quinta-feira, janeiro 08, 2009

Falsificação de pedigree


Sou um vira-lata. As mãos frias eram sinal da constante tensão em que vivia. Sintoma. Sintoma quer dizer também a queda, o acontecimento infeliz, a coincidência, o fim do prazo, a má sorte. As palavras agora são pó e cinza, espalhados na estrada do vento, e já se perdeu pelo ar. Sonhei que era uma sacerdotisa grega. Ria, calada e sóbria, um pouco além do padrão de maldade daquela época. E o sonho acaba. Um poeta ainda seria artista trabalhando na bilheteria de um cinema? O mundo dá-te um pouco de malícia e muita maldade. O Estado Liberal Democrático é isso. Fluxo de moeda corrente em pão e poesia não se mede. Suponho que haja coisas que retrocedem por si mesmo. A água encontra seu caminho. Devoro o que possa haver dentro de mim, raiva, ferida, mágoa, amor, dor com rima pobre. Caminhar é assim. Perco-me, às vezes, em vários personagens. Tristeza e Alegria co-existem num jogo de espelhos. Confecciono um quadro de memórias sem concepção de passado, não posso renunciar a nada. Construo uma nova roupagem para o ato da loucura. Sonhei coisas belas para o desenho da nossa trama, mas nossas almas só se encontravam na cama.

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14 comentários:

Menina do mar disse...

UAU!! Cantou passarinho!
Rsrrsr
Gostei!
beijo

Codinome Beija-Flor disse...

Oi!
Tô aqui sempre.
Sabe o que é!
Você escreve tão intensamente que às vezes minhas palavras são demais pequenas pra eu deixar um comentário aqui.
Então venho, leio, aprendo e fico pensando:
"Quando eu crescer quero escrever assim".
Bjo e um 2009 pra lá de especial

Papagaio Mudo disse...

rsrsrsr
Você colocou-me um sorriso no rosto, Beija-Flor. Como muito feliz, mas deixe sempre um link pra que eu possa te seguir.
Um beijo enorme!

Gustavo

Menina do mar disse...

Hum... não fosse a beija-flor minha amiga eu já te dizia... seu engraxador barato!
Não acredites nele amiga! Deixa o link que ele vai lá 1 vês por ano!
Rsrsrsr
Beijos aos dois!

Danitza disse...

A beleza é construir e desconstruir continuamente... Mesmo que seja loucura!

Papagaio Mudo disse...

a que você se refere, Danitza?
bjo

GuS

Danitza disse...

"Confecciono um quadro de memórias sem concepção de passado, não posso renunciar a nada. Construo uma nova roupagem para o ato da loucura. Sonhei coisas belas para o desenho da nossa trama, mas nossas almas só se encontravam na cama."

Há coisa mais bela do que poder destruir e construir tudo isso? Continuamente...
Apenas ciclos que não se fecham...

Papagaio Mudo disse...

você tem um castelo? mesmo que seja de Lego?
construir e desconstruir continuamente não é a esmo e nem loucura. Foi e continua sendo a fome da modernidade, até que alguém me prove que estamos vivendo, coletivamente, a pós-modernidade ou sociedade pós-industrial.

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Papagaio Mudo disse...

Napoleão III declarou o 2º Império em 1851, proclamando-se Imperador depois da Revolução de 1848. Era sobrinho de Napoleão Bonaparte. A partir de Napoleão III, Paris se transformou radicalmente, tornando-se a cidade mais imponente da Europa no seu governo. O Barão de Haussmann foi encarregado pelo novo Imperador, de modernizar a cidade. Para isto, o Barão demoliu as ruas sujas e apinhadas da cidade medieval e criou uma capital ordenada sobre a geometria de avenidas e bulevares. Auteil, distrito vizinho anexado, passou a ser subúrbio como outros.
E San Petersburgo: o modernismo do subdesenvolvimento.
E as cinzas que Robert Moses tirou de Nova Yorque, criando as vias expressas- onde não há calçadas nem terrenos ou lotes- e expulsando as populações para campos isolados da capital, pincipalmente a ilha de Manhatan.


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Danitza disse...

O de agora está sendo construído, mesmo que ainda seja de areia.

Não sugiro o a esmo, mas a loucura de não poder renunciar a nada e construir o novo. A beleza está aí.

Valeu a dica.

Danitza disse...

Ih, construção e destruição por aqui estão longe dos radicalismos e da modernidade. Incomoda.

Papagaio Mudo disse...

e também a arquitetura de repartição pública de Le Corbusier, bom conhecedor das tradições arquitectónicas, é de opinião que a nova arquitectura tem que inspirar-se na produção industrial própria do século xx. Define a vivenda como uma «máquina de habitar» para construir em série. Concebe a construção como uma combinação de escultura e engenharia.

Papagaio Mudo disse...

estou nessa fase
o recomeço! viva!
tudo que foi destruído é alimento para o momento presente e para o futuro, aparentemente paradoxal,
você entende.
bjos,

Gu5

Papagaio Mudo disse...

___ ...castelos-de-carta, castelos-de-areia, que importa?
___ quero construir minha cabana numa base sólida.