quinta-feira, novembro 07, 2013

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Dia 31 de dezembro de 2008. Dezenove horas e vinte e cinco minutos. Hoje é quarta? As pessoas estão fazendo planos para o ano que vem e eu estou fazendo planos pra sábado. Amanhã é o amanhã, e daí? O quê muda? Não muda nada, apenas um número no calendário. E as pessoas comemoram esse aniversário como parturientes do Tempo. Hoje mais cedo conversei com o Caio pelo telefone. Falávamos desse paradigma e, muito bem lembrado, ele disse Einstein provou que o Tempo não existe. Pois eu nem me lembrava disso, nessa minha intolerância com as falsas alegrias. Eu poderia contar o tempo com os fios de cabelo branco que nascem em minha barba. Seria bastante subjetivo ao invés do racional, inexato e opressor Tempo Tempo Tempo Tempo. Já estamos em um planeta que gira, onde as populações vivem os dias e as noites. Já existe esse dueto maquinal, automático, inconsciente, involuntário. Mesmo na estrada pra lugar nenhum precisamos ter o controle das horas. O Tempo corre o Tempo voa o Tempo é um atleta! O Tempo não pára, não pára nem pra descansar, dar um tempo. O Tempo não dá Tempo ou dá de sobra, ou dá justo apenas naquele exato momento. Deleuze sabe disso. Sabe, obviamente, da crítica de Nietzsche aos filósofos naturais, mas coloca os mestres da arte e da filosofia no mesmo bojo atemporal. Serpenteando numa linha onde cada um encena um personagem. E ainda me condenam por isso. A dor existencialista é muito mais visceral iconoclástica, muito mais meu estilo, admito. Identifico-me com o Nada, personagem de A Peste do Camus. O Nada interrompe os discursos da Peste para proferir ao povo obviedades, o Nada suicida-se no fim da peça. O melhor fim ao nada. Riu-se de improviso e tristeza. Se quiseres saber, fodam-se Nietzsche Camus e Deleuze! Quero viver a mística transgressiva do Olímpio, Brancas bêbadas bacantes o beijam. Cronos engolindo seus próprios filhos. Amanhã é (foi e será) apenas amanhã, quando parar de chover. O declínio da matéria a degeneração progressiva das notas new age do Miles Davis, as rugas da Dona Lili Marinho, os quantos maços de cigarro. Se fumei ou se bebi, ou se dormi na véspera sem aderir ao sistema, Adeus Ano Velho. Já vai tarde. Que eu sinta menos tristeza, que eu fique menos miserável, que eu continue anti-social ao invés de antissocial, depois te mando as reformas da gramática. Vive la nouvelle vaggue!



manhã de frio
flash back e
café frio

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