quarta-feira, outubro 07, 2009

hipertextualidade e um pequeno pedido ao pai


Dia 07 de outubro, dia de Nossa Senhora do Rosário. No dia 07 de outubro de 1964 estreiou o primeiro filme feito para TV. Veja quanta cultura de coleção pra não dizer imbecilizaçao das massas. Em um dia chuvoso 1968, no auge da ditadura militar no Brasil, nasce o cantor britânico Thom Yorke, com apenas 1 e 700g. Já nos anos de 1970, especificamente no ano de 1972, o filme Toda nudez será castigada foi censurado. No mesmo ano foi promulgada* a Constituição da União Soviética, na Era Krushov-Brejerev. No dia 07 de outubro de 1933, Albert Einstein, fugindo da perseguição nazista partiu para os Estados Unidos... No dia 07 de outubro nasceram, ou “fazem aniversário” (valeu video-show! acho até que esse ‘quadro’ acabou...) nasceram é melhor, ou “foram cagados na existência” Batman, bem gentil e direto, um jab de’squerda e um direto de direita. Vai direto e vira próxima esquerda a la mierda, por favor. Nasceram, enfim. Em 1949 - Raul Teixeira, médium brasileiro (não confundir com Raul Seixas, roqueiro) e em 1952, Vladimir Putin, primeiro-ministro da Rússia. E morreram... também no mesmo dia em anos distintos, em meados do século XIX (dezenove) em 1849, Edgar Allan Poe, escritor norte-americano. Nasceu em 1809, início do século e morreu com apenas 40 anos, ó infeliz Edgar, sei lá do quê, mas never more... never more... Os americanos têm fixação por seus entediantes contos clássicos de suspense e quase qualidade existencialista, Kierkegaardiana ou Feuerbachiana, todos da mesma época, do mesmo século, da mesma laia. Já nesse século, morreu o ilustre desconhecido ator alemão Gustaf Gründgens no ano de 1963. A informação assim funciona, o dia da morte é importante porque essas pessoas tornaram-se importantes ao longo da vida. Ironicamente, lembra-se (comemora-se, lamenta-se, como “beber o defunto”) o dia da morte. Gustaf Gründgens, ou apenas gustavinho, nasceu da “virada do século” em 1899. O gajo morreu cedo, vejo que nasceu no mesmo ano que minha avó Elvira, que morreu em 1994 do milênio passado, fiel torcedora do Cruzeiro, sabia a escalação completa, falava de um jeito difícil de entender e tinha um cheiro peculiar, próprio dos velhos. Sem querer ofender meu - pai filho dela, que é o caçula de seis que “vingaram”. Eu era apenas um menino, o pouco que convivemos. Essas são minhas fragmentadas lembranças de infância, difícil, ou melhor, impossível entender a psique humana, fácil é julgar. Penso que ela pensava que o sofrimento ia lhe trazer algum beneficio. Seu ofício era sofrer. Seu oficio de mulher mãe estrangeira gringa avó até morrer, era sofrer e por algum motivo sempre vestiu luto. Quando muito ela usava uma blusa preta de bolinhas brancas, ou florzinhas... Nunca falei disso. Aterrorizava-me um pouco estar diante de sua figura da densidade das décadas da matéria humana de um quase século. Ela era como um diamante frágil, envolvido num trapo de tecidos velhos. Possuía humor rascante e viperino quando estendíamos nossos ouvidos para saber o que dizia. Mas foram virando criança como fazem todos os velhos até morrer, até virar borboleta. Vovó, amo-te. Perdoem declarações de amor piegas espontâneas. Será que o Google faria uma homenagem, um pequeno favor pessoal a mim e ao Syd Barrett, assim como faz com certas coisas enormente favoráveis à espécie humana, mas de grandessíssima inutilidade (digo a informação, não a invenção ou coisa-&-tal...). Por exemplo, a descoberta do LSD... coisas assim. Ícones tão indecifráveis como hoje.














Syd Barrett
06-01-1946 † 07-07-2006

7 comentários:

Papagaio Mudo disse...

* promulgar -
v. tr.
Publicar uma lei com todos os requisitos necessários para torná-la executória.

BAR DO BARDO disse...

Datas vem.
Data vênia.

Papagaio Mudo disse...

senhor Bardolino,

No ano de 3761 a.C. esse é o Primeiro dia da Era Judaica.
data vênia e o cacete! mas foram todas hoje, vossa excelência.
Hoje é o 280º dia do ano, do calendário gregoriano. 281º em ano bissexto. 280 dividido por 2 dá 14, quatorze dividido por dois dá 7, ou seja: 7 é ímpar.
A Cabala agradece...
Shalom, Mazel tov!

G Perez

Adriana Godoy disse...

Papagaios! Eu nem sei o que dizer, o que me pegou foi sua avó, porque minha mãe já tá velhinha e está voltando mesmo a ser criança. Aí eu também quereria que o Google fizesse algo por ela. E olha só, acredita que ela ama os Stones? Beijo.

DESASSOSSEGADA disse...

Se quiser lançar uma campanha pedindo ao google eu apoio mas acho dificil.

Bjos

Carla Martins disse...

Ontem o logo do google estava contextualizado e mudou para um código de barras. Amei!

Nydia Bonetti disse...

Gustavo

Tua escrita quase sempre contundente e cortante, também sabe ser doce. A imagem da avó "diamante frágil, envolvido num trapo de tecidos velhos virando criança, até virar borboleta", é de uma doçura sem tamanho... Fez-me lembrar minha "nonna". Beijo.