terça-feira, dezembro 10, 2013

Um deletério constante em movimento contínuo que não se contradiz, mas que, mimetizado em ondulações de ritmo, flutua invisível o esquema rizomático. A minha realidade vista como canudos, linhas (que transmitem ou não, ou são o próprio objeto em si) fluxos, refluxos e influxos que se desnudam espectrais e, plasmados se cruzam e bailam se fundem e se transpassam. Exemplo: para mim o domingo é um dia de reflexão à inspiração e expiração que chamam semana. Percepções vagas bizarras. Exemplo: da visão de uma doença que vos deixa a cara como máscara de monstros de lojas de badulaques de carnaval de centro-da-cidade. Entendo que vivemos pensamos. Pisamos em falsos e fóbicos beirais. Caímos em abismos intermináveis de constante angústia, onde o que se duvida se divide se redivide se reconstrói. Exemplo: um registro, quando aberto, canaliza regularmente determinada quantidade de água que é mantida (renovada, aquecida, reaquecida...) em determinado contêiner. Essa água se ramifica e se perfila através dos canos em direção aos cômodos e registros: pia da cozinha, privada (acionada por uma verdadeira descarga de água), pia do banho, etc. Tomemos o exemplo de uma casa, ou o cérebro, a sociedade (cosmo que se pinta diariamente sobre uma tela pré-determinada, pré-determinada; e se desfigura sob os nossos olhos com a nossa inteira participação, apesar pelo olhar). Imaginemos então que todos esses registros estivessem abertos: por dedução lógica, certamente haveria um transbordamento. Metaforicamente o pequeno se infla ao estado de intercessão. Esse estado pode causar dor e desorientação. É como ver-se na semi-escuridão, palidamente, diante de um espelho; com as pupilas contraídas de quem estava em um ambiente ensolarado. Você sabe que é você que está diante do espelho. Você se reconhece por um vulto de si mesmo, mas não se vê inteiramente. Não se reconhece totalmente como objeto, senão, através de uma estrutura ou sistema, através de grandes sínteses do pensamento e padrões herdados pelos costumes. Senão através da síntese. Senão através de ilusões abrigadas nas teses sociais grandiloqüentes. Essas ilusões (da ótica, no caso), se tornam fluxos indizíveis de violenta intensidade, coerente e não-coerente, resultando em nódulos ou interpolações. Nada mais angustiante do que pensamentos que fogem à nossa percepção. Esse sentimento causa um conflito de entendimento e retorna à gestalt hegeleniana. Por fazer parte do ambiente (unwelt) mundo, as pupilas se adaptam no cômodo escuro onde entraste, e passa a ver a escuridão com certa nitidez. Um registro milhares de vezes fragmentado. Fractal. Através de perceptos e afectos, no plano de imanência, assim considero a aquisição de conhecimento e as formas do absurdo (sem significado) que dele derivam. Fragmenta-se a harmonia da paisagem até a pouco familiar: onde antes havia nitidez, continuidade e causalidades explícitas, hoje proliferam as ruínas, a descontinuidade, o isolamento. Os trajetos físicos superpõem-se as derivas virtuais; aparatos tecnológicos, ou melhor, processos de comunicação de base tecnológica reconfiguram o espaço e impõem a necessidade de reorientar a discussão sobre o problema.


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