sábado, dezembro 31, 2011

Nota ao tempo





Poet code dress in the night of a blue







Não importa que nota se dá ao tempo, não há tempo, qualquer nota a qualquer momento se dá, no momento em que menos se espera vem a luz. A luz se ergue e se espalha por todo lugar, por todos os ares onde não há vazio. Todas as notas que existem para preencher o universo pluriverso multiverso polifônico. Leia do seu jeito, leia bêbado, leia Bakhtin. Leia-me. Sabe?, tem dia que a noite é só uma uma só noite dentro da noite dos tempos, da noite dos séculos da noite que se aclara com o dia, com o sorriso of a dawn, com aurora, um novo alvorecer e passos que se perdem na memória. O encantador de cobras também sente dor e também sente o veneno da cobra, sua própria cobra, sua serpente, sua amiga, sua mulher. E o novo dia começa no mesmo dia e a melodia, ao meio dia, se esmera, se esvai e recomeça, dispersa em tudo que se viu ficou pra trás. Uma ronda, meia volta, volta e meia, todos vamos, vamos todos festejar, começar um novo plano, um novo trânsito lunar. Acenda uma vela pro seu Orixá.

sábado, dezembro 24, 2011

m la recherche de signes de vie




O exótico – normas e regras sociais




Meu texto criança. Hoje, dormir como anjo, e assim seguidamente até acabar... Quero noites de sono até que o sono passe, o ano passe e até que o último vento do cronômetro se esvaia. Não sou coleguinha, azar o meu, mas não troco provinha de matemática por um momento juntos. A cegueira me conquistou e a paixão é ver-se vencido na inocência real. Não analisa o real como real, mas como estético, como na viagem do xamã donde num movimento drástico, paradoxalmente, não se sai do lugar. As viagens xamanísticas são viagens verticais, para cima ou para dentro, e não horizontais, como a viagem do herói clássico. É por essa razão que aqueles que realizam tais viagens são xamãs, curas, poetas, padres e loucos porque, de algum modo, se dispuseram a chegar no fundo do poço de sua própria cultura. O caminho da marginalidade então se alimenta do sentimento de segregação, onde normalmente colocamos esse seleto grupo. Cuida bem do menininho...


segunda-feira, dezembro 19, 2011

A portuguesinha

O céu desabou sobre um ignoto ser como eu
sobre o verme sobre a terra puritana
sobre a cidade e sobre a mocidade





E as ciganinhas chacoalham suas castanholas
e as freiras comungam seu monastério
pela força da polifonia






o macarrônico ser literário
se transformou em
tédio

la desdicha de tu pena

ou

Limitando o pensamento a rimar artefatos agrilhofados em ruínas







Chuva quer cai sem parar dá um golpe na cidade e na mocidade. Vou voltar a ser cristão. A uma semana do primeiro sacrifício humano de Deus, do próprio Deus. Sigo garimpando ruínas. Estas na minha cabeça. Por sete anos a construí. Já lamentei a morte de muitos aléns. Desconstrução do que fui, do que sou, do que era, do lamentável da primavera. Cordélia morta, e o próprio de si incorpora rei Lear. Ninguém merece a desdita que invisivelmente cria para aventura humana.









abespinhado apenas


Verdade que a sombra da morte sinaliza a vida?
Acompanhar as campanhas do mundo, como?
Morte, filosofia e renascimento.
Se chegarmos à compreensão será o relâmpago de Deus.
Vou comprar um refrigerante...







Eu telefono em uma hora.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Vendo, vivendo e ouvindo







Esses últimos dias tem sido totalmente desencontrados, um chute na garganta. As coisas parecem estar em modo contínuo, aliás, acho que a própria vida é um moto continum até o último segundo. Percepções do real em torno das minhas divagações deixam de ser reais, mas eu continuo real e as coisas e a vida e tudo mais continua real, então, preciso abrir mais a janela e olhar por ela, olhar mais pro céu, comer mais feijão porque definitivamente “colocar a cabeça em ordem” nesse fim de ano vai ser impossível, impossível se eu não colocar todas as coisas maltratando e menosprezando a imagem uma coisa de cada vez, cada coisa em seu lugar, cada coisa na hora certa mesmo que o incerto esteja certo, não existe ensaio, nem pré-estreia, e de madrugada não adianta rolar na cama em cima dos problemas, ser, apenas ser, da forma mais pura e mais simples possível, da maneira mais branda, do modo menos caipora, e mais um ano vai-se embora, e mais uma vez e perco dentro de mim, mas o real continua real na forma tangível, moral, social, ética, real. É como um grande comprimido que se tem que engolir sem água e sem condições, mas livre, mesmo que preso à existência, mesmo que amarrado a mim mesmo, a esse corpo, os olhos de Camille Claudel, essa pele que habito, a treslinchar o que se passa comigo.

domingo, dezembro 11, 2011

Você sabe o que é Vegan?


Frente os ideais da nova geração de naturalistas sempre houve a busca pelo que pode ser mais saudável na alimentação diária. O termo inglês Vegan (pronuncia-se vígan) foi cunhado em 1944 numa reunião organizada pelo norte-americano Donald Watson e outra meia dúzia exata de pessoas, após desfiliarem-se da The Vegetarian Society por diferenças ideológicas, onde ficou decidido criar uma nova sociedade (The Vegan Society) e adotar um novo termo para definir a si próprios. Trata-se de uma corruptela da palavra "vegetarian". Ou seja, foi um termo criado para distinguir os vegans, ou veganos, dos vegetarianos.
Mas afinal, o que significa Vegan? O vegan ou veganismo difere do vegetarianismo por não aceitar nenhum tipo de produto de origem animal. É uma “filosofia”, ou um modo de pensar, que analisa a vida de uma forma um tanto simplificadora e cartesiana, o que eles chamam de "escolhas conectadas". Exemplo: florestas, que geram oxigênio, são arrasadas (o que não deixa de ser um crime ambiental que ainda gera a destruição do solo) para se plantar capim para as grandes criações de gado, e que, por sua vez, a flatulência bovina é um dos maiores agressores à camada de ozônio. O veganismo considera que não consumindo absolutamente nenhum produto de origem bovina (leite, manteiga, queijo) estarão boicotando a indústria, logo, contribuindo para a não devastação das florestas, logo, para a não criação de gado e logo, para a manutenção da camada de ozônio. Conseqüência: mais oxigênio e menos câncer de pele.
Deixar um legado de moral politicamente correto em termos ambientalistas e que vai refletir nos modos de vida das gerações vindouras parece uma lógica bastante assertiva, não fosse o fato de estarmos irremediavelmente ligados a subprodutos extraídos do boi que usamos em nosso dia-a-dia, mesmo sem saber. Veja no site da Embrapa em quê esses subprodutos bovinos nos auxiliam em uma percepção mais acurada do mundo real.
Haveríamos de mudar toda a base da pesquisa cientifica, da cadeia produtiva e da ciranda econômica para a geração de um terceiro milênio adequado à utopia vegana. Enquanto a prática mostra que “do boi se aproveita até o berro”.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Uivo para Caio Campos

E que entraram em um bar de cem mil cachaças e que beijaram a mão de Mao e da moreninha mas não deixaram de cruzar a linha do tempo do beat angelical e que sopraram velinhas de vinho Bourbon e caipirinhas com carne de cabrito e novela das oito, que se lamberam e se estruturaram em torno da paixão pelo ar e pela paixão pela simplicidade lama lama sabactani em um sentimento de Paeter Eternus Onipotentis, Deus. Que voaram na brisa de um saci de tanga vermelha dizendo que dirigem melhor que eu, mas que se dispuseram e se contra repuseram em tamanho real real real, mas nada foi demais, nada foi perfeito demais, nada mais foi perfeito porque Cherteston não estava presente e você não estava presente, mas enquanto você não estiver a salvo eu não estarei a salvo e agora nós todos, incluindo Bakhtin, está mergulhado no caldo animal total do tempo e os poetas ingleses não compareceram, mas mandaram dizer que nove entre dez poetas ingleses preferem o bar da moda à uma ode na madrugada, um pagode ou um recital total mental mas então se jogaram cada um para um lado, e deitaram e cambalearam e se dispuseram fazendo a rua de cama e a calcada de travesseiro, mas que se não for em frente o Stadt Jever ou o Outback não rola. E que passaram por lojas de conveniência e que a olho nu não conseguiam perceber que todo era tudo e tudo era nada mais que outro dia sem fim, sem ponto final, sem meio, menos mal, remelexo e recomeço.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

de um jeito silencioso






O dia foi calmo e silencioso.
Nada de palavras, vazio de tempo, reflexões em off.

Dia de restabelecimento, dia da santa
e a tarde passa como um vento.
shhhhhhhh...


A cama parece meu último refúgio
mas eu não conheço nenhum Jesus da Silva
e não sou capitão de nada.


Abespinhado apenas,
enquanto Açucena caminha sobre o abismo.

Um tiro no pé ou La puta madre!

Então começo minha lamúria. Talvez minha última lamúria, esse mundo me irrita profundamente mas eu suporto. Acham que eu tenho tudo que quero mas não é verdade. Tenho me matado e matado o amor e a amizade. Mas hoje quero paradoxalmente qualquer coisa, porque não quero mais viver. A vida pode ser boa, mas não está me fazendo "bem" sofrer. As coisas que fiz em beneficio de todos que me cercam não foram suficientes. Então foda-se o mundo. Paradoxalmente quero viver. Pessoas lindas foram levadas à morte pela dor da existência. Amy Winehouse. Creio que ninguém leu “Van Gogh – o suicidado pela sociedade” do Antonin Artaud e o próprio Artaud vinte anos preso em um hospício. Ninguém leu as Cartas do Asilo de Camille Claudel, que são uma ode à alma feminina. Ninguém sabe que Torquato Neto se matou por essa mesma dor, e também Ana Cristina César e também a poeta americana Sylvia Plath. Ninguém sabe que essa dor mata, parece. Quem mais? Ah, sim o próprio Hemingway se matou e uma centena de outros que nem sequer sabemos. Como? Não sei. Quero dormir em berço eterno, assim como Florbela Spanca.


Carta de Torquato para Hélio Oiticica.



"O chato, Hélio, aqui, é que ninguém mais tem opinião sobre coisa alguma. Todo mundo virou uma espécie de Capinam (esse é o único de quem eu não gosto mesmo: é muito burro e mesquinho), e o que eu chamo de conformismo geral é isso mesmo, a burrice, a queimação de fumo o dia inteiro, como se isso fosse curtição, aqui é escapismo, vanguardismo de Capinam que é o geral, enfim, poesia sem poesia, papo furado, ninguém está em jogo, uma droga. Tudo parado, odeio."






Torquato se matou um dia depois de seu 28º aniversário, em 1972.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Be a Vegetarian



Be a Vegetarian, a beautiful and silly little short by Serbian animation group GlossyRey. Follow that link to their site for some process artwork, including a look at the After Effects puppet rig for one of the characters.

Dia mundial da Sida

World Aids Day: meet Uganda's forgotten women – in pictures
To mark
World Aids Day, photographer Carol Allen Storey captures the beauty and resilience of the women of Hamukungu, a poverty-stricken fishing village in Uganda. All her subjects are widows driven into the sex trade, all living with HIV. They share the tragic circumstances of their lives with touching frankness.


Grace Mbabazi is 33 years old, a widow with three children


"I hunt for men and tell them I want sex. If you satisfy a man, you satisfy your hunger. Here in the village, virtually all the women are sex workers – even the grandmothers. We are desperate to feed our hungry children. My plan is to earn as much money as possible so that my children will attend school and not be illiterate"

O Livro dos Sonhos



AONDE VAI PARAR O ESPÍRITO DOS VIVOS? que sonhasse que percorro a Segunda Avenida em Nova York numa agradabilíssima noite de verão, entre luzes cintilantes, por bares onde sujeitos aglomerados assistem, todos de cerveja na mão, à luta de boxe na tevê, meninos brincam na rua e dão encontrões em mim, enquanto sigo adiante, arqueando os ombros para mostrar como sou machão – aonde? para que luz no fim do túnel? (pág. 195)

DESCEMOS PARA O INETRIOR DE GRUTAS DE areia subterrâneas na Índia, eu, duas mulheres e um menino – tem cobras birmanesas, ídolos – nos perdemos e não conseguimos achar a entrada de novo – fica tudo perto de Lowell – que nem bancos de areia – um anoitecer purpurino lá fora – (pág. 99)



Jack Kerouac, 1922/1969

quarta-feira, novembro 30, 2011

Dercy 101

"O mais te surpreende no povo brasileiro?" - pergunta o repórter.
“A cultura. A cultura e a educação do povo, porque ninguém tem e todo mundo dá.”
Dercy Gonçalves


A maior marginal do teatro brasileiro

Vox populi




Enfim, arrumei um trabalho de pesquisa que não requer muito do meu tempo. Meu tempo sagrado, meu tempo ocioso ou ativo, meu tempo minha igreja, meu tempo reflexivo. Refletir sobre a retórica do discuso político. A pesquisa nunca é confiável, nunca expressa, de fato, a “opinião pública”. Opinião significa doxa e não epistème, não é saber e ciência ao mesmo tempo. É simplesmente um “saber”, um opinar subjetivo para o qual não se exige comprovação. Contra Habermas, que sustenta que Locke, Hume e Rousseau forjam a “opinião pública” falseando e forçando a doxa platônica para significar um juízo racional. Essa tese não é aceitável pois todos os autores do iluminismo conheciam muito bem o grego. Disseram opinião, portanto, sabendo bem que doxa, na tradição filosófica, significa o oposto de verdade objetiva. A matemática não é opinião, do mesmo modo que podemos dizer que opinião não é uma verdade matemática. As opiniões são fracas e voláteis, mas ao contrário, quando se tornam convicções profundas e profundamente radicadas, então devem ser chamadas de crença, e nesse sentido, o problema muda. Quanto mais uma opinião fica exposta a fluxos de informações exógenas, provenientes do poder público, mediante órgãos de informação de massa, tanto mais a opinião de grupos sociais corre o risco de se tornar hetero-dirigida.

ma last zumzum

Existe algo de temeroso ou de temeridade em minha face, de libertário ou libertino. Existe essa incompreensão inútil de um filósofo de Bakhtin, esse malogro no olhar. Essa coragem de fera que espanta as gazelas. Esse lápis na mão, ou um cigarro. Esse véu que minha visão transpassa, essa esperança cheia de rendas, talvez indecifráveis. Existe algo que eu não compreendo, algum complexo de Goeben. Existe esse descompromisso com a vida, esse seu sorriso atento. Essa vontade de ir embora no momento certo, a qualquer momento. Esse algo que incomoda, e ao mesmo tempo emociona, pela dor e pelo amor. Embora inda haja tanto desalento. Liberdade!

segunda-feira, novembro 28, 2011

homenagem ao malandro






Não sei se você entenderia isso... Ouvir João Gilberto me dá um banzo danado, saudades de África... ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória. Uma “leseira” quase avant guard, o xique-xique de um pontinho de Nanã transformado em bossa nova. E daí? Daí eu penso em povos exóticos espalhados pelos cantões do mundo. Ai segunda-feira blues... nem todo céu é azul. Hoje uma chuva fina e intermitente encharcou a cidade. Lembro de você como ela agora. Toda molhada. Ah, solidão, é preciso perdão. Eu cansei definitivamente de tentar exortar a gradação cambiante de múltiplos matizes e tons de voz de um só enunciado. Agora eu vou fazer colagens. Vou vender bala no sinal.

domingo, novembro 27, 2011

João

Bakhtin





O mesmo mundo, quando correlacionado comigo e com o outro, recebe valorações diferentes, é determinado por diferentes quadros axiológicos. E essas diferenças são arquitetonicamente ativas, no sentido de que elas são constitutivas dos nossos atos (inclusive de nossos enunciados): é na contraposição de valores que os atos concretos se realizam; é no plano dessa contraposição axiológica (é no plano da alteridade, portanto) que cada um orienta seus atos.

Práticas antigas




Saudações,




O cheiro de madeira e o suor da minha barba lembram o sebo do casco do navio em que cruzei os oceanos da Imprudência e da causalidade impessoal, como ser mordido pela natureza, como um velho corsário. Sem a ironia que me é decorrente, mas se pretendes que façamos contato escrito novamente, deves aceitar o monstro vil que guardo. Ele faz parte de mim, sob a pele que habito, sob as cicatrizes que colheu pra si. Negá-lo é como deixar de ser, deixar de existir. Mas domá-lo, é como não ser vil diante da pequena ética dos costumes sociais.
Sobre a sereia, fizemos um grande banquete, como você sugeriu. A vez em que pareceu a estibordo, cintilava às últimas luzes do ocaso e a lua já começava a fulgurar, refletindo o mar em calmaria, seu canto a inebriar nossos ouvidos. Mas eu estava cego, como na noite da noite dos séculos.
Milhares de milhas náuticas navegadas, palmo a palmo, mas não apertaram a porca e a estrutura toda se partiu. Fiquei à deriva. Eu, meus monstros, meu anjo. Encharcados de nós mesmos e agarrados ao piano de salvação. Qual horizonte ilusório de mares desconhecidos me seduziu?

quinta-feira, novembro 24, 2011

para Marina

I told you I was trouble

Sabe, eu nunca sequer procurei saber da obra ou da vida dessa moça com figurino de pin-up, mas ao ver essas imagens, digo sinceramente que gostaria de te-la visto ao vivo. Amy tem a veia do soul e acho que cantando em sua casa, palco de um teatro londrino, ela está naturalmente leve e naturalmente livre. Reparem nos metais da banda. Especialmente o sax baixo. Veja também uma versão de Valerie desse mesmo show. Acho que ela vai figurar na história entre as grandes divas do soul e do jazz: Aretha Franklin, Etta Jones... Ela inclusive gravou algumas faixas ícone da soul music, como Don't go To Strangers e Stronger Than Me. Ela era mesmo uma natural woman.



Mutantis mutatis: introdução ao papel do ouvinte





Às vezes o grupo lingüístico é visto como uma certa personalidade coletiva e se lhe dá grande importância (entre os representantes da “psicologia dos povos”), mas também nesse caso a multiplicidade de falantes, dos outros em relação a cada falante dado, carece de substancialidade.
Tais ficções dão uma noção absolutamente deturpada do processo complexo e amplamente ativo da comunicação discursiva.
O ouvinte, ao perceber e compreender o significado (lingüístico) do discurso, ocupa simultaneamente em relação a ele uma ativa posição responsiva: concorda ou discorda dele (total ou parcialmente), completa-o, aplica-o, prepara-se para usá-lo, etc.; essa posição responsiva do ouvinte se forma ao longo de todo o processo de audição e compreensão desde o seu início, às vezes literalmente a partir da primeira palavra do falante. Obrigatoriamente: o ouvinte se torna falante.
O que foi ouvido e ativamente entendido responde nos discursos subseqüentes ou no comportamento do ouvinte. Portanto, toda compreensão plena real é ativamente responsiva e não é senão uma fase inicial preparatória da resposta.




Estética da Criação Verbal, Bakhtin. (fichamento PUC)

quarta-feira, novembro 23, 2011

Questões de Literatura e de Estética





Bakhtin

Click na imagem do livro para baixar Questões de Literatura e de Estética.



Portanto, por trás de cada texto está o sistema da linguagem. A esse sistema correspondem no texto tudo o que é repetido e reproduzido e tudo que pode ser repetido e reproduzido, tudo o que pode ser dado fora de tal texto (o dado). Concomitantemente, porém, cada texto (como enunciado) é algo individual, único e singular, e nisso reside todo o seu sentido (a sua intenção em prol da qual ele foi criado). É aquilo que nele tem relação com a verdade, com a bondade, com a beleza, com a história.
Bakhtin



Saussure define a enunciação (la parole) como ato individual da vontade e da compreensão, no qual cabe distinguir: 1) combinações, com auxílio das quais o sujeito falante usa o código lingüístico com o objetivo de exprimir o seu pensamento pessoal; 2) mecanismo psicofísico que lhe permite objetivar essas combinações. Assim, Saussure ignora o fato de que, além das formas da língua, existem ainda as formas de combinação dessas formas, isto é, ignora os gêneros do discurso.
Por isso, a inabilidade para dominar o repertório dos gêneros da conversa mundana não se trata nem de pobreza vocabular e nem de estilo abstrato, mas de falta de noção sobre todo um enunciado que ajude a moldar de forma rápida e descontraída o discurso nas (ou fora das) formas estilísticas composicionais definidas.

O Círculo de Bakhtin





O Círculo de Bakhtin era uma escola do século 20 do pensamento russo que centrado na obra de Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895-1975). O círculo abordava filosoficamente questões sociais e culturais decorrentes da Revolução Russa e sua degeneração na ditadura de Stalin. O seu trabalho centrou-se na centralidade das questões de importância na vida social em geral e criação artística em particular, examinar o modo como a linguagem registra os conflitos entre grupos sociais. Os pontos de vista fundamentais do círculo são que a produção lingüística é essencialmente dialógica, formada no processo de interação social, e que isso leva à interação de diferentes valores sociais que está sendo registrado em termos de reacentuação do discurso dos outros. Enquanto a camada dirigente tenta postular um discurso único exemplar, as classes subalternas estão dispostas a subverter este encerramento monológico. Na esfera da literatura, poesia e épicos representam as forças centrípetas dentro da arena cultural ao passo que o romance é a expressão estruturalmente elaborada da ideologica popular, a crítica radical da sociedade.

terça-feira, novembro 22, 2011

miraculosamente inútil

Bem, tenho assistido e vivido cenas deploráveis, a globalização da ignorância. As coisas andam pra frente, eu, feito caranguejo, pareço andar pros lados. E, enfim, entro no buraco do manguetown. A Vanessa Carvalho, doutoranda, disse não entender meu raciocínio. Talvez porque eu raciocine, ao invés de saber profundamente, de forma que chega a dar medo. São os ditos glosadores, segundo Deleuze, que além de acumular informação, glosa o que já oi dito, escrito, falado, registrado, pintado. Eu é que não entendo a velocidade do raciocínio dela; a fluidez, a rapidez e a memória maquinal. Eu sou a ponta do meu próprio iceberg. Será que ela entende isso? Será que fujo completamente do análogo conceito que um iceberg, enquanto mecanismo, pode ser socialmente vivo? Não sei não, nada como um dia após o outro. Exercitar a mente é diferente de um raciocínio abstrato, mas não supera o próprio raciocínio. Tenho preguiça de glosadores. Outros tantos imbecis existencialistas, como Kierkegaard, como Luís Lorenzo, como Camus. Do argelino, acho encontro apenas um prognóstico da acolá-modernidade, pra não dizer “pós”. No livro A Peste, o Nada, personagem ébrio, marginalizado, solitário, largado, porém sóbrio de lucidez antropossocial, e que sempre desmembra o raciocínio da multidão, ao fim, suicida-se. Foi um alerta, talvez inconsciente, dos tempos vindouros, pois hoje no fim, nada importa.
Não tenho a pretensão de entender a forma como as pessoas compreendem o mundo. Muito amiúde, outros já fizeram isso. Não quero pensar o mundo. Cheguei à conclusão que tornamos as interfaces ainda mais fáceis entre o cão e o gato. Domesticamos feras, rompemos o amor incondicional, por exemplo, com a arte contemporânea. Nomeamos tudo que ainda não sabíamos e demos nome a tudo que não comunica e, portanto, não serve pra nada. Que almejar? Importa-se que eu não receba títulos, nem homenagens, nem nada? Isso vai contra os meus princípios. Balança daqui, ajeita de lá e o dinheiro que sobra dá pra ser feliz sorrindo. Eu garanto que esse emaranhado de pensamentos desconexos proporciona mais prazer que a própria dor.
Quero descer, sim, mas isso significa deslizar verticalmente até as águas geladas de algum mar polar que criei e naveguei até ele. Um mar cheio de fofocas, belugas, biólogas e leões marinhos. Enquanto o tempo passa, espero que esse iceberg me leve a conhecer o ogunzelê das cabo-verdianas e mais nada.
Por amor a humanidade,

Gustavo


domingo, novembro 20, 2011

sociologia igualitária

Estava lendo um artigo em uma revista on-line e determinado problema/pergunta realmente despertou meu interesse e acho que esse é um bom tema para discussão.



“Eu nunca tive um orgasmo”





Dez por cento das mulheres, de acordo Rachel Needle, psicóloga clínica do Centro de Saúde Sexual e Conjugal do Sul da Flórida, encontram-se nessa estatística. “Deixar-se levar pode ser assustador” diz Needle “e quanto mais você forçar mais difícil é se concentrar e chegar ao clímax” mas vale a pena o esforço. A pesquisa assinala que um bom orgasmo pode reduzir o estresse, aliviar dores e sintomas da TPM. Pode até ajudar a viver mais tempo. Não há nenhum mapa universal para “chegar lá” porque todo mundo é diferente. “Aprender sobre o próprio corpo é fundamental e masturbar-se é a melhor maneira de fazer isso”, diz Needle “uma vez que você conhece seu próprio território é capaz de guiar melhor seu parceiro” e acrescenta ”não se preocupe sobre quanto tempo leva. Para qualquer pessoa, de sete a trinta minutos é normal”. Depois é só descansar e aproveitar. Acho que não gozar deve ser como andar na esteira: por mais que você corra, nunca chega a lugar nenhum. Concordo 100% que se precisa descobrir o que gosta sexualmente, e sinto-me mal pelos 10% de mulheres que nunca tiveram um orgasmo. Acho que isso não é saudável. Se eu fosse médico, recomendaria pelo menos um orgasmo por dia, assim como se toma vitaminas e etc., só que de maneira mais agradável. Se todos os tivessem com freqüência, as pessoas ao redor seriam mais agradáveis. Talvez sejam essas pessoas que vão criar a paz mundial.

quarta-feira, novembro 16, 2011

só umas gotinhas, vovó








Minha avó não sabia a medida do adoçante em gotas no café ou no chá. O que ela devia pensar? Como ela podia conceber que umas gotinhas de um líquido incolor fossem equivalentes a duas ou três colheres de açúcar? A Modernidade envelheceu o homem.

terça-feira, novembro 15, 2011

dor-de-cabeça grátis! (pânico incluído)







Ontem niguém teve sossêgo aqui no bairro. Alguém, provavelmente do gênero feminino, contratou um sistema de som para 40 mil pessoas, somente para comemorar seu aniversário entre amigos. Com banda. Uma banda com vasto repertório brega, do pop universitário, axé universitário, sertanejo universitário, forró universitário, pagode universitário, ao universitário que você puder imaginar. O som passava dos ...150 decibéis, segundo meu pai. Não dava para conversar dentro de casa. Nem ver TV, nem pensar direito, e dormir nem pensar! Eis que devo atribuir à esse episódio o nome de crime contra o patrimônio, no caso a sanidade mental e a tranquilidade das pessoas, digo, os 40 mil vizinhos que ouviram o show completo (com duas partes de três horas com brevíssimo intervalo, que começou às duas da tarde e terminou pra lá das sete.) Grande merda! Big shit! Causou stress completo até em quem estava na festa, nesse agrupamento sinistro, melhor dizendo. Os tocadores de atabaque já aparentavam algum sinal de medo e constrangimento. Medo de serem alvejados por ovo, bala, tomate, ou qualquer coisa, mal-olhado, sei lá. Sei que passei um dia terrivel e se soubesse o nome da banda, recomendaria que não tocassem mais nem em bazar voluntário em quermesse de bairro. No mínimo uma falta de educação. Quem souber e quiser compartilhar comigo sua agonia, nossa agonia, minha agonia, aconteceu na rua Cristina entre Viçosa e Lavras, sendo que talvez o Mineirinho fosse mais apropriado. Ufa! Sinceramente, pau-no-cu dessa banda e do/a imbecil que a contratou que, penso, só pode ter sido por perssuasão (do dono do equipamento de som, do amigo do primo do produtor da banda que é amigo do dono/a da festa, qualquer que seja a hipótese) acho impossível alguém fazer isso "de caso pensado", mas admito que elas erram. Pessoas da vizinhança passaram mal, vomitaram, crianças choravam sem parar, velhos apresentaram oscilação de pressão, e eu mesmo tomei um banho demorado e fui dormir às nove horas da noite. Um tipo de pânico-tortura alla Laranja Mecânica. Feliz aniversário e tomara que cê morra!

I told you I was trouble

segunda-feira, novembro 14, 2011

Bonito, meu bem, mas inútil.




Funny, dear, but useless...
Para aproveitar a fala do Amir Klink (apesar de não gostar muito dele, de damno proprio quisque dolere scit “cada um sente seu mal”) que diz que não sente e nem nunca sentiu depressão na cidade, ou seja, no meio urbano. É assim que eu me sinto. Descolocado, deslocado, desapropriado ao que seja propício e formal ou informal, tristeza profunda e saúde psicológica abalada. Mas quando estou nas “minhas terras”, na cumeeira das serras e nos vales, nunca me sinto só, desadequado, impróprio, desapropriado à minha própria saúde, concentrado em mim mesmo. Passei por esses vales durante nove dias completos e oito noites. Caminhando, sozinho, dormindo, fazendo fogueira, olhando pro céu das estrelas, com ou sem estrelas, com ou sem lua. Provei a mim mesmo quem eu era, quem eu sou, e a matéria-prima da qual eu sou feito, e a matéria espriritual que é a minha figura. Depois disso então, desse contato tão próximo, dessa catarse, desse mergulho, mente vertical, não me mais importa- o julgo de ninguém. Nessa disputa acirrada por descobrir a si mesmos. No deserto pós-moderno da Vilarinho. Afinal, injuriarum remedium est oblivi, “a maior vingança é o desprezo”.

bem, meu bem,

sábado, novembro 12, 2011

Franco




Ferrarotti estava interessado nos problemas do mundo do trabalho e da sociedade industrial e pós-industrial, as questões de poder e de sua gestão, a questão da marginalização jovem, urbana e social, crenças religiosas, a migração. Atenção especial foi dedicada à sua pesquisa na cidade de Roma. Ele sempre privilegiou uma abordagem interdisciplinar e insistiu na importância de uma estreita ligação entre a abordagem teórica e pesquisa de campo. Ele foi diretor da Olivetti, diplomata, deputado, professor...

sente o swing

Há um beber e um dar sem conta





E dando os trâmites por findos
Há a perspectiva do domingo



Datado, mas tão atual. Porque hoje é sábado.
Meu irmão acha Vinícius deprimente, mas eu odeio meu irmão.
Quando era poeta-de-café, recitava O Dia da Criação, aos sábados, para as caras mais impassíveis e sorridentes. E a Travessa, cheia de gente alegre que comprou meu pocket book, 4:44


Foi ótimo! Estupendo.


¿no ves que está de olvido el corazón?

sexta-feira, novembro 11, 2011

O homem mais infeliz

Kierkegaard explica que o homem mais infeliz nunca está presente a ele mesmo porque está sempre vivendo no passado ou no futuro. Está sempre esperando ou se recordando. Ou pensa que as coisas eram melhores no passado ou espera que sejam melhores no futuro, mas sempre são ruins agora. Isso é infelicidade comum. Mas o homem infeliz no “sentido literal” não está nem mesmo presente na sua lembrança ou na esperança. Kierkegaard dá um exemplo de um homem que olha para o passado desejoso das alegrias da infância, das quais de fato ele mesmo nunca teve a experiência (talvez estivesse pensando no seu próprio caso). Da mesma forma, o “esperançoso infeliz” nunca está presente nele mesmo na sua esperança, por motivos que eram obscuros para mim até eu alcançar essa parte: “indivíduos infelizes que têm esperanças sofrem a mesma dor daqueles que se lembram. Indivíduos que esperam sempre acabam tendo uma decepção mais gratificante”. Tenho a sensação de que as coisas foram melhores no passado, como devo ter sido feliz alguma vez, senão como saber que estou infeliz agora? Em algum lugar desse passado devo ter perdido a felicidade, ou a destruído, ou deixado passar, embora só possa lembrar dessa felicidade em fragmentos passageiros... Sempre fui um esperançoso infeliz, o que em paradoxo, me faz um nostálgico infeliz.


Definição de


O homem mais infeliz




E esse é o resultado de tudo: por um lado, ele espera constantemente por alguma coisa que deveria estar recordando... Por outro, ele se lembra constantemente de alguma coisa que deveria estar esperando que aconteça... Em conseqüência, o que está esperando que aconteça está no passado e o que se recorda está no futuro... Ele está sempre bem perto do objetivo e ao mesmo tempo distante dele. Descobre que a coisa que o faz infeliz agora, porque agora a possui, ou porque ele é desse jeito, é precisamente o que alguns anos antes o teria feito feliz se apenas a possuísse naquela época, enquanto naquela época era infeliz porque não a possuía.


Ou isso /ou aquilo, O homem mais infeliz. Kierkegaard, Sǿren





Esse cara tá falando de mim... De onde eu concluo que a ignorância é uma benção.


quarta-feira, novembro 09, 2011

Advento da Liberdade

A política é a ciência de liberdade: o governo do homem pelo homem, sob qualquer nome que se disfarce, é opressão. A mais alta perfeição da sociedade se encontra na união da ordem e da anarquia.




Proudhon






e a vida é assim... dia após dia...

segunda-feira, novembro 07, 2011

Propriedade é roubo

A comunidade é opressão e servidão. O homem quer na verdade se submeter à lei do dever, servir sua pátria, obsequiar seus amigos, mas ele quer trabalhar naquilo que lhe agrada, quando lhe agrada, tanto quanto lhe agrade; ele quer dispor de suas horas, obedecer somente à necessidade, escolher seus amigos, suas diversões, sua disciplina; prestar serviço por satisfação, não por ordem; sacrificar-se por egoísmo e não por uma obrigação servil.


Proudhon


Advento da Libertade

domingo, novembro 06, 2011

mezza note note

Testemunhando a crise de 1929 em um clube de Londres: em cima da mesa estão registrados os números de telefone fornecidos pelo New York Stock Exchange (Bolsa de Valores de Nova Iorque). E assim nasceu a lost generation (geração perdida), escritores e intelectuais americanos que migraram para o Velho Mundo. Ernest Hemingway, T.S. Eliot, Erza Pound, Henry Miller...

Fearless

Ou isso/ou aquilo

B diz que em uma coisa concorda com A: se você é poeta, é muito provável que seja miserável, porque “a existência de poeta por si fica na obscuridade que resulta em não se levar ao fim o desespero, em ter a alma sempre tremendo em desespero e em o espírito não ser capaz e em o espírito não ser capaz de ganhar tal transparência verdadeira.”

Sǿren Kierkegaard em Ou isso/ou aquilo – segunda parte.



A primeira parte consiste em escritos de A – rabiscos, ensaios como “O homem mais infeliz”, em um diário íntimo chamado “O diário de um sedutor”, que se diz editado por A, mas escrito por alguém chamado Johannes. A segunda parte de Ou isso/ou aquilo consiste de cartas longas de B para A, atacando a filosofia de vida de A e aconselhando-o a deixar a melancolia de lado e tomar uma atitude. B parece ser um advogado ou juiz, casado e feliz. É um cara meio pedante, na verdade, mas um pedante astuto. A parte citada sobre a infinidade da melancolia vem da segunda carta, intitulada “O equilíbrio entre a estética e o ético mo desenvolvimento da personalidade”, mas a essência do livro é a sua oposição da estética e do ético. B não tem duvidas de que a vida ética é superior à estética. Ler Kierkegaard é como voar no meio de uma nuvem pesada. De vez em quando há uma brecha e você tem uma visão clara e brilhante do chão, mas então volta ao cinza da névoa de novo e sequer ter uma idéia de onde está.
Kierkegaard, Sǿren. Filósofo dinamarquês, 1813-1855. Era filho de um comerciante bem de vida e herdou uma fortuna considerável de seu pai. Gastou-a estudando filosofia e religião. Ficou noivo de uma moça chamada Regine, mas terminou o casamento porque decidiu que não era feito para o casamento. Adquiriu uma formação para o sacerdócio mas nunca se ordenou e, no fim de sua vida, escreveu ensaios polêmicos contra o cristianismo convencional. Sem contar com duas estadas em Berlim, nunca saiu de Copenhague. Sua vida parece tão morosa quanto foi curta.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Práticas antigas

Essas núpcias de fogo entre o céu e o momento da morte. Esse medo, essa presença, esse alguém. Esse alguém em nós e a capacidade de viver. A vida me faz querer seguir. Seguir para as frentes. Como lidar com a imagem de si mesmo? Existimos dentro de nossa cabeça, e eventualmente, fora dela. Como enterrar nossos mortos? Viveremos para sempre. Somos eternos.

Afinal, quem inventou os tablets?

Segundo a Wikipédia, Tablet é um dispositivo pessoal em formato de prancheta que pode ser usado para acesso à Internet, visualização de fotos vídeos, leitura de livros, jornais e revistas, organização pessoal, e para entretenimento com jogos 3D. Apresenta uma tela touchscreen que é o dispositivo de entrada principal. A ponta dos dedos ou uma caneta aciona suas funcionalidades. É um novo conceito: não deve ser igualado a um computador completo ou um smartphone, embora possua diversas funcionalidades dos dois.

Mas quem criou essas pranchetas?
A Samsung afirmou que o conceito de tablet já tinha sido criado nos anos de 1960, por Stanley Kubrick, cineasta americano, que o revelou ao mundo em seu filme 2001, Uma Odisséia no Espaço (1969). Essa afirmação foi divulgada para provocar a concorrente Apple que, por sua vez, reclama sua criação, com a ajuda de Steve Jobs, antes dele se afastar da Apple. O Ipad é o primeiro tablet disponível no mercado brasileiro. Lançado precisamente, em 4 de abril de 2010.






Então, deveríamos conceder a Kubrick os roaylts pela venda dos tablets? Qual o conceito de conceito? Novamente na Wikipédia:




Conceito (do latim conceptus, do verbo concipere, que significa "conter completamente", "formar dentro de si") é aquilo que a mente concebe ou entende: uma ideia ou noção, representação geral e abstrata de uma realidade. Pode ser também definido como uma unidade semântica, um símbolo mental ou uma "unidade de conhecimento". Um conceito corresponde geralmente a uma representação numa linguagem ou simbologia. O termo é usado em muitas áreas , na matemática, na filosofia, nas ciências cognitivas, na física, na informática.




A meu ver, o tablet pode funcionar com um único livro – do ensino médio, por exemplo. Isso acabaria com a necessidade do aluno carregar o conteúdo das disciplinas publicado em papel, em forma de livro. Além disso, ele pode ter acesso à outras informações, como número de abstenção em cada disciplina, notas, calendário escolar, etc., através de um sistema de intranet protegido por senha. Essa parece ser a tendência para um mundo mais flat, mais portable, mais slim.




A One Laptop Per Child (OLPC) anunciou, em maio de 2010, que lançaria no mercado um tablet ao custo de 75 dólares.







(Escrevo sentado em minha cama, o papel apoiado sobre um álbum de fotografias. Tenho duas canetas, sendo que só preciso de uma. Imagino um escriba da Grécia antiga, a escrever e a cunhar uma placa de pedra, o tablet mais primitivo da história, e crianças no futuro escrevendo com a ponta dos dedos numa tabuleta digital...)




A linha do tempo dos Tablets:




1980 – Nos anos de 1980, a Grid Systems lança no mercado o primeiro tablet.








1990 – Vídeo de 1994 mostra conceito de tablet que lembra bastante o iPad de hoje.




2000 – Desde o ano 2000, Bill Gates queria inserir tablets no mercado.
2010 – Os tablets ganham popularidade com o lançamento do iPad.




quarta-feira, novembro 02, 2011

Maybe I can fix things up so they'll go





não é, Hunter?







Sempre esse mesmo tango rasgado, essa tara enrustida, essa sacanagem toda sem vazão, sem raciocínio, cansado de querer e não querer, e sabes que foi minha loucura, e nunca perdoarei sua indiferença, porque a mesma folha seca, e com a mesma toalha que enxuguei minhas lágrimas limpei minha porra. Cansado de te esquecer em inumeráveis noites em claro com as estrelas, com a Lua, com meus núbios pensamentos obnubilados, inseguro, imaturo, cansado dessa punheta, se existe o homem, se acaso você chegasse. Mas quem é você? O quê é você? Essas mãos minhas nem as suas, não são nossas mãos nem as mãos deles que fazem tremer. Caralho solitário, é constrangedor, é irônico, é tolo, culpar o doente pela doença?

terça-feira, novembro 01, 2011

Teresópolis on-line

Pessoas normais fazem coisas indizíveis. Coisas sobre os nossos olhos, inenarráveis, absurdas. Dignas de uma disputa de fim de batalha, sem conversa, sem credo, sem, nada. Com devido insucesso com que caí nessa cilada. Auxiliado por versos de tempo longo e digno de reflexão. Mas quem me dera. Quem me dera todo o fôlego da razão por si só. Da necessidade em si de ser, ao invés de estar à deriva em mil platôs. Navegando mil realidades... náufragos insucessos, polemizando livros perdidos praquelas putinhas do além. Livros que eu nunca mais voltei ver. Fogem de mim como crianças. Mo as darei uma palmada. Umas palmas na bunda dessas pequenas, pra que não ousem mais roubarem livros de um poeta furtivo. E suas nádegas coçam de vermelhidão. Nunca mais tive meu Spinoza de volta. Volume raro. Eu vo-lo daria se eu pudesse, mas nem era meu...

Cultura material




Na área de estudo da tecnologia e sociedade sempre se tem discutido sobre determinismo tecnológico ou determinismo social. A internet determina o que é a sociedade ou a sociedade determina a internet? Francamente, em todos os casos da história da tecnologia, ambos acontecem. Porque tecnologia é sociedade. Não há de um lado sociedade e a tecnologia de outro e eles não se tocam. A tecnologia é uma dimensão da sociedade e fundamentalmente uma dimensão cultural da sociedade, entendendo-se cultura em termos de valores, crenças e comportamentos. Todas as tecnologias são muito maleáveis. As pessoas, durante a história, se apropriaram da tecnologia e fizeram com as coisas tecnológicas o que a tecnologia nunca havia pensado. A internet é organizada por pessoas desenvolvendo suas necessidades, seus valores, seus usos. Usando a internet e decidindo a aplicação da tecnologia, de novas formas de usar a tecnologia o que ultimamente é a busca comum pelo santo graal. A internet, nas décadas de 1980 e 1990, precisava da formação de um mercado de massa que levaria a um interesse comercial em desenvolver e vender a internet e a aplicação da internet. Mas para um mercado de massa emergir era preciso uma demanda sócio-cultural.

A estranheza do Tempo já não me causa espanto





A morte do pai do meu amigo talvez tenha me transformado mais do que a ele. Transformado não sei se é apalavra certa... Hoje eu acordei com a sensação de que tudo está certo. Tudo acontece no momento certo, na hora certa, no lugar certo. Certo como? Não sei dizer. Uma força cósmica que alguns tomam por Deus e que alguns poetas dão o nome de esperança. Um brilho nos olhos. Mas um brilho bem lá no fundo, opaco, quase se apagando, torna a iluminar, torna a dar sentido, rumo, direcionamento. Sei lá. As coisas são como são, mas de uma maneira estranha. Nada se sabe, nada de pode ver antes que aconteça. De fato, somos o passado de um presente quântico. É mesmo? Y hasta cuando, compañero Che Guevara?

Billie

domingo, outubro 30, 2011

Trinta do Dez,



vinte e três e cinquenta e sete.

Tanto faz



Eu me tornei menos importante do que isso. O meu ato de criação te dá tesão? Dedilhando o teclado como quem não apóia o verbo na frase, e que assim propõe que os meios não tenham as mesmas finalidades, mas que tenham princípios. Princípios exalam o aroma de um doce começo ainda desconhecido. Qualquer ato faz-se a seu tempo e não fora dele, porque eu me tornei menos importante do que isso. Tanto faz.

Chet?



O Palhaço

um filme se Selton Melo

"O palhaço é aquele que faz tudo.
Mas faz tudo errado.
Mas o errado é o certo."


Paulo José







sexta-feira, outubro 28, 2011

Além do Bem e do Mal




PREFÁCIO




Supondo-se que a verdade seja feminina — e não é fundada a suspeita de que todos os filósofos, enquanto dogmáticos, entendem pouco de mulheres? Que a espantosa seriedade, a indiscrição delicada com que até agora estavam acostumados a afrontar a verdade não eram meios pouco adequados para cativar uma mulher? O que há de certo é que essa não se deixou cativar — e os dogmáticos de toda a espécie voltaram-se tristemente frente a nós e desencorajaram-se.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Por volta da meia-noite



Será que Freud explica mesmo?

Apenas papai, mamãe, a lei, as transgressões, tudo é sexualidade, Eros e Tanatos, pulsão de vida e pulsão de morte, o homem contra si próprio... blá blá blá Come on, Ziggy... Será que não existe nada além disso? Jung teria dito a Freud “Eu sonhei com ossos” e esse respondeu “Você sonhou com a morte” – uma forma reducionista de abordar abstrações. Isso motivou Jung a escrever o primeiro opúsculo de A Vida Simbólica, que vai contra as teorias freudianas. Jung tenta explicitar as concepções acerca do funcionamento do consciente e do inconsciente, a estrutura da mente humana, tipos psicológicos, os arquétipos e o inconsciente coletivo, os complexos e sonhos.

A psicologia como ciência relaciona-se, em primeiro lugar, com a consciência; a seguir, ela trata dos produtos do que chamamos psique inconsciente, que não pode ser diretamente explorada por estar a um nível desconhecido, ao qual não temos acesso. O único meio de que dispomos, nesse caso, é tratar os produtos conscientes de uma realidade, que supomos originários do campo inconsciente, esse campo de "representações obscuras" ao qual Kant, em sua Antropologia, se refere como sendo um mundo pela metade. Tudo o que conhecemos a respeito do inconsciente foi-nos transmitido pelo próprio consciente. A psique inconsciente, cuja natureza é completamente desconhecida, sempre se exprime através de elementos conscientes e em termos de consciência, sendo esse o único elemento fornecedor de dados para a nossa ação. Não se pode ir além desse ponto, e não nos devemos esquecer que tais elementos são o único fator de aferição crítica de nossos julgamentos.

Eu posso ter sonhado com uma ossada, com mil ossos, os ossos de uma manada. E qual seria o meu lugar dentro dessa manada? Seria dentro, como filhote? Seria como macho?, ou como fêmea? Vide o Anti-Édipo – Capitalismo e Esquizofrenia, G. Deleuze e Felix Guatari.

Sigo

Talvez eu diga “eu te amo”
Talvez não

Talvez eu siga o caminho
Talvez eu mesmo seja O
... caminho


Levo tudo na bagagem
amor, ódio,
esperança...

quarta-feira, outubro 26, 2011

Por que é preciso morrer pra nascer de novo?





Necessito processar alguns fatos do passado que não entendi muito bem. O passado é energia morta? Como pode então ter influência sobre nossas vidas? Se eu soubesse o que me torna assim desse jeito, talvez eu... Considero-me, às vezes, deitado em cima existência, numa pequena tábua, onde caibo eu e mais ninguém. Sim, à deriva, em pleno mar de concreto e croncetudes.
Falando assim, até pareço àquelas poetisas de meia idade, que se reúnem nas salinhas dos Institutos de cultura (algumas ganharam Prêmio Jabuti por esses neologismos...) para ler seus poemas surrealistas, que só elas entendem e para meia dúzia de bajuladores que fingem que entendem e (alguns até sorriem ao rejubilarem intimamente diante de tanta beleza da construção artística) seus livros que ficarão para a posteridade. Vejam, foi por engano que me atrevi a participar de uma dessas reuniões, para ver uma amiga blogueira carioca de Teresópolis. Será que ela quer ser como essas mulheres?

domingo, outubro 23, 2011

Domingo, 23 de outubro de 2011.



16h40


Caro Caio,




Há muito tempo não escrevo cartas – essas palavras que quase sempre tem timbre melodioso e bucólico. Bucólico como hoje se apresenta o dia. Escrevo porque as palavras não podem se defender, embora eu não queira magoar, pelo contrário, manipulo as palavras (não por isso eu seja “falso”) para que elas sejam um alento, como um chá quente e o suave barulho da chuva. Vida estranha em que o cérebro traduz o que o coração pensa. Tentei escrever no papel, a próprio punho, e mandar uma carta – essa missiva retrô – mas Os Correios estão de greve e acho que essas chegarão mais rápido até você. Além do que, me perco nos meus rabiscos, o papel tudo aceita. Queria apenas a medida exata daquilo que pretendo expressar. Acho que apenas serviria como algo documental, agrada-me essa idéia. Algo para ser lido e relido por nossos biógrafos, sem precisar de um computador.


Afinal, quem tem 894 amigos, senão no FACEBOOK? Tenho quase trezentos seguidores e já me considero sacerdote de alguma coisa. Estimo a todos eles, mas a enorme maioria não me conhece, de fato. Não sabe quem sou, além desse tecido de palavras, dessa tessitura virtual. O que nós aproxima, caro amigo, é o mesmo que os distancia. As inúmeras noites fractais, intermináveis conversas sobre a assimetria da existência e o Nada subjetivo. E os dias de reflexão e ressaca, bebendo cerveja na calçada a meia quadra da padaria. Mesmo que as pessoas leiam, não conseguiriam interpretar a mobilidade intrínseca das palavras, o movimento orgânico insólito e único, a estrutura metafísica básica de tanta e tamanha prosódia. Mas não desejo fazer um tratado ou ensaio sobre o mundo cibernético. Talvez dizer o inexprimível, pra que eu mesmo me entenda. Queria que a morte fosse uma coisa mais humanizada. Como uma história sem fim...

(continua)

Hai-Caio




Na verdade, eu queria dizer que...
Eu queria dizer que...
Eu queria dizer...
que...
eu queria dizer...
mas...
é isso aí...

sexta-feira, outubro 21, 2011










Nunca me considerei uma pessoa religiosa. Acredito em Deus, suponho. Quero dizer, acredito que existe Algo (ou Alguém) além do horizonte da nossa compreensão, que explica, ou deveria explicar, “por que estamos aqui?” e “qual o sentido disso tudo?”. Creio que sobrevivemos para saber a resposta dessas perguntas, simplesmente porque seria intolerável pensar que nunca saberemos, que a nossa consciência se apaga com a morte como uma lâmpada quando queima. Não é uma razão enorme para acreditar, mas é isso aí. Respeito Jesus como um pensador ético, não jogando a primeira pedra e mostrando a outra face e tudo mais. Nunca fiquei com vontade de me tornar católico. Quando criança fui com minha mãe em algumas missas, coisa e tal. Sempre me senti acanhado e constrangido nessas ocasiões, sem saber o que tinha que fazer, se devia sentar ou ficar em pé ou me ajoelhar.












Você se encontrou? E como sabe que é você mesmo?

A partir do fim do século XIX, o homo sapiens entrou em crise: uma crise de perda de sabedoria e capacidade de conhecer.





Ferrarotti (1997, p.193) explica o espaço cibernético como segue: “é um espaço que possibilita a máxima articulação de mensagens e da inteligência [...]. A inteligência coletiva que se desenvolve no espaço cibernético é um processo de crescimento que consegue ser ao mesmo tempo coletivo e diferenciado, geral e específico [...]; é uma inteligência distribuída por toda parte. O cerne da questão está no termo “possibilita”. Certamente, a navegação cibernética permite o “crescimento” de uma inteligência articulada e difusa. Mas possibilita também o crescimento de igualmente difusa estupidez assentada em uma massa indiferenciada. As coisas possíveis são muitas. Entre o possibilitar e o realizar há no meio um mar. E o possível, que aqui seduz Ferrarotti, em minha opinião, é altamente improvável. Vale ressaltar que o correto é falar em “opinião” porque opinião significa doxa, e não epistéme, não é saber e ciência ao mesmo tempo, é simplesmente um saber subjetivo que exige comprovação, contra Habermas (1971), o qual sustenta que Locke, Hume e Rousseau forjam a “opinião pública” falseando e forçando a doxa platônica para significar um juízo racional. A tese não é aceitável pois todos os autores do iluminismo conheciam muito bem o grego. Disseram “opinião”, sabendo bem que doxa, na tradição filosófica, significa o oposto de verdade absoluta. Nesse sentido diz-se que a matemática não é uma opinião. Expressando isso de forma inversa, pode-se dizer que uma opinião não é uma verdade matemática. Dessa forma, as opiniões são fracas e variáveis. Quando porém, opiniões se tornam convicções profundas, então devem ser chamadas de crenças, mas nesse sentido o problema muda. Da mesma forma que a opinião de cada um de nós se remete a grupos de referência e portanto não decorrem apenas de mensagens mas também de identificações (o que torna as opiniões sem informação e pouco compreensíveis. Além disso existem opiniões que correspondem aos vários gostos e, como é notório, de gustubus non est disputandum.