domingo, agosto 31, 2014

Sobre a Verdade e a Vida

30 de agosto de 1930   
Ano do cavalo




Maria, Eu vos saúdo!
Sobre as terras fragmentadas desse lugar esquecido, eu vós digo – A verdade está comigo! A mão se move para o centro da carne, a pele treme na felicidade e a alma sobe feliz até o olho. Uma enigmática vitória crispada de perguntas e problemas. Se ao mesmo pudéssemos interpelar nosso Deus imaginário Qual é o meu nome, ó Poeta Divino? E, se ao contrário, nos fosse dado o faro de algum vento interplanetário. A eternidade poderia nos agraciar com o verbo intergalático. Daí seriamos vários, muitos, múltiplas vozes do Todo, e todos juntariam suas vozes para recitar um poema cósmico. E todos viriam contemplar o que nos foge aos olhos e sentidos alcançaríamos a culminância, à semelhança do Esteta Divino – de onde viemos, para onde vamos? Ó mãe de todas as mães, uma pergunta tola para um pensamento complexo... Depois de tudo. Das dores e dos males, tais encerram a história do grande Self. É tanto uma doença que pode destruir, a primeira erupção da força e vontade de ir além da autodeterminação, auto avaliação, essa vontade de vontade de ser livre. E quando a doença se expressa nas tentativas mais selvagens e extravagantes, é demonstrado frente a si seu impotente domínio sobre todas as coisas. Vaga cruelmente com fome insatisfeita, que captura a emoção perigosa. Deve expiar-se o orgulho e destruir aquilo que o atrai. Como o riso mal se volta para aquilo que se encerra em si mesmo. Escondido, encoberto por qualquer modéstia. Ver e transverter a aparência das coisas, quando a vemos, as inventamos, invertemos. No fundo da minha agitação de vagabundo é comum e sem rumo certo esse inquietante destino. para guiar-me, o deserto é a uma curiosidade cada vez mais perigosa. Será possível subverter todos os valores? Que bom seria algo delirantemente errado. E tudo, em última análise, talvez uma falsa. E se estivermos enganados, não será exatamente por isso que somos também enganadores? Será que, inevitavelmente também a nós nos enganam? Esses pensamentos levianos. Levam cada vez mais longe, cada vez mais perdido, cada vez mais perto. A solidão é uma temível deusa que nos envolve, circunda, abraça, aperta, sempre tão esperta e ameaçadora estrangula. Cortante e extraordinária deusa cada vez mais envolvente, mais asfixiante, mais opressiva, mais avassaladora, mais astuta. Filha da... mas quem saberia dizer hoje o quem é, de fato, Solidão?

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