sábado, agosto 03, 2013



Homem bomba






E o pequeno flautista sentou-se ao pé de uma árvore,
e disse coisas pitorescas que todos deviam ter ouvido
e as crianças guiadas por feitiço, em júbilo percebiam
a voz delicada que vibrava como notas da flauta pan

e cantou e tocaram verdades ocultas
e nada faltou para quem por lá jazeu
dizia como a vida era florida na mata
repleta de encanto, beleza, maestria

seu mundo era pleno de pura magia
enfim pudera ver tudo que descreve
num breve soneto, sem vírgula nem
fantasia

ponto final


Agora o conto nefasto










meu pai minha mãe meu pasto
meu verme e meu protozoário. 

Meu pai sempre me discriminou quando na juventude eu comecei a fumar maconha. Não tive escolha para fazer a passagem pra vida adulta quando era adolescente senão ingressar na turma da droguinha. Olhos vermelhos que me lembro de foram um indício que deflagraram minha charada mesa da sala, na hora do lanche, provavelmente batendo uma larica. Meu pai me reparando e condenando. Lembro até hoje daquele olhar de ódio e repúdio contra o adolescente que não sabia a furada que estava entrado.
Eu era e sempre fui o bebezinho querido da mamãe, e do papai e nunca tive coragem de enfrentar meus inimigos.
Durante o decorrer da vida fiz muitos sem querer.  Me achavam pedante por ser inteligente. dom que deus me deu sem que eu pedisse.
Dei mais um pucho no meu cachimbo. Cachimbo que não é feito de raiz de roseira inglesa e nem estou de hobby de chambre.
Sinto que estão putos comigo, meu pai e mãe.
nunca nada fizeram pra me emancipar desse doce lar. Nunca, ou melhor, sempre, me super.
me anularam assim não me tornei independente. Não me mostraram como é dura a vida. A consequência é que o ser preguiçoso humano que é Gustavo não se deu conta de arranjar-se. Por tantos motivos que ajudaram, e atravancaram.
Eu ouvia, ainda hoje ouço, vai dormir que faz bem. Dorme que passa. A dor de cabeça melhora. A dor de amor, a dor da existência, a falta de graça da vida sem sentido, sem ser nada que, sem remuneração, sem ter que nada, ser assim é sem ser nada, que falta de graça. Maldita opulência, maldita falta de sorte, maltratada insolência, maldade com quem nada fez maldade com quem fudeu muitas fodas, maldade com quem inclusive numa dessas coisas poucas quis o prazer feminil (boniteza tive várias, mas nunca baseado pelo vil metal que o trabalho cotidiano obriga) maldita maledicência de quem se sumiu na soma, maldade com quem me subtraí e traiu-se principalmente, maldade com maleficência de quem só fez ter nada além de letras e palavras.
Agora estou sujo, meus dedos, minhas ilusões de mundo: Deus, alma, mundo.
Eu esperava-te ver quando saí do hospital depois de oito dias preso. E agora, daqui mais logo devo ser internado por conta da maldita pedra. Foda-se dos dizeres de todos que vão dizer disso de mim de tudo de minha doença desdita merda. Você me fudeu, eu deixei. Fosse-me de novo, quero deixar again, vem, capeta vestido de leite moça.
Eu tenho culpa e devo ser castigado por toda merda do seu passado ingrato? Devo? Devo não. Maldigo sua tentativa de alçar voo na minha direção. Sou verbo, sou vento, vou vendendo  barato minha alma pro diabo pra ver se me vejam pelo lado feio, sendo que nuca aprendi pelo certo modo. Despiroquei de fato, me fudi, na existência, invisível pra todos, pra tudo, não sou nem existo. Cacete, caralho, sou um papagaio mudo, que repete o que os outros pensam.
já desisti de ser aceito na sócio-etica-mente, sou pelo mundo, desnudo, me afundei  no caminho das drogas que um bondoso exu mostra toda noite. Morte morte morte. Vão mortos se fugir com suave dádiva. Doido é aquele que se encaixa nesse lugar conflituoso.
só queria ser aceito e conversar aberta-mente...


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