quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Seulement à donner

O véu que encobre nossos pensamentos. Sabe como quando você procura uma coisa e não percebe que ela está na sua mão. Apenas uma voz, apenas palavras. Apenas um desafio de deduções pairando no ar, um vazio. Como as águas turvas do rio, feito o silêncio da madrugada coração batendo, lágrima se expondo vento soprando. As pessoas não se aproximam não se comunicam não se permitem porque a desgraça humana já se instaurou, e a miséria psicológica. A cabeça despedaçada, as emoções em frangalhos e uma gigantesca colcha de retalhos. Cada pedaço conta uma história, que só eu sei. É humilhante comparado a muita dor e muita dor que não há como comparar. Cada pedaço foi bordado sem ritual sem concessão sem benção de padre ou pastor alemão. Em nosso castelo, as ilusões que o camburão levou algemado, que o gato comeu a cabeça do passarinho. Momentos roubados em que eu mesmo fui o ladrão de cada entardecer. Como não consigo, deixei de tentar ser humano. O ser humano deixou de tentar ser amado, no ciclo da frustração. Sentimentos imensuráveis, à contradição inexaurível. Conheci uma menina incrível, amável, mas como é possível? Como é possível que nem possa ver através dessa tela? Como é possível que a micronização do tempo tenha assombrado tanto nossa cabeça que nada entra apenas pelos ouvidos porque tudo está poluído, tudo é substituível, tudo é revestido de tabu e erotismo, tudo é subvertido e descartável.

15 comentários:

Papagaio Mudo disse...

taxa de absenteísmo zero

Codinome Beija-Flor disse...

Tão triste, mas tão profundo e tão cheio de verdade.
Bjos

Papagaio Mudo disse...

é a cotovia...

Romeo

Menina do mar disse...

(: Tão lindo....

Papagaio Mudo disse...

obrigado, menina do mar :)

bjo

>¨<

roserouge disse...

Como dizem os budistas: é preciso remover o lixo da nossa mente...

roserouge disse...

Grande cabeçalho, mérmão!

Papagaio Mudo disse...

brigadão!!


>¨<

Al Kantara disse...

Belo texto. É a vidinha. Rápida e de usar-e-deitar-fora...

Karla disse...

penso que nem tudo é descartável, embora pareça.


bjo da menina dos rabiscos.

Menina do mar disse...

:( continuo à espera... é o costume...

nina rizzi disse...

de casa/cara nova. lindíssima a foto. o texto... claro :)

Kay disse...

é sempre tão bom vir aqui visitar-te.
Beijo.

Alice Salles disse...

Tudo é o que é, um grande e inutil nada.

Raquel disse...

É o ciclo. Segue-se descartando. Mesmo a carne viva não-reciclável. Pessoas cruéis!