma forma como aconteceu na Europa ocidental.


quarta-feira, outubro 28, 2009

Elogio da Loucura

“O Brave New World,

That has such people in’t”

A Tempestade - Shakespeare

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A loucura é aquela que mais se aproxima da ignorância humana. Aquela mesma que nos leva a ter fé e acreditar em mitos como a bondade humana. Uma loucura que até chega a ser inofensiva, que torna a vida minimamente mais agradável e o mais condizente possível com nossas aspirações mais alegres que deixamos na infância. A loucura, indignada com a abstenção de elogios a seu respeito, resolve por fim, elogiar a si própria e mostrar o quão presente está na vida da sociedade. Versando sobre os mínimos detalhes das ações humanas, ela mostra que está mais presente do que se imagina e revela-se de tal forma necessária e sedutora que acaba por atrair até a mesmo a sua simpatia. A loucura diz habitar o casamento, os filosofia, a ciência, as artes, a religião. Em ousada atitude, diz-se, inclusive, regente dos governos, da formação das cidades, das relações humanas e do senso comum. Diz que boa parte da sociedade tal como ela existe em seu tempo devido a sua presença. Os juristas, ao criar centenas de leis sem se preocupar com a relação que existiria ou não entre elas, estão embebidos na loucura. O aspecto encantador das crianças, que retarda todos a sua volta. A busca do jovem pelos prazeres da vida, a busca incessante por verdades e o “complexo de sábio” dos filósofos, as tentativas ridículas das mulheres para atrair os homens, a ignorância, a esperança, enfim, tudo isso existe graças à nada modesta loucura.

G.

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(Escrito em 1509 por Erasmo de Rotterdam e publicado em 1511, O Elogio da Loucura é considerado um dos mais influentes livros da civilização ocidental e um dos catalisadores da Reforma Protestante.)

terça-feira, outubro 27, 2009

saber lacônico
viver consiso
afônico sorriso

dez esilos para viver

sonhos

Hoje ando longe das páginas dos jornais. Não nasci noticiar, mas pra ser notícia. Nas páginas crônicas literária. Mas em Minas pra ser notícia basta ser diferente. Como não temos parâmetro, somos todos diferentes, portanto somos iguais na nossa diferença. Aqui individuo que se acha diferente é um artista em sua mais pura loucura ou em plena e absoluta sanidade mental. Ninguém é normal. Hoje se esbarra numa árvore caem de 10 a 20, 30 jornalistas e afins, doidos pra te pegar, sugar seu sangue. Antes, bem antes de aumentarmos o numero de jornalistas formados para 60% em dois anos, lá atrás.... quando subiam o viaduto do Santa Tereza, Drummond, Sabrino, Fonseca, e escreviam livros de poesia. Ah sim, nessa época eles não subiam em arvores. O jornalista nos dias atuais, só serve pra dar noticia. De preferência sem dar pitaco. O mito da objetividade, de atingir o Objeto, descrevendo foi desmascarado pelas segundas e quintas intenções dos jornais-empresa. É preciso ter um bom texto... saber vender a notícia, mas quando eles se metem a ser criativos, quase sempre dá errado. Esse é um texto opinativo. Há muito tempo opino muito pouco. Tenho opinado pouco e lido pouco também. O que é mal. Ao invés de cortar palavras tenho picado legumes, pra servir pra gente faminta no bistrô que eu arrendei - Piper Rubra veggi&vegan – tenho um contato tigresco com os herbívoros. Repórter investigativo de estruturas e métodos e formulários administrativos. Fazer o curso de jornalismo, assim como tantos, é querer não fazer nada, sair pela tangente ir pela beirada, abrir uma locadora ou uma banca de revistas. Já você, meu bem, vai se dar bem na Globo. Quem se forma em Direito, por exemplo, vai rivalizar a ida toda (útil). Eu faria outro ensaio sobre o sacerdócio de cada profissão, mas não agora, não hoje. Como ainda podem ser críveis as notícias? até mesmo as mais fatídicas, “fulano morreu” ponto. É muito chato se comunicar de outra forma que não seja a sua. Os jornalistas que admiráveis fizeram da sua, a linguagem alheia. Conjunta, porém estilizada. Não negaria as páginas policiais se me fosse dada uma pauta. Mas amanhã, ou invés de laudas, terei em mãos rúculas e alfafas, quiçá uma boa beterraba, um bom pedaço de abóbora, lentinhas rosas e... de quê vale a prosa?

segunda-feira, outubro 26, 2009

domingo, outubro 25, 2009

O Grande Prêmio

Tereza se entregava a Guido com a delicadeza das plantas. Quando sorriem na primavera e o sol que brilha e arde lá fora às pétalas de Tereza, dos pés à cabeça. Quando ela sente seu próprio cheio e o vento na varanda. Ao invés do cheiro de velho, cheiro azedo, amargo. Ela não ligava mais. Deixou de dar pra três meninos e passou a ser a mulher de velho, esposa-escrava. A tara de Tereza era se masturbar ao vento. Sem ninguém ver. Vendo os carros passando... nunca se sabia onde o velho estava. Faltava comida na casa. Pepe, ou Estaca, agora estava preso. Todos à procura do grande prêmio que a vida um dia ia lhes oferecer, enquanto seguia. As fontes de inspiração para seu prazer nas tardes em que ardia sem fazer alarde eram várias. Lembrava de cada gesto de cada homem que olhava seus peitos saltados do decote. Trazia do sertão a orfandade de pai. Rezava mas era safada como todo homem, imaginava. Era mais promíscua em pensamento do que santa na realidade diária. Era uma puta-santa prestes a se tornar puta de uma vez. Tereza tinha planos de cuidar do velho, mas conheceu a vida com Esmeraldina, uma putinha do pedaço. Foi por influência dela que vendeu seu corpo pela primeira. Vez por pobreza, por dinheiro. E os finais são assim mesmo, cortados.

Sinapse

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eu preciso de você
meu cérebro precisa
de você
meu corpo precisa
de você
-
preciso que você não
recapture a serotonina
-
deixa que ela flua legal
entre os meus neurônios
pro sangue fluir legal
-
nas minhas veias
pr'eu poder ser
um menino legal
-
por favor atenda o meu
pedido
-
Oxum maré que espanta
o mau olhado

sábado, outubro 24, 2009

viver a vida

Marc Chagal - geburtstag

Acordo para uma nova experiência. O dia. Dia após dia vivo as infinitudes da solidão. Sinto um vazio pela orfandade de meu pai. Sua joie é minha tristesse na região mais dolorida do coração. Mas conservo esse vazio para mim mesmo. E parece que finjo o tempo todo, disfarçamos. Há anos o problema persiste. A congruência de encontros parece já impossível. Então cresce desordenadamente. Faltam lágrimas já desidratadas. Por baixo de um manto de calmaria, carrego toda energia que me falta, feito uma bússola. Então almoço o mundo, engulo a cidade em pedaços, depois de dois ou três cafés pela manhã. A vida é um esporte movido a veneno. Converso com esse vazio que se expande. Mi dice che è triste che crece e non abbiamo fortuna, caduto dal cielo per la paura, pedaço de merda. Solidão a qual as mulheres estão acostumadas. Eu, termino aqui. Boa noite e bom domingo.

sexta-feira, outubro 23, 2009

A palavra hoje (?)

No conservatório na Suíça. O jovem Nicolas Economou encena um flerte rápido, captado pela câmera.

Mais um virtuose delicadamente enfurecido. Começou a tocar piano aos cinco anos de idade, e engraçado como as profissões (ou vontades frustradas) se definem aos sete anos de idade, segundo especialistas em psiquiatria neuro-linguística. O contato que o indivíduo tem com a cultura até essa idade é tipicamente marcada por projeções que quando adultos buscamos consciente ou inconscientemente, e muitas vezes não conseguimos. Concebemos a primeira vontade de prazer, ou pulsão de vida, mas não guiada por uma pulsão sexual, mas uma análise interpretativa muito mais abrangente. As definições freudianas ultrapassadas condizem com uma concernente realidade pos-moderna da auto-afetividade cujo indivíduo pós-moderno almeja, visto que cortou o cordão umbilical com suas múltiplas gerações de ancestralidade. A negação das gerações que fizeram (direta-indiretamente) você quem, ou quê você é. Seja de forma cultural adquirida, não-sanguínea. Salvo as patologias neurológicas genéticas. O dom quanto o anti-dom quanto forjados na primeira infância e que perdura durante certo período é desastroso ou excelente. Guardado o sentido relativo da palavra desastre, com o qual desastre pode ser reavaliado ser buscar distribuir “culpa” (cristã) ou atribuir demérito. Sete anos é a idade em que a criança deixa de “observar” apenas as vontades induzidas, mas também suas próprias e embrionárias vontades, que irão se manifestar (e influir diretamente sobre atitudes) com o decorrer dos anos. Mesmo na sociedade atual, na qual somos coagidos a ser quem, acreditam os apocalípticos e também creio eu, a agir, usar, falar, seguir os estereótipos, que (também em minha opinião) vem muito antes da Indústria Cultural, mas da Arte em si. Exemplo, a admiração pelos artistas da Renascença Italiana. Este exemplo de desejo de poder, de domínio sobre o adversário em prol dos louros da vitoria, seja ela alcançável ou supostamente intransponível, remonta aos jogos olímpicos da Grécia antiga, à rivalidade instituída por meio da palavra na democracia ateniense. O que, misteriosamente, leva-te a ser quem você é? Sem recorrer ao papai a mamãe as leis ou as transgressões... Quando Sólon Michaelides, célebre compositor cipriota, regente, musicólogo e amigo da família ouvi-lo tocar pela primeira vez, quando Nicolas ainda não havia sequer completado de sete anos, declarou: "Esta criança é uma benção para seus pais, para o Chipre e o Mundo". Por conta “aviso” e advertidos sobre o talento inato da criança, a formação musical Nicolas foi realizada nos mais nobres parâmetros. Essa declaração, somado a uma serie de fatores genéticos e biológicos, que a ciência ainda não desvendou, além dos fatores culturais, além do ânima que cada elemento possui, segundo a física quântica, e levando em consideração a questão dogmática: famílias espirituais, vidas passadas...

com um velho amigo Que Quais serão essas flores atrás? Bouganville? Rosas?
Reparem nas botas e no detalhe da cerveja

quinta-feira, outubro 22, 2009

verso agudo

Sonho velho guardado esquecido

como folha de papel amarelado

urra num canto da sala

um solo de piano jazzado

gargalha e canta encanecido

encanta seu suave gemido

cada gotinha de uma nota

Chiquinha

Assista aos dois Rios de Janeiro

.....

"... eu vim conquistar Paris"

Heitor Villa Lobos

quarta-feira, outubro 21, 2009

quando eu morri, Jimmy

__ E você? - perguntou Deus – com que música vai querer fazer a “passagem”?
__ Passagem? – perguntei de volta, meio sem saber. Sabendo que na língua “falada” não se “enxerga” aspas nem itálico, nem Maiúsculas nem parênteses.
__“Quanto custa? tem que pagar?” – uns gritavam lá da frente.
__“Vai demorar muito?” outros indagavam lá de trás e continuei minha entrevista.
__ Olha, nesse casso vou precisar da ajuda do Senhor – repliquei em desespero.
__ Ô meu querido, meu Filho agora está em outro cargo...
__ Mas Ele, por acaso, desempenha outra “função”? Tira férias, ou coisa assim, e vai pro Paraíso? (pensei que fosse um cargo honorário, pensei)...
__ Meu caro, qual música você vai querer no seu ritual de passagem? – explicou São Pedro, mediador da conversa nos “portões do céu” – ...na hora da sua “transição” – continuou meio exaltado – da carne para o espírito? – concluiu.
__ Eu posso escolher? (Mas à essa “hora” eu já estava morto e agora, tô aqui tentando entrar no céu, ou isso é só um sonho?) – eu suava frio. Qual música eu vou querer quando deixar o corpo material para viver no plano espiritual? Mais essa agora... – vocês vão “editar”?
__ filho, essa é sua ultima escolha carnal... Responde logo, p-o..! – e São Pedro quase fala um palavrão, pensei.
__ Tudo bem tudo bem! Suíte pra dois pianos do Rachmaninoff – enchi a boca pra falar.
__ Pede aquela do Ghost! - uma senhora tentava me induzir.
__ Se fosse eu, pedia uma música brasileira - dizia o outro em voz alta, tentando me recriminar.
__ Elitista! - alguém gritou.
__ Burguês! - essa eu vi.
__ Qual?
__ Qual o quê? - perguntei.
__ Qual Suíte?
__ Suíte número 1 Opus n.5 Rachmaninoff!
Péééééeeééemmmmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! soou uma sirene como se eu fosse ganhar um milhão, mas começou a melodia. O áudio era “divino”, Double Estéreo:
Pirilrim pirlim puppupupupupú papaprarararararã plrilim plrolo prlim...prolohm... Então eu me vi saindo do corpo, levitando, (me veio à cabeça a logomarca do YouTube) sendo carregado pelos braços por dois anjos fêmeos (um deles se parecia com a Brigite Bardô) sendo levado direto para alto das montanhas rochosas do Himalaia, lugar que eu sempre quis conhecer antes de “morrer”. Meu Deus! O Everest! – corta para uma cena que estou querendo copular com uma das anjas (a moreninha) e só encontro minha própria mão, então a outra diz em anjês –

__ Vamos “Petit”! – sim! então era “Petit” o nome dela.

__ E agora, o quê que eu faço?

__ ...

(Imagina se me deixam no Pão de Açúcar... achei melhor acordar, mas voltei a sonhar com os leões do Discovery Channel)

klein Löwe

segunda-feira, outubro 19, 2009

Bob Fischer

o gênio arrogante do xadrez



Sabem, eu não sei mais exatamente a quê se refere esse blog. Eu gosto de jogar xadrez. Acho que estou um pouco tomado por essa síndrome da loucura help-less. Esse menino jogou xadrez desde a barriga da mãe. Considerava o xadrez seu alter-ego. Sempre viveu sozinho e se converteu evangélico da Worldwide Church of God. Foi o primeiro campeão mundial americano quando ganhou um torneio de Spassky. Seu ego ficou maior do que ele mesmo, depois de “fazer história” nesse vídeo, ironicamente, em Iceland ou Islândia em plena Guerra Fria. Isolou-se do mundo e deixou a barba crescer... arquétipo de eremita.
dream Fischer

atenção homofóbicos distraídos, cuidado!

JeanGenet & HansKoechler 1983

benditas sejam as minhas mãos e os meus olhos para ver um mundo mais igual Ou talvez que nessa marginália o grotesco seja consagrado, o profano seja betibicado. Saint Genet, comédien et martyr, Jôta Pê Sartre. Viva a marginália poética e sem leis!
..
un chant d'amour par Jean Genet

Un extrait du Condamné à mort de Jean Genet lu par Mouloudji.

Saint Genet

Querelle
Rainer Werner Fassbinder nach Jean Genet

Jean Genet, um dos mais controversos dramaturgos modernos, suas inferências existencialistas no universo da dramaturgia, fazem como pano de fundo uma de suas obras, O Balcão e Querelle. Enquanto ainda hoje, vemos o mistério da marginália, voltamos a nos envolver com obras dessa “marginalia”, no âmbito dos vícios e das pulsões transgressoras, partindo das obras do Marquês de Sade, do Lord Byron, de Lautrèamont atentando à matéria desenvolvida no cerne da sociedade moderna/contemporânea, da qual emana na década de 1950, O Balcão. Jean Genet é um poeta que soube dar a marginalidade um lirismo poderoso. O próprio Genet representado em Diário de Um Ladrão como uma obra viva da revolta produzindo emanações de uma das mais ricas e complexas obras da literatura e do teatro moderno, o mais subversivo, depois de Sade. Sua poética dramática revela uma discussão autobiográfica que ao mesmo tempo analisa e cura, onde o mal pulsa, dilacera, satisfaz e encontra redenção. Genet em sua vida pessoal passou por um caminho de abandono e crime. Rejeitado pela mãe ao nascer, adotado em um orfanato, tudo ainda poderia ser diferente se não fosse procurado, em sua casa adotiva aos dez anos, por policiais que o levariam ao reformatório, de onde fugiria aos 20 anos para iniciar sua vida de pequenos crimes e prisões. Desde início de vida tumultuado, elabora para si mesmo, a primeira e fatal estratégia de sua vida, assumir a marginalidade, quer fosse ela verdadeiramente praticada por ele ou não. Assim, assumindo-se como marginal, passou a viver e experimentar a vida como tal, praticando crimes e sendo encarcerado várias vezes. Dessa vida de prisões pela Europa, onde passou a maior parte do tempo, e segundo ele “aprende a viver”, entende uma primeira espécie de determinação social: o homem é aquilo que faz, ou melhor, sua função social determina sua existência. Apreende isso de tal forma que resolve abandonar a sociedade que o abandonou em primeiro lugar, sendo marginal convicto, cuja função é permitir que outros o desprezem e recebam desprezo de volta.
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Genet, um passeio pelo código penal (Michael Foucalt à esquerda)

Porém, ainda na prisão, já na França invadida pelos alemães, encontra-se com a literatura através de presos políticos, intelectuais e artistas da época, na mesma situação de carceragem, e descobre-se um marginal poeta, cujo tema recorrente serão suas experiências transgressoras, suas prisões e desumanização/libertação, que mais tarde o conduzirão à redenção pela transcendência, nas repetidas exposições do tema em seus diversos romances e peças de teatro.

Em suas declarações ele diz que,

“A sociedade, tal como vocês a constituem, eu a odeio. Eu sempre a odiei e vomitei. (...) Desde que encontrei na literatura um exultório, meu ódio tomou uma outra forma, menos pessoal: ele não se traduz mais num impulso interior mais ou menos acidental, ele se deduz de uma filosofia aclarada pela experiência. De um rancor nasce uma idéia. E essa idéia torna-se, à medida que avanço dentro de minha obra, mais serena e mais indestrutível. Eu o sei, eu o testemunho: a ordem social não se mantém senão ao preço de uma infernal maldição que aflige os seres, dentre os quais os mais vis, os mais nulos estão próximos de mim – quer isso agrade a vocês ou não – que qualquer burguês virtuoso e assegurado. Para sempre eu me fiz intérprete dos dejetos humanos, dos resíduos que apodrecem nas prisões, debaixo das pontes, no fundo da fétida podridão das cidades”.

Genet, Jean. O Balcão. (São Paulo. Abril Cultural, 1976.)

domingo, outubro 18, 2009

O Grande Prêmio


O policial tombou desmaiado no chão de terra, com a cabeçada do Estaca, e acabou morrendo de forma tétrica, nos arredores daquela cidadezinha. As estacas estavam lá, os buracos preparados pra fazer a cerca, funcionou como uma arma medieval. “Grandes merdas” sair de um “cu do mundo” para outro. Pra ver essas cenas de bárbara violência que raramente aconteciam lá no sertão de onde ela vinha. Lá só se matava calango, e pra comer. Uns tão grandes que alimentavam até a família do vizinho. Mas mesmo no meio disso tudo, a alma de Tereza chorava de satisfação por estar um lugar pouco mais civilizado. Pra se ter noção ela, quando chegou, nunca tinha visto um celular. Aquela era uma vida nova pra ela e não era difícil esquecer a aridez do agreste cearense... Um dia de sábado, quando tudo tudo acontece, a vida a paz o vicio e a guerra, a morte. Eles não tinham noção do próprio corpo, os meninos. Eles dançam, os meninos dançam e todo mundo dança no sábado à noite. Essa era uma enorme diversão pra Tereza que já não agüentava mais dançar forró e foi introduzida ao funk carioca, a coisa mais lasciva que já tinha visto. Pepe, o mais velho comandava a turma e cuidava de Tereza quando saiam todos juntos. o velho Guido, um italiano da Calábria que saiu de sua terra com quanta anos e casou com uma brasileira do nordeste. Maria da Lua morreu logo depois de dar a luz ao terceiro filho. Acontece que um dia um dia o velho chegou a casa e pegou em flagrante os três meninos. Eles tentando executar um plano, o plano de tomarem a força a ultima gota de dignidade de Tereza, eles tentavam estuprá-la. Guido pegou o 38 que guardava embaixo do colchão e se enfureceu com aquela cena. Em sua fúria de bêbado deu um tiro na cabeça do cachorro da casa, que não parava de latir, enquanto o velho vociferava. A partir desse dia, Tereza passou a dormir na cama de Guido. E a vida seguiu como antes.



crônica, Louco Abreu


Miles Davis

some day all wishes will come true

sábado, outubro 17, 2009

cut-troats glu-glu

Não apenas por ele. Crônica da manhã em um prédio inacabado agora nos ouve mais além pensando, desde que mudamos fui comprar cigarros e contava histórias expressivas do século, mas ate o fim da tarde a abrigar sonhos, dramas, vida e perspectiva. Mãe que um dia quis ser com alguém, porque minha mãe ela... isso me sensibilizou não mais como artista. Protetora, se esconde em memória dos que passaram através do seu corpo. Erigido pastava encadeado sem pintar as cores mais. Citado como exemplo, sombra da minha sombra uma dose de loucura tingida pelas dores, traumas, romance e birita na Semana-Trem-do-Horror por ter sido considerado Rimbaud e outras como nesse infinito passar de horas na disposição aleatória de um pingo de tinta na alma por aqui, uma gota. Ora, se não há sentada na mesa como personalidade mais do que a vida, condensar esse teto que me abriga ao tempo quando tudo isso o meio andar me viu toparmos uma sociedade que julga o caráter sem ver e fez um dia especial para o desprezo, de segunda à sexta. Uma amiga, as paredes. Não ouso chamar uma outra mesma felicidade. Com sacanagem vão chamar um pássaro livre. O pé, mas minha querida, somos a voracidade muito embora, paguei minha dívida com a irmã enclausurada de voracidade. Um Vogelfrei, um fora da lei nessa hora, direito, alto evoca ares frente a entregar as chaves que elas vieram buscar na sombra de mim. Aqui estou, do que delas próprias fazem causar efeito Tempo, à luz de mim noites adentros.

O Grande Prêmio


A casa cheirava de álcool, da sala até a cozinha. Havia apenas dois quartos. No primeiro, ao lado do banheiro dormiam os três meninos. Na sala, quase não havia nada além de uma TV (sempre ligada) uma cadeira ao lado de um monte de roupas, e um sofá. No outro quarto dormia o velho e Tereza, uma jovem de vinte quatro anos que não se sabe como fora morar lá. Parece que veio como uma sobrinha do interior, mas de sobrinha rapidamente s tornou amante. Começou quando seduziu seu primo mais novo, James. Quando James disse aos mais velhos, a libido se espalhou pela casa, e o cheiro de sexo passou a dividir lugar com o cheiro de álcool que pairava permanentemente. A moça sabia gostar do cão vira-lata que vivia com eles - Lilico. A libido, uma vez no corpo pueril, fazia os meninos sentirem algo sem saber o que, um odor, ver de viés uma bundinha, uma calcinha secando no banheiro fazia os hormônios eclodirem no corpo todo. O mais velho deles tinha dezesseis anos. O do meio, quatorze, e o mais novo, o pequeno Jim, tinha apenas onze quando Teresa apareceu do Nada com apenas uma muda de roupa avulsa, mais nada. Guido, "o velho", disse que uma tia distante mandara a menina de um lugar desconhecido, com nome difícil. Guaraci-ci... Guará-cipê-pá... Guaraci-pê... a curiosidade dos irmãos não era muita e ninguém se incomodou com a chegada da moça, mesmo sem saber de onde ela vinha, quem ela era. No segundo seguinte, já havia trepado com todos os irmãos. Cada um sabia seu momento, não brigavam. Desfrutavam da generosidade espontânea daquela mulher que não se parecia nada com eles. O velho sempre chegava bêbado da rua, trazia só amargura. Essa amargura fez os meninos se formarem, entretanto, nas pequenas artimanhas de uma quadrilha, um bando, um "bando de bairro". Depois que o mais velho, o “Estaca-Zero”, também conhecido só por “Estaca” (conseguiu esse apelido porque sempre dizia que ia recomeçar a vida da "estaca zero", mas o apelido pegou mesmo, quando matou um guarda com uma estaca afiada de fazer cerca. Fincou aquele padeço de pau no corpo do homem que estava derrubado no chão. A estaca perfurou sua barriga e ele teve uma morte violenta, ficou meia hora sangrando e balbuciando e praguejando, antes morrer com aquela coisa na barriga. Ficou ali até o dia seguinte, quando começou a feder.)...


Louco Abreu



......................,,,,,,,,,,,..................................(continua)

sexta-feira, outubro 16, 2009

Quando chegamos do Saara


Depois de viver a vida... No Egito ouvia-se um burburinho, um pequeno boato, um babado sobre um personagem mítico da antiguidade. Estava na boca do povo mas ninguém sabia o que era... Chegamos do Saara (mercado popular do Rio) e nada sabiam sobre Helena. A história apenas começara e Helena Negra já se casou, viajou em lua-de-mel, voltou, sofreu um acidente de barco (mas já se recuperou) e agora vai à Petra, a trabalho. Tristão está fazendo jus ao nome que recebeu de sua mãe. As mães são perdoáveis. Imperdoável é a velocidade com que Ovídio teria que escrever se fossem representar todas essas cenas, em apenas alguns episódios, no Grande Teatro de Atenas, em Atenas. É nessas horas é que se precisa de um bom roteirista. Um indivíduo de imaginação fértil e raciocínio ágil. Sagaz em sua sagacidade, sem pleonasmar ou criar neologismos. Que saibam conservar o modelo matriz de mulher aliado ao saber popular e ao gosto pelo romance e o drama. Homero, talvez, Plínio, Tibério? José de Alencar? Não, Manoel Carlos, o expert das grandes estrelas, criador do arquétipo moderno, grande autor da contemporaneidade. (entra bossa nova...) “sei lá... sei não... só sei que é preciso lálálá...” Repetição de velhas-norvas fórmulas, imbecilização das massas, os olimpianos, Max Horkheimer, Günter Jakobs, o funcionalismo.... Não há nada de criativo nos meios de comunicação.

Jung

inconsciente coletivo e arquétipos em Persona...

Elektra. O inconsciente coletivo equivale à uma forte tendência para sensibilizar-se com certos símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos, da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de instintos, também é provável que em nosso psiquismo exista um material psíquico com alguma analogia com os instintos. Talvez, as imagens arquetípicas sejam algo como que figurações dos próprios instintos, num nível mais sofisticado. Assim, não é mais arriscado admitir a hipótese do inconsciente coletivo, comum a toda a humanidade, do que admitir a existência instintos comuns a todos os seres vivos. O inconsciente coletivo é uma faixa repleta de material representativo de motivos de forte carga afetiva comum a toda a humanidade, como, por exemplo, a associação do feminino com características maternas e, ao mesmo tempo, em seu lado escuro, cruéis, ou a forte sensação intuitiva universal da existência de uma transcendência metaforicamente denominada “Deus”. A mãe boa, por exemplo, é um aspecto do arquétipo do feminino que pode ter a figura de uma deusa ou de uma fada, da mãe má, ou que pode possuir os traços de uma bruxa. A figura masculina poderá ter uma representação num sábio, que geralmente é representado por um ermitão. As figuras em si são os arquétipos, que nada mais são do que "corpos" que dão forma aos conteúdos que representam. O lado feminino positivo da natureza humana, acolhedor e carinhoso. Este mundo inconsciente, onde imperam os arquétipos, que nada mais são que recipientes de conteúdos ainda mais profundos e universais, pessoais subjetivos e conceituais.

Sobre conceitos universais

quinta-feira, outubro 15, 2009

da Servidão Junk

"of the Junk Bondage"

Não me olhe assim, diretamente. Não me olhe diretamente assim. O princípio fundamental do teorema devastado em sua base desorganiza a roda móvel dos esquemas. Eu representado pela cabeça de boi sonorizado que não cessa de repetir, Eu=Eu. O pouco profundo riacho, o Tempo como forma da interioridade na qual mergulha emerge a roda dos esquemas. As três idéias, ou ilusões de transcendência como grandes círculos girando no horizonte absoluto: Alma, Mundo e Deus. O Espaço como forma da exterioridade: margens e o fundo. As categorias como conceitos universais quatro grandes fios extensíveis e retráteis seguindo o movimento circular. Não me olhe de lado não esse olhar invisível. Caminhei dezenas de séculos até aqui para caminhar sobre a linha. Quando dezena de vezes tentou se desprender do corpo – a inevitável inconsolável dor da matéria, do vício, do amor. Consciência coletiva volve a ser destrutível, como em Roma antiga, como no antigo Egito. Não me venham os velhos mesmos contos recostar sobre nós, não me venham. A nota do violoncelo não me venha aos ouvidos nada que não seja bom pra se comer, que não seja perecível preciso comprar limões na feira, e pimenta, e abacaxi, preciso resgatar meus valores, buscar minha aura e meu tesouro no alto do pé de feijão e tomado por uma consciência de velocidade e pela fruição do Espaço, que pode ser contado, mesurado, captado, calculado e narrado e que ainda persiste entre nós esse vácuo. Não me venha desatinar os ouvidos. Venho através deste, trazer-lhe uma mensagem. No momento, temos mais fome do que dinheiro.

“a mosca”

pop-up menu


Eu realmente senti que quebrar-vos a atmosfera em torno de mim, fez um vácuo que me permita avançar, para dar o espaço de um espaço em que eu não nasci em quem ainda o poder silencioso, uma germinação virtual que nasceu elaborada pelo lugar Sofrer. Coloco-me neste estado, muitas vezes, não absurdo de tentar criar em mim, pensei. Somos poucos, naqueles dias que queria ter para tentar coisas que criam espaços para viver os espaços que nasceram intangíveis, e parecia não encontrar um lugar no espaço. Eu sempre impressionado com a obstinação da mente de querer pensar em dimensões e espaços, e em um conjunto arbitrário de estado de coisas para pensar, a pensar em segmentos, que cada modo de ser implica fixar comunicações em um começo. Que o pensamento não é instantânea e ininterruptamente com as coisas, mas essa fixação e a do congelamento, este tipo de configuração de lâmina de monumentos, ocorrendo, uma vez que antes do pensamento. Esta é, obviamente, boa para se criar. Sinto certa totalidade insolúvel, refiro-me a sensação que, certamente, não morde. E eu, ao longo destes acontecimentos sensacionais, estou em estado de choque menor, eu imaginaria uma massa mental enterrada em algum lugar que se tornou virtual.

Nardis

... played by Bill Evans. Um pouco de cool jazz para acalmar a produção de signos infinitos.

“Bosch - o mestre dos monstros... o descobridor do inconsciente."

Carl Gustav Jung

Bill Evans, Eddie Gomez, Alex Riel
Oslo TV Broadcast - October 28. 1966 "Live '66"

quarta-feira, outubro 14, 2009

cut-troats

“Melhor ser um covarde vivo do que um maluco morto.”
John Fante



Mais do que mover o mundo, mover a si mesmo. Dá a luz ao presente, e não às nuvens do presente. O andar iletrado de um projeto inacabado. Beijotes de primeiro amor correm seus lábios, mas não consigo avançar, portanto não alcanço valores e tampouco consigo tragar o néctar por mim mesmo, por mim mesmo depositado. Um método reflexivo, magister diabolus. Domina seus impulsos de morte! Vagando, flanando, observando do lado de fora de dentro de mim mesmo. Trocar a consciência velha pela nova. Como?



Pregúntale al Polvo

Moyen-jeu

Bispo branco

Seria uma espécie de jogo contra a Morte? mais do que tentar descobrir, ou já saber o que do lado de lá eles pensam de nós aqui, sua estratégia. É pulsar incessantemente.


Rainha branca

Mais do tentar conquistar o inimigo, do ponto de vista ideológico, é agregar o seu ponto de vista pessoal ao prisma (semi-)ótico para além das 64 peças do tabuleiro.


Bispo branco

Seria o tabuleiro branco com peças negras ou negro com peças brancas, vossa Alteza?


Rainha branca

Costumava ser de outra cor com casas negras e brancas. Agora, a amninosidade que paira além do tabuleiro é cor insossa dos olhos sonsas do enxadrista.


...de repente o Cavalo do adversário interveio na conversa, pulando e comendo um Peão e quase açoitando a Rainha, que permanecia como q absorta em seis movimentos em sua imponência de poder, de poder mover-se quase livremente e impor mais medo do que os outros personagens da partida.


Cavalo negro

Iiiiiihhhhhrúrúrúhm... – disse o bichano, todo enérgico.


Rei Negro

Foi o que eu pensei - disse o rei - essa tal de pós-modernidade inédita, multifocal cinza e colorida, porém com mais iças ou aço, destroços, bagaço ou patologias.


Peão negro

Ei zunzunzum de abelha! – evocando um orixá com um ponto de umbanda – Evoé! meu pai Oxossi, Oxalá mandou dizer. “... vai matar vai fazer zunzunzum”


Peão branco

Ups! comeram-me...

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(o Bispo banco já tinha uma estratégia)

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Bispo branco

Sai satanás sai Exú sai desse corpo que não te pertence – comportando-se assim foi diagnosticado como bipolar, cilcotímico, mas continuou – Em o nome... – pulou verticalmente, pois era a única saída, sobre o Cavalo negro e gritou – do Senhor!

.....

E os peões bancos gritaram – Aleluia!!! – em uníssono.

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Coro de peões brancos

Somos em 4, Senhor

mas vamos depositar nossas vidas na fogueira sagraaaada!

.....

A Rainha negra tomada de toda calma, quase inefável, quase infalível, que as torres começassem a trabalhar. O Rei, com seu passinho de chinês, não podia fazer quase nada. Talvez, embaixo de sua impotência e fragilidade, houvesse uma pequena arma, quase nitidamente inesperada. Os peões brancos já estavam entregues nesse meio de jogo. Estavam avançados os que continuavam sobre o tabuleiro, estavam “mortos” e momentaneamente fora do jogo, até que o jogo acabasse e começasse de novo. Segundo os cientistas russos que analisaram a partida, era exatamente isso que pensava Kasparov enquanto perdia para Karpov, em 1972.

Então eram todos colocados num mesmo caixote retangular que ele mesmo servia como table de jeu. Jeu de table. Assim, alguns minutos de daydreaming se passaram.

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O Rei branco sentiu por instinto, que ia ser derrubado. Por instantes, observou de-longe se-aproximar. E respirou fundo como quem toma ar:

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Rei branco

Omã, deus do Xadrez, esqueceu-se de nós – e dito isso o sol se pôs timidamente assim como surgiu na alvorada, esplandecente.

mudando de assunto


Um pirata, como um louco nessa ilha chamada quarto. Está presente no sonho a vontade até de modo absurdo, até o ponto de negar o possível, até uma espécie de transmutação da mentira com a qual se refaz a verdade, inspira os pensamentos. Despertar desse sonho faz agir de forma louca, de ordem delirante, absurda, imbecil. Se eu pensar que sou inútil, serei realmente inútil. Se pensar é inútil, posso lentamente despertar signos infinitos, que poderão ser infinitamente interpretados, ou seriam apenas representamens. Mas, como vocês sabem, o futebol é uma caixinha de surpresas... Sociedades desenvolvidas pós Revolução Industrial caracterizam a Modernidade. Pós-modernidade é a condição sócio-cultural e estética do capitalismo contemporâneo, também denominado pós-industrial. A subversiva, desconhecida, temida e mal-falada Pós-modernidade é o estado de realidade que paira sobre a sociedade pós-industrial (ou seja, sociedade pós-moderna) nos quais baseamos nossa consciência e ações. O estudo da pós-modernidade é uma “pedra no sapato” dos acadêmicos que ensinam os autores modernos, enquanto vivemos “a pleno vapor”, ou em ritmo acelerado onde a invenção da “máquina a vapor” se mistura com as instruções quiçá de como construí-lo. Sócio-culturalmente, esse enorme arquivo áudio-visual disponível ao click da pesquisa, influi na globalização do terrorismo e da pedofilia, por exemplo. Nem todos os padres são pedófilos, alguns também são assassinos cruéis e obscurecidos. Outros são portadores e pregadores de um conhecimento secular para povos secularizados. Apesar das homenagens “rendidas” a Galileo Galilei. A por.. da pós-modernidade é que ela se rejubila com nossas caras de aflito. Com os cineastas exigindo uma banca de avaliação do cinema digital no Brasil. Não podemos submeter a Lei de Incentivo à Cultura à métodos e conceitualismo, nem tampouco deixar que a minha dentista tenha acesso a esse beneficio. Mas como provar a legitimidade do conceito, estritu sensu, de Arte? Pequeno problema para quem enxerga um tolerável e simples “adendo” acadêmico que pode ser visto como por consequência da vida pós-moderna, nas investigações de gênero e multiculturalismo. Problema nenhum para quem não enxerga, para não ouve, mas não entende bem as palavras. Gera, pois, na metafísica uma situação de crise e perda de legitimidade das meta-narrativas, dos discursos últimos que sustentam discursos menos fundamentais. Na medida incomensurável em que sentimos e podemos transgredir o moderno e redefinir estados de percepção de novos signos.
__ mas afinal, o que é mesmo a pós-modernidade? - perguntou o Bispo.
__ é o que vivemos, anestesiadamdente - respondeu a Rainha - é uma espécie de ouvir daqui o que eles falam da gente lá...

Dinosauria, We

Há um ruído, entre múltiplos ruídos (tradução-linguaguem-imagem), entre o poema original e a forma que Bukowski recita, mudando a segunda e a quarta estrofe.

Dinosauria, We
...

Born like this
Into this
As the chalk faces smile
As Mrs. Death laughs
As the elevators break
As political landscapes dissolve
As the supermarket bag boy holds a college degree
As the oily fish spit out their oily prey
As the sun is masked
We are
Born like this
Into this
Into these carefully mad wars
Into the sight of broken factory windows of emptiness
Into bars where people no longer speak to each other
Into fist fights that end as shootings and knifings
Born into this
Into hospitals which are so expensive that it’s cheaper to die
Into lawyers who charge so much it’s cheaper to plead guilty
Into a country where the jails are full and the madhouses closed
Into a place where the masses elevate fools into rich heroes
Born into this
Walking and living through this
Dying because of this
Muted because of this
Castrated
Debauched
Disinherited
Because of this
Fooled by this
Used by this
Pissed on by this
Made crazy and sick by this
Made violent
Made inhuman
By this
The heart is blackened
The fingers reach for the throat
The gun
The knife
The bomb
The fingers reach toward an unresponsive god
The fingers reach for the bottle
The pill
The powder
We are born into this sorrowful deadliness
We are born into a government 60 years in debt
That soon will be unable to even pay the interest on that debt
And the banks will burn
Money will be useless
There will be open and unpunished murder in the streets
It will be guns and roving mobs
Land will be useless
Food will become a diminishing return
Nuclear power will be taken over by the many
Explosions will continually shake the earth
Radiated robot men will stalk each other
The rich and the chosen will watch from space platforms
Dante’s Inferno will be made to look like a children’s playground
The sun will not be seen and it will always be night
Trees will die
All vegetation will die
Radiated men will eat the flesh of radiated men
The sea will be poisoned
The lakes and rivers will vanish
Rain will be the new gold
The rotting bodies of men and animals will stink in the dark wind
The last few survivors will be overtaken by new and hideous diseases
And the space platforms will be destroyed by attrition
The petering out of supplies
The natural effect of general decay
And there will be the most beautiful silence never heard
Born out of that.
The sun still hidden there
Awaiting the next chapter.

terça-feira, outubro 13, 2009

William Burroughs about Doc.

Burroughs foi para o Tahoma, México, para se dedicar ao uso de heroína.
Matou acidentalmente
a esposa, com um revólver calibre 38. Ao brinacarem de Guilherme & Tell, ele errou a maçã.

domingo, outubro 11, 2009

"Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.
Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.

Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre morto.

Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.

Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.

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Carta às Escolas de Buda

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[de Cartas aos Poderes]

Antonin Artaud

Vós que não estais na carne, que sabeis em que ponto de sua trajetória carnal, de seu vai e vem insensato, a alma encontra o verbo absoluto, a palavra nova, a terra interior. Vós que sabeis como alguém dá voltas no pensamento e como o espírito pode salvar-se de si mesmo. Vós que sois interiores de vós mesmos, que já não tendes um espírito ao nível da carne: aqui há mãos que não se limitam a tomar, cérebros que vêem alem de um bosque de tetos, de um florescer de fachadas, de um povo de rodas, de uma atividade de fogo e de mármores. Ainda que avance esse povo do ferro, ainda que avancem as palavras escritas com a velocidade da luz, ainda que avancem os sexos um até o outro com a violência de um canhonaço, o que haverá mudado nas rotas da alma, o que nos espasmos do coração, na insatisfação do espírito?

Por isso, lança às águas todos esses brancos que chegam com suas cabeças pequenas e seus espíritos já manejados. È necessário agora que esses cachorros nos ouçam. Não falamos do velho mal humano. Nosso espírito sofre de outras necessidades que as inerentes à vida. Sofremos de uma podridão, a podridão da Razão. A lógica Europa esmaga sem cessar o espírito entre os martelos de dois fins opostos, abre o espírito e volta a fechá-lo. Porem agora, o estrangulamento chegou ao cumulo, já faz demasiado tempo que padecemos sob seu jugo.

O espírito é maior que o espírito, as metamorfoses da vida da vida são múltiplas. Como vós, rechaçamos o progresso: vinde, deitemos abaixo nossas moradas. Que continuem ainda nossos escribas escrevendo, nossos jornalistas cacarejando, nossos críticos resmungando, nossos agiotas roubando com seus moldes de rapina, nossos políticos arengando e nossos assassinos legais incubando seus crimes em paz. Nós sabemos - sabemos muito bem - o que è a nossa vida. Nossos escritores, nossos pensadores, nossos doutores, nossos charlatães coincidem nisto: em frustrar a vida.

Que todos estes escribas cuspam sobre nós, que nos cuspam por costume ou por mania, que nos cuspam porque são castrados de espírito, porque não podem perceber os matizes, os barros cristalinos, as terras giratórias onde o espírito elevado dos homens se transforma sem cessar. Nós captamos o pensamento melhor. Vinde. Salvai-nos destas larvas. Inventai para nós novas moradas.


La maladresse

Sobre o poema Le retour d'Artaud, le Momo
...............................................de Antonin Artaud
.............
Artaud “reivindicou” sua falta de jeito, que não foi uma falha técnica, mas a recusa do princípio do mesmo projeto, a rejeição da Escola de Arte de Arte e Belas Artes. O desenho não foi para sua representação, mas a retomada de sua alma, seu corpo e sua mão. Momo é o garoto ingênuo, ingênua, que nasceu em Marselha, o louco, o idiota da aldeia, que produziu este conjunto de desenhos que irá retornar ao MOMA. O momo é o doce, o doce e o Moma catalão são dinheiro, dinheiro. Ele comemora mumificado em risco rígido. É o julgamento da máquina que destrói, mas alimenta. É também o deus grego do ridículo, Momus, o bufão face cruel faz cara de mau em pleno vigor, o ritmo aterrorizante de sua respiração. Uma coisa que auto-gera, sem pai nem mãe, ele se transforma e pragueja maldições e insultos. Artaud nasceu duas vezes, uma em Marselha e outra na Grécia, e nasceu uma terceira vez. Durante os últimos dez anos, aprendeu uma língua pela língua, vociferando a glossolalia que produziu obras. Seu trabalho e seus pictogramas desafiam qualquer instituição.
~~

.
de acordo com Deleuze e Guattari, Antonin Artaud declara a guerra contra o corpo, sem receio de danos que podem ocorrer na cultura. Eles são o corpo sem corpo (o corpo de Artaud), ou seja, um conceito articulado com outros conceitos (em termos de consistência, signos, platôs). No corpo sem pesar o corpo dirigente de Deus. É ele que sofre. Quando os órgãos caem dentro destes relatórios é chamado de composição corporal. O deus dominante é um significado, uma história: “Você vai ser organizado, você será um corpo, você deve articular seu corpo, caso contrário você não será tão depravado. Você será significante e significado, intérprete e interpretado, caso contrário você não será um desvio. Você estará sujeito a ser definido como tal, caso contrário você será um vagabundo.”
......
."c
...
“Deus orientou-me na desesperação
como em uma constelação
de becos sem saída
dentro ds quais sua iluminação
culmina em mim,

Eu não posso nem morrer
nem viver, nem desejar morrer ou viver.
E todos os homens
são como eu.”
...................................Antonin Artaud.
.............................
momo (ô)
s. m.
1. Deus da sátira e do riso.
2. Filho do Sol e da Noite, segundo Hesíodo (Mit.).
3. Momice; representação mímica.
4. Farsa satírica.
5. Fig. Escárnio.

sábado, outubro 10, 2009

memória afetiva


meu caro Joaquim,
Hoje eu acordei sem o som dos pássaros que tanto me enchem o saco pela manhã. Que sonhava minha alma, vez passada. Ao sul de mim mesmo, fluxo migratório de toda merda. Pesseguinho uma vez me disse que eles acordam porque os filhotes acordam com fome. Então voam pra buscar algum petisco pros pequenos desorientados, que piam sem parar num frenesi manicomial. Depois que a mamãe ou o papai passarinho volta, eles (e eu) voltam a dormir. Sem intenções de despertar para a vida... Sem a emoção dos grandes vôos e pretensões escondidas na casaca, ou debaixo da asa. Luz desértica. Tento pintar uma cena da desolação com que escrevo.. No Egito antigo acreditavam ser o coração o órgão que “pensava” e não essa especiaria chamada cérebro. Doce zero. Eu precisava de uma flor de mandacaru, mas feel so lonely é tradição - não adianta sofrer por isso. A dura realidade. A vida acontece sem ensaio, sem estréia, sem coquetel de boas vindas sem bodas de neném nem santo roendo a madeira do altar. Os fatos foram me atropelando e deixaram as pernas mais dormentes mais adiante... meu destino espera, me aguarda, tenho fé. O dogma é superar o perigo constante de todas as coisas que eu não concordo. Cada um com a sua moral e falta-me algo imaterial. Anuir ao fato de que pertenço ao mundo é o maior dos dogmas. O que me cerca. Na ponta da sombra morra a luz da minha esperança. Gota de orvalho que caiu noite passada. Sopro da humidade dos mares sobre a euforbiácea. Adaptada às condições severas na origem, singularidades e flores maravilhosas. Eu precisava flor de maracatu. Parece tudo distante. Aos olhos, verso agudo, verso esdrúxulo, verso obtuso. Parece estar ali, lá longe. E essa longuidão não existe. Eu tenho as palavras afiadas num dia de domingo, a prece. Parece que as coisas são insólitas, você parece irascível pareço distante let’s good bye mas good bye eu já fico, constantemente. O limite da espera quando a noite vem, reclamando a presença daqueles que aqui gorjeiam e não gorjeiam como lá.
Meu coração é minha terra
onde voa passarada
minhas asas meus anjos

um vôo pífio...

sexta-feira, outubro 09, 2009

Howl

SANDUÍCHES DE REALIDADE

“Cadernos secretos rabiscados e páginas selvagens

batidas a máquina para meu próprio prazer”

.

Dedicado

ao Puro Imaginário

POETA

Gregory Corso

.

Peço-lhe que volte & fique contente .

.

Esta noite fiquei ligado na janela do meu apartamento

sentado às 3 da manhã

olhando incandescentes tochas azuis

embaixo a rua amplamente iluminada

densas sombras assomando no asfalto recém-colocado

andando penosamente no escuro

lixo cruelmente virado bastões & latase senhoras cansadas sentadas nos latões de lixo espanhol

calor mortal faz um mês

os hidrantes de incêndio tiveram um vazamento

hoje às 3 da tarde o sol numa neblina –

agora tudo escuro lá fora, um gato silencioso

atravessa a rua – eu mio

e ele olha para cima e passa poruma pilha de entulho no caminho

até o brilhante latão dourado de lixo

(fósforo de noite

E fedor do beco)

(ou então de lixo nas portas) – Acho que a América é um caos

A polícia atravanca as ruas com sua ansiedade

A viatura guincha & páraHoje uma mulher, 20 anos, bateu no irmão

que brincava com seus tijolos infantis

brincava com um enorme rochedo –

“Não faça isso agora! a polícia! a polícia!”

E não havia polícia lá –

Olho por cima do meu ombro –Um monte de lixo do outro lado.

Gás lacrimogêneo! Dinamite! Bigodes!

Deixei crescer a barba e carreguei adoráveis bombas,

Destruirei o mundo, me infiltrarei entre as

fendas da morte

e transformarei o universo – Há!

Tenho segredo, carregoSalames subversivos na Minha pasta amarrotada

“Alho, pobreza, um testamento para o céu,”

um estranho sonho em minha carne:

Nuvens radiantes, eu ouvi a voz de Deus no

meu sono, ou de Blake acordado¹, ou minha

própria ouo sonho de uma rotisseria de vacas mugindo –

e porcos grunhindo –O golpe de uma facada

um dedo decepado no meu cérebro –

umas poucas mortes que eu conheço –

Oh, irmãos na Láurea

Será o mundo real?Será a coroa de Louros uma piada ou uma coroa de espinhos?

Depressa, passa

pelo cuLá vou eu

Vem vapor

– a rua lá fora,

eu espreitando Nova York

O caminhão negro passa roncando &

vibrando fundo –

Que

....tal

.......se

.........os....

...........mundos

..............fossem

................uma

.................série

......,...........de degraus

................Que

..............tal

............se

..........os

.........degraus

.......se encontrassem

.....de novo

...na

Margem

– Deixando-nos voar como pássaros para dentro do Tempo

– olhos e faróis de carros –

A retração do vazio

dentro da Nebulosa

Essas Galáxias cruzam-se como roldanas & elas passam

como gás –Que florestas nascem.

..

15 de setembro, 1959

.

Allen Ginsberg

.

¹ de Blake acordado – alusão a sua iluminação de William Blake.